Confira dúvidas e respostas sobre a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Foto: BSIP/UIG Via Getty Images

Se você perdeu nosso webinar “Jovem, tire suas dúvidas sobre a covid-19”, fique tranquilo: você pode conferir, abaixo, as dúvidas que os espectadores e a leitora Clarissa, de 12 anos, que participou da gravação, enviaram durante a conversa.

Pergunta espectador: É verdade que o novo coronavírus veio de um morcego?

Prof. Ricardo Vieira dos Santos Paiva: Para tentar comprovar isso, foi comparado o material genético do vírus que está infectando os humanos com o do vírus encontrado nos morcegos, e há muitas semelhanças. Então, pela similaridade de material genético, a ideia é que esse vírus tenha passado, sim. Acredita-se até que um pangolim, que é um mamífero muito conhecido na Ásia, também tenha tido esse papel.

Então, é possível que tenha sido transmitido do morcego para o pangolim e do pangolim para o ser humano. Isso ainda está sendo estudado, o que [os pesquisadores] estão fazendo é comparar os DNAs [que é o código genético] dos vírus que estão dentro dos animais com o vírus que está contaminando os seres humanos. 

Clarissa: Se essa doença foi “criada” nos animais, por que eles não pegam?

Prof. Ricardo: Os animais podem pegar. Os mosquitos que transmitem a dengue têm reações à dengue, por exemplo. Não significa que eles vão morrer, eles já têm uma reação há muito tempo, então essas populações de animais são adaptadas ao vírus. O problema é justamente esse, Clarissa. Quando a gente se aproxima desses animais, pode “ganhar” um vírus deles, e nós não estamos adaptados a esse vírus. Por isso, o impacto é muito grande sobre nós.

Esta é a primeira vez que o mundo experimenta uma pandemia de coronavírus, porque as outras pandemias foram de outros tipos de vírus. Como é uma coisa muito nova, ainda não temos imunidade para o coronavírus. Muitos de nós temos imunidade para o vírus da gripe, mas para coronavírus, ainda não.

Dr. Ivan Cese Marchetti: Estamos vivendo um momento em que o vírus atingiu a população que chamamos de “população virgem”, que somos nós, seres humanos, que nunca tivemos contato com esse vírus específico. Esse é um dos motivos que torna o processo tão difícil. Primeiro porque não conhecemos o que está circulando e a doença que esse vírus causa e segundo porque a gente não tem nenhum tipo de anticorpos para ele. O ser humano não tem nenhum tipo de defesa quando entra em contato com o vírus, e isso é uma coisa que faz com que o controle da doença na população seja algo difícil. É pensando nisso que a gente tem que trabalhar os métodos de prevenção, como evitar que esse vírus chegue a outras pessoas, aquelas que já foram infectadas e já estão com a doença ficarem realmente em casa e aquelas que são suscetíveis, ou seja, todos os outros também devem ficar em casa para se proteger.

Pergunta da espectadora Telma: Gostaria de saber se tirar tapetes e almofadas neste período traz algum tipo de benefício de prevenção contra a covid-19.

Dr. Ivan: Neste momento existem algumas coisas mais críticas para a gente se preocupar. Como eu tinha falado no começo, o meio de transmissão é por locais contaminados por secreções respiratórias [catarro e gotículas de respiração]. Então, quais são os lugares que essas secreções podem estar? Locais onde alguém falou perto ou tossiu ou levou a mão. Porque, quando a pessoa tosse, ela protege com as mãos. Então eu não me preocuparia tanto com esses objetos que estão distantes, eles não são alvos de infecção, por isso que a gente fala mais em lugares a que levamos a mão, como maçaneta, corrimão, botão de elevador… Locais a que realmente uma mão contaminada chegou. Mas claro que a higiene da casa é bem importante.

Prof. Ricardo: Complementando o doutor Ivan, a gente não deve ficar muito neurótico e com medo do vírus sobre a superfície do papelão, plástico e tudo mais. Existem dados que mostram que eles vivem por algum tempo, mas isso não deve mover nosso dia a dia. É claro que devemos higienizar, mas a questão da mão no rosto é mais importante, porque a gente coloca a mão no rosto muitas vezes ao longo do dia sem perceber. Então, se fosse para escolher algo, fique sem levar as mãos ao rosto e mesmo em casa lave bem as mãos. Outra coisa é a questão da máscara, que deve ser usada se você sair de casa por algum motivo, até se estiver no prédio e for ao elevador. Eventualmente, algumas pessoas entram no elevador ou algo parecido, e o uso da máscara é fundamental. No Brasil está se discutindo muito o uso dela, porque nosso país não tem uma cultura de uso de máscara como o Oriente tem.

Vejam a questão do uso de máscaras neste gráfico:

No gráfico, é possível comparar a trajetória do número de casos da covid-19 em países que os habitantes possuem o hábito de usar máscaras e nos que não possuem esse costume

Aqui no “no masks” [sem máscaras] tem as curvas de crescimento dos contaminado de países predominantemente europeus, vocês podem ver o exemplo da Itália no gráfico. O único que não é da Europa é a China, que no começo teve uma grande disseminação. Mas se você olha na direita o “masks” [com máscaras] em azul, mostra os países que têm a cultura de uso de máscaras muito forte, como Coreia do Sul, Japão, Cingapura e Hong Kong. São lugares onde as pessoas usam muito a máscara. Mostrei isso para dizer que a cultura do uso de máscara poderia ser mais aplicada no Brasil e as pessoas poderiam acreditar um pouco mais nisso.

Pergunta da espectadora Telma: Itens importados, por exemplo, máscaras da China, podem trazer o vírus?

Dr. Ivan: A máscara é realmente muito importante para evitar a transmissão. Para deixar claro, essa máscara que normalmente a população oriental usa é importante porque a pessoa que está com ela diminui muito a transmissão. É muito comum a gente associar o uso da máscara a um fator de proteção pessoal, em que você coloca a máscara para evitar se contaminar, mas isso ainda é um pouquinho duvidoso, em relação a quanto as máscaras, principalmente as feitas em casa, têm capacidade de proteger. Mas as máscaras são muito interessantes porque elas evitam que nossa secreção, que pode “voar”, realmente saia, já que a máscara barra isso. O que a gente também tem que se preocupar é com material de uso hospitalar.

Temos que evitar ao máximo o uso em casa e na rua, porque, com a pandemia, os materiais estão em falta, o estoque está muito baixo. Por exemplo, as máscaras cirúrgicas são fundamentais para usar no hospital, mas agora nós saímos com elas na rua e elas não têm o efeito muito maior [do que as comuns]. Então você acaba tirando um pouco das máscaras que têm que estar no hospital para você mesmo usar, e é aí que a máscara de pano poderia ajudar. A gente ainda tem pouco conhecimento sobre o quanto elas são eficientes, temos que ser cuidadosos ao afirmar com certeza o quanto elas protegem, por isso a gente bate mais na tecla que elas são fundamentais para evitar que se transmita, mas não que não se infecte.

A máscara no rosto faz com que a gente toque mais no rosto, como o Professor Ricardo já comentou muito bem. Temos o costume de tocar no rosto, então a máscara pode fazer com que a gente vá mais vezes com a mão no rosto e contaminemos nossa mão. Por isso, temos que tomar bastante cuidado para ela não ser a única medida. É fundamental adotar medidas de higiene de mãos, de lavagem e álcool em gel.

Pergunta da espectadora Tatiane P. Nascimento: É verdade que somos infectados pelo novo coronavírus só uma vez?

Dr. Ivan: Ainda não temos certeza. Existem algumas doenças virais que, uma vez que você pegou, se seu sistema imune não tiver problema nenhum, você não vai se infectar de novo.  Um exemplo é a catapora, que quem uma vez pegou e tiver contato de novo com o vírus não desenvolve a doença.

Com relação ao novo coronavírus, a gente não tem essa certeza. A gente tende a acreditar que sim, que ele vai conferir uma proteção, mas a gente não sabe se ela é duradoura ou se em algum momento o vírus vai sofrer uma mutação que vai fazer com que possa infectar novamente. Ainda é muito cedo para se falar.

Dr. Ricardo: Os dados que temos sobre o novo coronavírus ainda são poucos. Então, por exemplo, as pessoas na China que estão “se curando”, aparentemente não passam mais o vírus, não tem dados sobre elas passarem o vírus. Mas tem coisas estranhas acontecendo, como algumas pessoas ainda manifestando sintomas após dias, que nos causam preocupação. Lá [na China] eles estão examinando essas pessoas, vendo se estão ainda positivas para a doença e quanto tempo ficam positivas. Tem dados que a gente ainda não conhece sobre ela.

A Mers [sigla para síndrome respiratória do Oriente Médio, também causada por um coronavírus], por exemplo, que ainda ocorre em algumas regiões do Oriente Médio, pode infectar as pessoas um ano após elas terem contraído o vírus. Por isso, o coronavírus pode ter um taxa de mutação que permite que as pessoas sejam contaminadas mais de uma vez por mutações diferentes do vírus, como acontece com H1N1 e vírus influenza, que todo ano tem que ter uma vacina nova, já que o vírus vai mudando com o tempo. E os coronavírus são vírus que a gente chama de RNAs, que possuem uma taxa de mutação maior que o vírus de DNA. Os RNAs são um pouco mais perigosos e suscetíveis a mutação.

Clarissa: Eu vi que teve um caso de uma menina de 12 anos que pegou [coronavírus]. Por que poucas pessoas da minha idade estão pegando?

Dr. Ivan: Clarissa, eu adoraria saber essa resposta! A gente ainda não tem essa informação, o que a gente sabe é que esse vírus não gosta muito de criança. Realmente, não tem esse grau de infecção tão grande. Também fica um pouco de dúvida: será que as crianças que pegaram o vírus são assintomáticas [ou seja, não possuem sintomas] e a gente não está diagnosticando ou será que elas realmente não pegam? O que sabemos é que a maioria das crianças não fica gravemente doente, em geral elas não têm casos muito graves que chegam a levar à morte, tem alguns relatos bem raros. Então, a gente tem uma baita dúvida: será que esse vírus não infecta crianças ou será que ele só não causa doença grave na criança e passa despercebido?

Tem alguns relatos que mostram que a criança transmite também mesmo não tendo muito sintomas. Ela serve como agente transmissor, como falei no começo, para as pessoas mais suscetíveis, como o vovô e a vovó. A criança pega na escola e parece que não tem nada, só uma “gripezinha” bem leve, algum sintoma não muito importante, mas ela está transmitindo e esse vírus pode chegar a uma pessoa mais suscetível como um idoso ou alguém com alguma doença, e aí causa um malefício maior. Mas a gente ainda não tem certeza, quando a gente souber, eu te conto!

Dr. Ricardo: Completando o doutor Ivan, esses vírus podem ficar em pessoas mais jovens que são assintomáticas. A gente se preocupa muito com as pessoas assintomáticas, porque a maioria das transmissões que acontecem são por elas. Quem transmite para a gente não está com cara de que está doente, e esse que é o perigo, é isso que temos que levar em conta no dia a dia. A melhor maneira de se proteger e de mostrar a preocupação com o outro é se isolando.

Pergunta do espectador Miguel: A hidroxicloroquina é uma esperança no tratamento do novo coronavírus?

Dr. Ivan: A hidroxicloroquina (ou só cloroquina, que é uma medicação diferente, mas com o mesmo princípio ativo), é um medicamento que realmente mostrou ser efetivo em estudos. Mas que estudos? Estudos que a gente colocou em vidro, então analisamos o efeito da hidroxicloroquina no vírus diretamente e percebemos que ela tem capacidade de atuar nele. A diferença de isso acontecer em vidro é grande, porque a gente tem que ter essa droga na concentração adequada, no local adequado para conseguir matar esse vírus, então é promissor. É uma medicação que talvez ajude, mas a gente não sabe, porque temos que submeter alguns pacientes que tenham infecção à medicação e ver como são a respostas, compará-los com uma população bem parecida que não tenha usado a medicação e ter certeza de que ela foi efetiva. Estamos nessa fase.

Como a doença é potencialmente grave, já estamos usando a medicação, porque a gente tenta tudo que é possível. Além disso, é uma droga bem segura, usada há mais de 60 anos para malária e artrite… Então temos essa possibilidade de já usar e supor que ela funcione. Mas ainda não existe a certeza de um tratamento! Não conseguimos afirmar isso para nenhuma medicação.

Dr. Ricardo: Por conta dessa história sobre a cloroquina, algumas pessoas indevidamente andaram tomando por conta própria e passando mal. Não se toma um remédio desses de forma preventiva ou coisas do tipo, por isso temos que tomar cuidado com as informações disseminadas por aí como se fosse uma cura, porque não é! Está em teste ainda.

Pergunta da espectadora Carolina: Qual o número de casos confirmados no Brasil?    

Maria Carolina Cristianini, editora-chefe do Joca: Esses dados estão sendo compartilhados no site do Joca diariamente, seguindo as informações do Ministério da Saúde.

Pergunta da espectadora Lucia: Preciso trocar de roupa quando chego em casa para evitar contaminação?

Dr. Ivan: Para a gente trocar de roupa, temos que considerar que a roupa está contaminada. Mas como temos certeza disso? Não dá para saber por que a gente não sabe em quem esbarrou, com quem conversou ou se o vírus realmente está ali. Então eu acho ideal trocar a roupa e tomar um banho pra se manter limpo, mas não é uma das principais preocupações que eu teria ao chegar em casa. Primeiro lavamos as mãos, sempre!

Dr. Ricardo: Deixe um local específico da casa para os sapatos da rua e a primeira coisa que se faz ao chegar em casa é lavar as mãos. Outra coisa que eu faço é deixar um álcool em gel na porta para os visitantes. Mas reforçando: o sabão é melhor que o álcool em gel, então em casa vamos usar o sabão.

Clarissa: Se eu chegar da rua e fizer carinho no meu cachorro, por exemplo, ele vai ficar doente como as pessoas?

Dr. Ricardo: Os vírus são relativamente específicos, de modo que cada espécie de animal tem alguns vírus específicos. Em geral, os vírus que estão em cachorros e gatos de estimação não passam para a gente, assim como não passamos nossos vírus para eles. Podemos pensar isso em relação ao coronavírus. Esses casos que passaram foram eventualidades trágicas, o caso que aconteceu na China é muito raro, não é comum essa transmissão. Quando um animal passa uma doença para a gente, chamamos a doença de zoonose. Existem várias conhecidas, como a dengue, que pegamos pela picada de um mosquito. Não podemos dizer que a covid-19 é uma zoonose, é diferente! Porque é uma coisa rara, incerta, uma fatalidade.

Pergunta da espectadora Angélica: A pandemia está evoluindo de forma mais controlada no Brasil, comparando com outros países? Qual a situação atual?

 Dr. Ivan: Parece ainda cedo para ter certeza de que a gente está com severidade menor. Comparando as curvas da epidemia no Brasil com as dos outros países, não me parece que nossa curva tenha uma tendência boa, ela parece estar em crescimento exponencial, os casos têm aumentado diariamente. Também temos um problema atual que são os testes, porque há falta de testes mundialmente, e temos poucos diagnósticos acontecendo. É difícil falar que a curva é boa, eu tendo até a ser um pouco mais alarmista e acredito que não. Como os resultados dos testes em geral estão saindo uma semana depois de coletados, e dependendo do local demoram até mais, não conseguimos ter certeza do momento atual. Aparentemente, estamos com mais casos do que os divulgados oficialmente.

Dr. Ricardo: Nós temos uma subnotificação [ou seja, são notificados menos caos do que a realidade], por isso não temos uma ideia exata da situação, já que existem milhares de testes na fila. Recentemente, o governo liberou outros laboratórios para fazer, mas ainda não chegamos ao pico, então temos que ter muito cuidado.

Pergunta da espectadora Leticia: Por que o novo coronavírus infectou tantas pessoas e a gripe aviária não? Qual a diferença?

Dr. Ricardo: A gripe aviária infectou muita gente, o problema é que o ritmo de infecção [do novo coronavírus] é mais rápido, então o sistema hospitalar ficou sobrecarregado mais rapidamente e, com isso, há mais probabilidade de pessoas morrerem. Além disso, o coronavírus é um pouquinho mais letal do que o vírus da gripe, mas o vírus da gripe infectou muita gente. Mas, por exemplo, como a gripe aviária não pegou tão fortemente as pessoas mais velhas porque elas podiam ter alguns anticorpos, já que o H1N1 é lá do tempo da gripe espanhola e ainda podia estar no corpo de algumas pessoas mais velhas, existia alguma imunidade. Além do novo coronavírus, nosso sistema de saúde tem que lidar com as doenças sazonais, como a dengue. Temos outros problemas adicionais também.   

Dr. Ivan: É difícil comparar, são vírus bem diferentes. A gente sabe que esse coronavírus tem maior capacidade de transmissão, porque existem algumas contas que são feitas de quantas pessoas alguém infectado é capaz de contaminar. Uma pessoa infectada pelo vírus influenza passa para uma ou duas pessoas. Já o novo coronavírus pode ser transmitido para até quatro, dependendo das medidas de proteção de isolamento. Devemos nos preocupar porque é um vírus novo, que não conhecemos direto, não temos imunidade a ele e se transmite de uma maneira simples e rápida.

Pergunta do espectador: As formigas podem trazer o vírus para dentro de casa? Os insetos podem pegar?

Dr. Ricardo: Não há nenhuma evidência de insetos contaminados por esse tipo de vírus, ele é específico de algumas espécies de mamíferos. Exemplo: insetos como baratas e formigas podem transmitir bactérias, porque elas se alojam nas pernas desses animais e, conforme eles andam, podem ser transmitidas. Se uma barata entra no esgoto e na nossa casa, podemos ter diarreia, por exemplo. Em hospitais as formigas são importantes transmissores mecânicos de infecções hospitalares, elas passam de um lado para o outro e podem levar agentes infectantes no corpo delas. Elas são agentes mecânicos, elas transportam. É diferente!

Clarissa: Minha amiga perguntou por que o álcool em gel e o sabão matam o vírus. Por que tem que ser o 70%?

Dr. Ricardo: O vírus tem uma capa de proteína e muitas vezes essa “capa” também tem lipídios, gordura. Então o vírus tem um “envelope” de proteína e gordura, e o sabão quebra esse “envelope” e expõe o material genético, de modo que ele não fica mais ativo e perde a capacidade de penetrar nas nossas células e nos infectar. O sabão e o detergente desestabilizam esse “envelope”, enquanto o álcool o desidrata. Ele é um fortíssimo desidratante, porque tira toda a água que tem em volta do vírus e ele se desestrutura, mas o sabão é melhor. O álcool tem que ter certa potência, se ele estiver abaixo de 70%, perde esse poder desidratante e desinfetante.

 Dr. Ivan: Além disso, o álcool 100% evapora muito rápido. O 70% é o ideal!

Pergunta da espectadora Tatiane: Tem algum medicamento que uma pessoa com a covid-19 não pode tomar?

Dr. Ivan: No começo se falou do anti-inflamatório, tanto que o Ministério da Saúde proibiu o uso do ibuprofeno, porque parecia que ele piorava a gravidade da doença, mas logo em seguida foi suspenso. Não parece que tenha medicação que dê problema se a gente tomar em um caso leve da doença. Quando o paciente está internado, com uma doença respiratória grave, aí sim tomamos mais cuidado.

Pergunta da espectadora Telma: Como agimos se alguém da nossa casa contrair?

Dr. Ivan: Quando temos um caso de coronavírus em casa em que um teste deu positivo, a gente tem que pensar aquilo que disse no começo, já que essa pessoa infectada é alguém que vai transmitir para quem tem contato com ela. A orientação é essa pessoa ficar isolada, o que é diferente de quarentena. Quarentena é quando a gente está falando a respeito de as pessoas se resguardarem para não correr o risco de pegar ou passar a doença por tê-la de maneira assintomática. Já quem tem a doença tem que ficar isolado. Isso significa o máximo de restrição possível com qualquer outra pessoa, porque a gente sabe que esse vírus é transmitido de maneira muito fácil.           

Em casa, essa pessoa deve ficar em um cômodo somente dela (dependendo a estrutura que a casa tem). É um cômodo em que ela vai manter a porta fechada e a janela aberta. Se eventualmente ela precisar sair do cômodo para, por exemplo, ir ao banheiro, deve usar uma máscara para que não transmita o vírus para onde vá. O local em que a pessoa doente mexeu deve ser desinfetado usando álcool 70%. A ideia de isolamento é evitar o máximo de contato.

Pergunta da espectadora Mônica: Se tivermos os sintomas em casa, qual é o momento para procurar um médico?

Dr. Ivan: Nesse momento de quarentena temos que evitar ao máximo contato com as outras pessoas. Como as pessoas doentes estão nos hospitais, temos que tomar cuidado no momento de procurar ajuda. Porque, como o professor já comentou, tem outros vírus atualmente com que o Brasil lida, como a influenza ou vírus de resfriado comum. Os sintomas do coronavírus, como geralmente são leves, confundem-se muito com essas outras infeções respiratórias, então o que vai acabar acontecendo é que pessoas que não têm o coronavírus e estão com sintomas de resfriado vão ao hospital preocupadas com isso, e aumenta a chance de se infectar.

Então é o seguinte: se tiver sintoma respiratório, só procurar o sistema de saúde se houver algum sinal de alarme. O principal sinal de alarme do coronavírus é o cansaço e a falta de ar, é isso que tem que preocupar a gente e fazer procurar ajuda. Mas dor de garganta, nariz escorrendo e tosse sem nenhum outro sintoma maior não justificam ir ao hospital. Temos que estar atentos. Falamos de coisas graves, mas em 80% a 85% das pessoas essa doença é superleve e não faz nada, por isso que elas não vão precisar de internação. Somente 5% vai precisar ir para uma Unidade de Terapia Intensiva. Temos que ser cuidadosos ao ir ao hospital com sintomas leves.

Existe previsão para voltar à normalidade?

Dr. Ivan: Estamos no começo, não temos previsão para quando a curva (quantidade de casos) vai estabilizar e começar a cair. Vendo os outros países, isso demorou mais do que dois meses. A China, por exemplo, teve o primeiro caso lá no começo de dezembro e agora, no começo de março, começou a soltar devagarinho a movimentação e circulação das pessoas. É difícil pensar em algo menor do que dois ou três meses para voltar à normalidade. Claro que depende de como vai ser aqui no Brasil. Como o professor falou, a população daqui é diferente da chinesa, que é diferente da italiana. Não sabemos como a epidemia vai se comportar no nosso país para falar com certeza.

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