No dia 12 de janeiro, pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia divulgaram que uma nova variante do novo coronavírus foi encontrada em Manaus, no estado do Amazonas. Trata-se de uma mutação da linhagem B.1.1.28 (o que podemos chamar de “a família do vírus”) e, provavelmente, nasceu em 2020.

“Sabemos pouco sobre as consequências da mutação”, explica Estevão Urbano, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Ainda não existem estudos dentro da metodologia exigida, mas os relatos de médicos de Manaus dizem que a variante parece mais transmissível e agressiva, o que poderia justificar a explosão de casos por lá”, completou (entenda a situação na capital do Amazonas na página 3).

Os pesquisadores ainda não sabem se as vacinas desenvolvidas serão eficazes contra a variante. Se for necessário, será feita uma adaptação da vacina para nova aplicação. Isso não é incomum — a vacina da gripe, por exemplo, é atualizada todos os anos pela mesma razão.

“Isso já era esperado, as pessoas não precisam ficar com medo”, diz Renato Grinbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Todo ser vivo sofre mutações, isso vale tanto para humanos como para vírus. Portanto, é natural que aconteça com o coronavírus. Não foi a primeira vez”, explicou.

No dia 10 de janeiro, o governo japonês identificou a mesma variante em quatro pessoas que visitaram o Amazonas e retornaram ao Japão. Resta saber se os pacientes foram infectados no Brasil e levaram o vírus ao país ou o contrário. Essa mutação foi responsável pelo primeiro caso de reinfecção em Manaus. A situação motivou diversas medidas de restrição, incluindo o banimento de voos originários do Brasil.

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#pracegover: ilustração, em tons de vermelho, mostra o processo de mudança da estrutura genética da nova variante, a partir da figura de dois coronavírus. Imagem: Getty Images

O que é mutação de um vírus?
Mutações surgem durante o processo de reprodução do vírus, em que ele está fazendo cópias de si mesmo. Em uma dessas cópias, o vírus pode cometer um erro em seu genoma (partes que o formam). Esse erro vai se replicar nas próximas cópias, fazendo com que se transforme em algo diferente. É como se, ao fazer a cópia de uma folha de papel, você borrasse a folha e, então, fizesse cópias do papel borrado, e não do original.

“Sabemos que o Sars-CoV-2 [o novo coronavírus] tem uma média de duas a três mutações por mês”, disse Ingra Morales Claro, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao Jornal da USP. A maioria das variantes apresenta poucas novidades, portanto, não chamam a atenção. Outras, como a encontrada no Reino Unido e a vista em Manaus, são mais diferentes, por isso, mais estudadas.

Fontes: Canaltech, El País, Estadão, Jornal da USP, G1, Galileu, O Globo, Sociedade Brasileira de Infectologia, Superinteressante e UOL.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 163 do jornal Joca.

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