Os primeiros dias de dezembro trouxeram a notícia há meses aguardada: no dia 2, o Reino Unido se tornou a primeira nação do Ocidente a aprovar o uso de uma vacina contra a covid-19 — o governo da Rússia também anunciou vacinação em dezembro, com a Sputnik V, desenvolvida no país. A partir das novidades, relembre momentos da pandemia e entenda a situação atual no mundo

Reino Unido anuncia início da vacinação contra o novo coronavírus
Produzida pelas empresas Pfizer e BioNTech, a vacina que será usada pelos britânicos se mostrou eficaz em 95% dos testes em massa (ou seja, aplicados em grande quantidade de pessoas). Cerca de 800 mil doses estarão disponíveis para a população do Reino Unido e começam a ser aplicadas em 8 de dezembro. Primeiro, devem ser vacinados idosos, profissionais de saúde e pessoas do grupo de risco. A vacina será aplicada em duas doses com intervalo de 21 dias. No total, o Reino Unido comprou 40 milhões de doses, que permitirão imunizar 20 milhões de pessoas (cerca de um terço da população britânica) até metade de 2021. Outros países europeus, como Alemanha e Itália, anunciaram que aplicarão a vacina nos habitantes até janeiro de 2021. A União Europeia (bloco que inclui 27 nações da Europa) tem um acordo para obter 200 milhões de doses da vacina, o suficiente para 33% da população do bloco.

De acordo com o governo russo, a vacinação com a Sputnik V começou em Moscou, a capital, em 5 de dezembro, para assistentes sociais, médicos e professores.

Cenário atual
– No fim de novembro, a Europa teve mais de 36 mil mortes, o registro mais alto em uma semana desde o início da pandemia. Ainda assim, alguns países parecem ter superado o pico da segunda onda. Estabelecimentos comerciais voltaram a abrir na França e Polônia (saiba mais sobre outras nações na página 5).

– Nos EUA, o país com o maior número de mortes, Los Angeles proibiu encontros em espaços públicos e privados durante três semanas.

– Em novembro, a África registrou aumento nos casos, chegando aos 2 milhões. As nações mais afetadas do continente são África do Sul, Marrocos, Egito e Etiópia.

– Na China, os casos estão estáveis desde junho. Seguem obrigatórios o uso de máscara e a medição de temperatura, mas atividades em geral, como comércio, turismo e educação, voltaram ao normal.

Retrospectiva da covid-19
Ao longo do ano, milhões de pessoas foram infectadas e outros milhões morreram por causa da doença. Para frear a pandemia, escolas e comércios fecharam, voos foram proibidos e quarentenas, decretadas. Confira os principais momentos do vírus que marcou 2020.

Dez. 2019 | Primeiro caso
A doença foi registrada pela primeira vez em dezembro de 2019, em um mercado de Wuhan, na China, onde eram vendidos animais silvestres vivos e mortos. Como o novo coronavírus é da mesma família de vírus encontrados em morcegos, a suspeita é de que tenha sido transmitido por esses animais a outros animais até chegar ao ser humano, mas a origem continua incerta. Estudos apontam a presença do vírus antes do anúncio oficial na China. Amostras de sangue e esgoto, recolhidas semanas ou até meses antes de dezembro de 2019, detectaram o vírus entre humanos na Espanha, na França, nos Estados Unidos e até no Brasil.

Jan. 2020 | O vírus pelo mundo
Em janeiro de 2020, a doença começou a aparecer em outros países. O primeiro caso fora da China foi registrado na Tailândia, no dia 13.

21 de janeiro: Estados Unidos

24 de janeiro, Europa: o vírus chega à França

Fev. 2020
Dia 26: Um cidadão de São Paulo, Brasil, que voltou da Itália, foi o primeiro caso da América Latina.

Dia 28: Data em que um italiano que estava na Nigéria foi diagnosticado com covid-19.

Mar. 2020 | Declaração de pandemia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto de covid-19 como pandemia em 11 de março. A palavra é usada quando uma nova doença ameaça muitas pessoas ao mesmo tempo em vários continentes.

Ao longo de 2020, o uso de máscara ganhou o mundo como uma das formas de proteção contra o novo coronavírus. Na foto, parque na cidade de Portsmouth, Inglaterra, em 5 de novembro | #pracegover: duas mulheres, uma vestindo roupa preta e a outra roupa preta e verde, estão sentadas em um banco de madeira, numa praça. Elas mantém distanciamento e usam máscara. Foto: Finnbarr Webster_Getty Images

Restrições
Para tentar conter o vírus, veio uma série de controles:

Viagens
– Em fevereiro, os EUA exigiram que pessoas vindas da China fizessem duas semanas de quarentena antes de desembarcar no país. Austrália, Alemanha, Itália, Quênia e Nova Zelândia tomaram medidas parecidas.

– No mês seguinte, cidadãos que não eram norte-americanos e chegavam aos EUA vindos da Europa foram proibidos de visitar o país.

– A proibição de voos e viagens de ônibus e navio se espalhou pelo mundo.

Quarentena e lockdown
– Em 8 de março, a Itália colocou todos seus 60 milhões de habitantes em lockdown (confinamento).

– Quarentena e lockdown foram adotados por diversos países, como Portugal, Índia, EUA e Brasil. No fim de março, mais de um terço da humanidade estava dentro de casa para conter o vírus.

Escolas
– Segundo a Organização das Nações Unidas Para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), houve fechamento total de instituições de ensino em mais de 180 países. Assim, quase 90% dos estudantes do mundo não puderam ir à escola.

– Algumas instituições mantiveram atividades on-line, mas muitas crianças e jovens não dispõem de aparelhos tecnológicos ou conexão com a internet em casa e continuaram sem acesso ao conteúdo das aulas.

– Em agosto, alunos de Wuhan, onde a doença surgiu, voltaram a ter aulas depois de sete meses. Em Pequim, capital chinesa, as aulas tinham sido retomadas em maio. Países europeus voltaram às atividades escolares em abril. No Brasil, entre outubro e novembro, algumas escolas reabriram para aulas presenciais.

Máscara
– Em abril, empresas de aviação anunciaram a necessidade do uso de máscara durante voos e nos aeroportos. A medida também foi adotada por diversos países.

– No Brasil, o governo federal não impôs o uso de forma nacional, mas alguns governos estaduais e municipais tornaram a máscara obrigatória. O distanciamento social de 1,5 metro em estabelecimentos também foi recomendado na maioria dos países, além da oferta de álcool em gel e da medição da temperatura das pessoas.

Eventos culturais e esportivos
– A NBA, principal liga de basquete do mundo, suspendeu os jogos por quase cinco meses.

– A Olimpíada de Tóquio, no Japão, foi adiada para julho de 2021.

– Os campeonatos estaduais de futebol no Brasil ficaram meses parados e retornaram em junho, assim como outros eventos esportivos no Reino Unido, Tanzânia e Nova Zelândia. A Alemanha foi a primeira a voltar com o futebol, em maio.

– Lançamentos de vários filmes, como Mulan, foram adiados, e festivais de música, como o Lollapalooza, também. Drive-ins para o cinema e lives para os shows se tornaram comuns.

Reaberturas e segunda onda
A partir de abril, vários países, como Espanha, Irã, Itália, Dinamarca, Israel, Alemanha, Nova Zelândia e Tailândia, passaram a diminuir as restrições. Com a redução dos casos, comércio, museus, cinemas, parques, templos religiosos e escolas foram reabertos e voos retornaram. O aumento da circulação das pessoas e a diminuição de medidas de prevenção levaram alguns desses países a uma segunda onda da doença, que ocorre desde meados de agosto e setembro. Em outubro, algumas nações voltaram a adotar restrições, como toque de recolher à noite e lockdown.

Casos confirmados no mundo: 66.422.058*
Mortes no mundo: 1.532.418*
*Segundo a OMS em 7 de dezembro.

Fontes: Band, BBC, Business Insider, CNN, European Centre for Disease Prevention and Control, Fiocruz, Folha de S.Paulo, IstoÉ Dinheiro, G1, governo do Reino Unido, OMS, Superinteressante, The American Journal of Managed Care e The Guardian

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 162 do jornal Joca.

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