Realmente, fazer amigos não é uma das tarefas mais fáceis — ainda mais quando se é criança! Afinal, amizade exige afinidade, esforço, compreensão, amor, empatia… Mas, antes de tudo isso, ela exige aproximação e conhecimento.

Talvez a ideia de tomar a iniciativa e se aproximar de alguém seja apavorante para seu filho, e você nem saiba disso. O que também vale para seus alunos, caso seja professora ou trabalhe, de alguma forma, com educação infantil.

A boa notícia é que você pode, sim, ajudar as crianças a fazer amigos! Basta ficar atenta e ter paciência e bons exemplos. Quer ver como? Então continue lendo e confira este passo a passo que construímos para te ajudar!

1. Amplie as possibilidades

A escola é um ambiente fundamental para formação do seu filho, mas não deve ser o único. Se você tem notado seu filho meio apático, muito fechado no seu próprio universo, há duas hipóteses: ou ele não está interessado nos amigos que estão ao redor dele ou tem medo de socializar e, por isso, se fecha, como mecanismo de autodefesa.

Comece, então, expandindo seus horizontes — principalmente se você mora em apartamento. Sem nenhuma pressão, identifique atividades que ele gostaria de fazer e que aconteçam em grupo: lutas, danças, aprendizado de outras línguas, esportes, música…

Seja como for, proporcione a ele a oportunidade de estar mais em contato com o que o faz feliz. Inclusive, viagens também são muito bem-vindas! Não precisa ser para longe, nem cara: a ideia é despertar a curiosidade dele para o mundo.

2. Detecte as amizades em potencial

Para tomar qualquer atitude é preciso, antes, saber onde encontrar os futuros amigos dos seus filhos. No caso das professoras, essa etapa pode ser pulada, já que elas trabalham com as crianças dentro do próprio ambiente escolar.

Para as mães, uma forma de facilitar esse processo é estimular seu filho a falar mais: pergunte a ele sobre os colegas de sala, de esporte, do transporte escolar, do curso de inglês etc.

Busque entender o que ele pensa e sente sobre cada uma das pessoas que citar — seja admiração, medo, graça —, e qual é o nível de aproximação que eles possuem. Conseguindo detectar essas pessoas, ficará bem mais fácil executar os próximos passos!

3. Invente motivos!

Não deixe pra reunir a turma apenas no aniversário do seu filho. Pergunte a ele o que acha de convidar fulano ou sicrano — os amigos em potencial que você detectou no passo anterior — para assistir a um filme, jogar videogame ou fazer qualquer coisa na sua casa.

Dessa forma, você proporciona um contato mais reservado entre as crianças que pode significar muito para seu filho, como:

– ficar mais à vontade em um ambiente acolhedor;

– ter a segurança de pessoas conhecidas por perto;

– não ter medo do que as outras crianças vão achar disso ou daquilo.

Já enquanto professora, promova trabalhos em dupla e escolha as crianças que vão trabalhar juntas com atenção para essas afinidades. Assim, você estimula sempre a troca entre elas!

4. Mostre como fazer!

Você já conseguiu ampliar a rede de possibilidades do seu filho e também aproximá-lo dessas possibilidades. Mas ainda é preciso que você o ensine o que é amizade e como lidar com ela. Afinal, depois de ensinar seu filho a se aproximar das pessoas, você deve ensiná-lo a mantê-las por perto, certo?

É fundamental, então, manter seus amigos por perto, tratá-los com carinho, rir junto e conversar bastante com eles na presença da criança — que, naturalmente, reproduzirá seu comportamento com os amigos dela.

5. Repreenda quando for necessário

Observe, sempre que possível, o tipo de comportamento que o seu filho tem com os amigos. Nessa idade, é normal que ele não saiba lidar bem com a nova situação e tenha dificuldades em compartilhar suas coisas, ou não aceite perder no jogo, por exemplo.

Quanto a isso, a repreensão deve acontecer no momento em que se percebeu a atitude errada, e com o máximo de carinho e firmeza possível. Contudo, também é válido conversar depois, e explicar como deve ser a relação entre as pessoas.

O principal aqui é não achar que o seu filho está sempre certo, nem cair na armadilha da superproteção, pois ela só resultará no efeito contrário ao esperado.

6. Ajude-o a construir as bases da amizade

Existem muitos filmes, livros e músicas que traduzem o valor de uma amizade, ensinando a fazer amigos e despertando emoções vinculadas a esse laço. Então, não hesite em utilizar esses recursos para fortalecer seus ensinamentos!

7. Ofereça apoio

Tudo isso será muito novo na vida dele e poderá causar alguns conflitos internos. Portanto, é fundamental que você esteja sempre por perto, interagindo com ele e se interessando em saber como ele se sente e quais são suas maiores dificuldades.

Inclusive, essa busca por ajudar seu filho a fazer amigos vai deixá-los ainda mais próximos se uma relação de cumplicidade se estabelecer entre vocês. Sem contar que essa proximidade é também uma forma muito eficaz de trabalhar sua autoestima.

Então, ouça seu filho com bastante atenção e empatia, dando importância aos problemas que ele te apresenta e tentando entender como eles se desenvolvem dentro da sua cabeça. Lembre-se: às vezes, é preciso pensar como uma criança para compreender seu olhar sobre as coisas!

8. Mantenha-se em contato com a escola

Para saber se tudo está saindo como o planejado e se o seu filho está conseguindo se sair bem ao fazer amigos, faça um trabalho em conjunto com a escola.

Procure saber da professora sobre as evoluções, novidades e comportamentos que o seu filho tem longe de você.

Até porque pode acontecer de ele não conseguir reproduzir todos esses ensinamentos em ambientes coletivos, o que pode exigir um acompanhamento mais de perto. Quem sabe, até de um profissional qualificado. Por isso, observe sempre!

De toda forma, o pensamento mais importante que você precisa nutrir é que fazer amigos é um processo demorado para quem tem alguma dificuldade de se relacionar. E ajudar seu filho nessa tarefa deve ser um exercício diário que, com certeza, te recompensará para a vida toda!

 

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