O documento da Organização das Nações Unidas para Alimentação (FAO) e Agricultura e da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) aponta que mais da metade dos brasileiros está com sobrepeso.

Arte: Michal Jarmoluk/ Pixabay

Mais da metade da população brasileira está com sobrepeso e a obesidade já atinge a 20% das pessoas adultas.

Os dados são do novo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe.

Segundo o documento, com base em dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o sobrepeso em adultos passou de 51,1% em 2010, para 54,1% em 2014.

A tendência de aumento também foi registrada na avaliação nacional da obesidade. Em 2010, 17,8% da população era obesa; em 2014, o índice chegou a 20%, sendo a maior prevalência entre as mulheres, 22,7%.

Outro dado do relatório é o aumento do sobrepeso infantil. Estima-se que 7,3% das crianças menores de cinco anos estão acima do peso, sendo as meninas as mais afetadas, 7,7%.

“A população precisa mudar o hábito de alimentação e adotar práticas mais saudáveis”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O crescimento econômico, a urbanização e a mudança nos padrões de consumo são alguns aspectos que explicam o crescente aumento do sobrepeso. Muitas famílias têm deixado de consumir pratos tradicionais e aumentado a ingestão de alimentos ultraprocessados e de baixa qualidade nutricional.

Os brasileiros têm que adotar alimentos saudáveis e sustentáveis que unam agricultura, alimentação, nutrição e saúde.

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É necessário que o governo incentive a produção produção sustentável de alimentos frescos, seguros e nutritivos e garanta a oferta, a diversidade e o acesso, principalmente da população mais vulnerável.

Isso deve ser complementado com educação nutricional e advertências para os consumidores sobre a composição nutricional dos alimentos ricos em açúcar, gordura e sal.

Iniciativas brasileiras

Um dos destaques para promover a alimentação saudável é a criação de leis que regulamentam a venda e a publicidade de alimentos para lactantes e crianças.

Também foi citada a campanha “Brasil Saudável e Sustentável”, que tem por objetivo sensibilizar e alertar a população brasileira dos benefícios da alimentação saudável.

Há também o programa Saúde na Escola, além de publicações de orientação à população como o Alimentar para a População Brasileira e o Guia Alimentos Regionais Brasileiros.

A Academia da Saúde é a principal estratégia para estimular o aumento da prática da atividade física na população. O programa está em 2.789 municípios, com mais de 1.779 polos finalizados e 2.046 novas propostas de implantação.

Há também ações preventivas nas escolas para evitar a obesidade em crianças e adolescentes, como o Programa Saúde na Escola (PSE), presente em mais de 50 mil escolas.

Outro avanço é o Plano Nacional de Redução de Sódio em Alimentos Processados, que já retirou 14.893 toneladas de sódio dos produtos alimentícios. O Brasil também contribuiu ativamente para a aprovação da Década de Ação pela Nutrição (2016–2025) – estabelecida na última Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2016 – para promover o fortalecimento das ações na área de nutrição, com foco na Agenda 2030 das Nações Unidas.

Realidade Regional

De acordo com o relatório, cerca de 58% da população latino-americana e caribenha estão com sobrepeso (360 milhões de pessoas).

Com exceção de Haiti (38,5%), Paraguai (48,5%) e Nicarágua (49,4%), o sobrepeso afeta mais da metade da população de todos os países da região, sendo Chile (63%), México (64%) e Bahamas (69%) os que registram as taxas mais altas.

A obesidade afeta 140 milhões de pessoas, 23% da população regional e as maiores prevalências são observadas em todos os países do Caribe: Bahamas (36,2%) Barbados (31,3%), Trinidad e Tobago (31,1%) e Antígua e Barbuda (30,9%).

A obesidade impacta mais as mulheres: em mais de 20 países de toda região,  a taxa de obesidade feminina é 10% maior que a dos homens.

 

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