Crédito de imagem: Getty Images/reprodução

Em um novo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas Para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no dia 4 de junho, dados de 2023 mostram que o índice de aquecimento dos oceanos de todo o mundo dobrou no intervalo de 20 anos. Já a taxa de elevação do nível do mar duplicou entre 1993 e 2023, totalizando um acréscimo de 9 centímetros. O estudo “State of the ocean 2024” teve a contribuição de mais de cem cientistas, de quase 30 países. 

O ano de 2023 foi o mais quente já registrado na história em relação à temperatura dos oceanos: o aumento médio global foi de 1,45°C acima do nível pré-industrial (ou seja, antes da Revolução Industrial, que ocorreu entre os séculos 18 e 19). Embora o índice ainda seja menor do que o limite de 2°C de aumento das temperaturas estipulado pelo Acordo de Paris (saiba mais em reportagem especial da COP28 no Joca), ele apresenta um quadro bastante preocupante. Além disso, em regiões como Mediterrâneo, Oceano Atlântico Tropical e oceanos austrais, o acréscimo já passou de 2°C. 

Revolução Industrial: transição, entre os séculos 18 e 19, do modo de produção de fábricas, especialmente no hemisfério norte. Nesse período, começou-se a usar carvão para alimentar as máquinas a vapor, liberando Gases do Efeito Estufa (GEEs) na atmosfera.

Gases do Efeito Estufa (GEE): gases poluentes, como o dióxido de carbono (CO2). Ao ser liberados (por meios de transporte ou indústrias, por exemplo), eles sobem para a atmosfera terrestre e ficam “presos” ali, acumulando-se em uma espécie de camada. Essa camada impede o calor de sair da Terra e, ao ser intensificada pela ação humana, leva ao aquecimento global.

O avanço do nível do mar ocorre porque, com o aumento gradual das temperaturas, a água quente sofre um processo de dilatação — no qual um corpo aumenta de tamanho quando é aquecido.

Ainda segundo o relatório, desde 1960, o oceano perdeu 2% de oxigênio, em consequência do aquecimento global e também da poluição jogada nos mares. Uma das medidas de contenção e prevenção apontadas pelo relatório é a preservação de áreas naturais que atuam na defesa contra o avanço do mar, como manguezais e restingas, em áreas habitadas.

“Além de implantar o Acordo de Paris sobre o clima, pedimos aos nossos Estados-membros que invistam na restauração de florestas marinhas e regulamentem melhor as áreas marinhas protegidas, que são importantes reservatórios de biodiversidade”,

declarou Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, em nota.

Além disso, a diminuição do oxigênio nos mares e a emissão de GEEs fazem com que a vida marinha seja ameaçada em diferentes locais. O estudo aponta a existência de cerca de 500 zonas mortas, em que não há quase nenhum ser vivo, em virtude da baixa concentração de oxigênio. A emissão de dióxido de carbono (CO2) faz com que a acidificação oceânica (maior acidez do oceano) também cresça, ocasionando a morte de plantas e espécies costeiras.

No Brasil

A temperatura do oceano no Atlântico Sul e na costa brasileira está cerca de 2°C acima da média histórica. O relatório ainda ressalta que diversas catástrofes climáticas no país, incluindo as inundações no Rio Grande do Sul, foram influenciadas pelo aumento de temperatura nos oceanos. 

Fontes: State of the Ocean 2024, Unesco, Agência Brasil e CNN.

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Comentários (1)

  • LUIZA HAN

    1 mês atrás

    carraca os peixes deve estar no Brasil

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