Cerca de cinco anos depois de perder o status de geleira por causa de seu nível de derretimento, Okjökull, também conhecida como Ok, na Islândia, foi homenageada em uma espécie de funeral, no dia 18 de agosto. Cientistas e ambientalistas decidiram se reunir no topo da geleira como forma de conscientizar as pessoas sobre a importância dessas massas de gelo para o país.

A Islândia fica no norte da Europa e, por causa das baixas temperaturas, tem cerca de 10% do território coberto por gelo. O derretimento em consequência do aquecimento global (saiba mais sobre o fenômeno na edição 135 do Joca) pode causar diversos prejuízos para o país, como mudanças no solo — quanto mais o gelo derrete, mais fino fica o chão que antes era coberto por ele.

Durante o funeral, a “geleira morta” recebeu uma lápide em que se lê em um dos trechos: “Nos próximos 200 anos, espera-se que todas as nossas geleiras sigam o mesmo caminho. Este monumento certifica que nós sabemos o que está acontecendo e o que precisa ser feito”.

Derretimento na Groenlândia 

No mês de julho, a Groenlândia (território pertencente à Dinamarca, no Oceano Atlântico) perdeu 197 bilhões de toneladas de gelo, o que corresponde a cerca de 80 milhões de piscinas olímpicas, segundo o Instituto Meteorológico da Dinamarca. O evento foi influenciado pela onda de calor que atingiu a Europa no mesmo período.

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#pracegover: quatro cientistas – três homens, usando casacos amarelo, azul e vermelho – e uma mulher, usando casaco roxo, estão na área rochosa da geleira que derreteu. Na frente deles, a lápide. Foto: Rice University Public Affairs.

Julho de 2019 foi o mês mais quente já registrado, diz estudo

Uma análise feita pelo Serviço de Mudança Climática Copernicus, órgão ligado à União Europeia, apontou que julho de 2019 foi o mês mais quente dos últimos 140 anos. Os dados foram confirmados pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês), em 15 de agosto. A Noaa apontou que, em julho, a média de temperatura no planeta foi 0,95ºC superior à média registrada durante o século 20 — que foi de 15,77ºC. O relatório também mostrou que entre os dez meses de julho mais quentes da história, nove aconteceram a partir de 2005. Em julho deste ano, foram registradas fortes ondas de calor em locais como a Europa, onde as temperaturas passaram dos 40ºC em alguns países (saiba mais na edição 134 do Joca). Segundo a Noaa, o recorde anterior para o mês mais quente da história havia sido batido em julho de 2016.

Mais calor
Outro estudo, publicado em 19 de agosto e liderado por cientistas da Universidade Humboldt de Berlim (Alemanha), indica que as chances de os períodos quentes se prologarem no hemisfério norte aumentam em 4% se a temperatura do planeta subir 2ºC (em comparação aos anos pré-industriais, entre os séculos 18 e 19). De acordo com os dados divulgados, a temperatura média da Terra já aumentou 1ºC e pode chegar a uma elevação de 3ºC se os níveis de emissão de dióxido de carbono (CO2, gás liberado por automóveis e indústrias, por exemplo) não diminuírem — saiba mais sobre o efeito do CO2 na Terra na edição 135 do Joca.

Fontes: CNN, Folha de S.Paulo, G1, Galileu, revista Planeta e Superinteressante, : The Independent, The Guardian, Folha de S.Paulo, G1 e Reuters.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 136 do jornal Joca.

 

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