vacinação infantil contra covid 19 181
Criança é vacinada contra covid-19 no Planetário, no bairro da Gávea, cidade do Rio de Janeiro / #pracegover: profissional da saúde aplicando vacina contra a covid-19 no braço de criança, que usa camiseta branca com detalhes em preto e máscara. Crédito de imagem: TÂNIA RÊGO_AGÊNCIA BRASIL

A doutora Claudia Maekawa Maruyama, infectologista pediátrica da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, respondeu a uma parte das dúvidas:

Em quanto tempo a vacina começa a fazer efeito? (Amanda C., 13 anos, Manaus, AM, Clara M., 11 anos, Boa Vista, RR, e Clarice C., 9 anos, Brasília, DF)
Em torno de 15 dias após a aplicação. Para o potencial máximo de proteção, isso acontece cerca de duas semanas após a última dose do esquema primário [ou seja, duas semanas depois da segunda dose].

Nós teremos que renovar as doses? (Amanda C. e Clara M.)
Ainda não há estudos robustos, mas sabemos que doses adicionais da vacina foram necessárias para aumentar a resposta imune [de proteção] nos adultos. Ainda será necessário acompanhar as crianças vacinadas, o curso da doença e a situação epidemiológica [do avanço da covid-19] para definir qual será essa recomendação, como ocorreu em outras faixas etárias. No momento, a indicação são duas doses.

A vacina faz mal para crianças? Podemos ter alguma sequela? (3º ano matutino e 5º ano vespertino da Escola Piaget, Goiânia, GO)
Não, as vacinas foram desenvolvidas com embasamento científico de décadas e sob monitoramento de segurança. A vacina é a melhor maneira de prevenção das formas graves da doença.

Existe risco de morte? (5º ano vespertino da Escola Piaget)
Até o momento, os estudos não registraram eventos graves, como mortes.

A vacina vai alterar o DNA das crianças no futuro? (3º ano matutino da Escola Piaget)
Não, nenhuma vacina altera o DNA de uma pessoa. As vacinas que utilizam RNAs mensageiros [entenda no box “Como agem as duas vacinas contra covid-19 para crianças?”] servem de exemplo para que as nossas células produzam uma proteína específica que estimula a produção de anticorpos [que protegem o organismo da doença].

A vacina protege a criança totalmente? (Enzo B., 7 anos, de São Paulo, SP, e 3º ano matutino da Escola Piaget)
Nenhuma vacina protege 100%, e cada organismo é único, assim como sua resposta vacinal. Porém a taxa de proteção pode ser superior a 90%.

Qual das vacinas é mais segura para crianças? (5º ano vespertino da Escola Piaget)
Todas as vacinas licenciadas são seguras, pois, desde o desenvolvimento até a aprovação, foram acompanhadas e analisadas por órgãos oficiais compostos por profissionais altamente capacitados.

A vacinação nas crianças tem a mesma eficácia que nos adultos?
(5º ano vespertino da Escola Piaget)

Os estudos demonstraram que, nas crianças, a vacina da Pfizer teve uma resposta imune parecida com a faixa etária de 16 a 25 anos. Já a CoronaVac tem manifestado alto nível de conversão positiva de anticorpos, com índice igual ou superior ao de adultos.

A infectologista Keilla Freitas, especialista em controle de infecção hospitalar pela Universidade de São Paulo (USP), respondeu outra parte das dúvidas:

Quais os “ingredientes” que se usa para fazer a vacina? (Lívia L., 11 anos, João Pessoa, PB)
Depende do tipo da vacina. No geral, elas são feitas a partir de componentes do próprio vírus. Para [esses ingredientes] entrarem no organismo é necessário um “transporte”, que pode ser um vírus modificado (incapaz de causar doença no ser humano). Por fim, são adicionados estabilizantes e conservantes [saiba mais na edição 145 do Joca].

A vacina é feita por pessoas ou máquinas? (Lívia L.)
É feita por pessoas. O processo de fabricação envolve biologia e tecnologia e varia de acordo com cada tipo de imunizante.

Afinal, qual a importância da vacina? (Thais Lorena P., 12 anos, Ipiranga, PR)
A vacina estimula nosso sistema imune a criar anticorpos específicos contra microrganismos [que causam a doença]. Isso funciona como um treinamento para o sistema imune. Com os anticorpos criados, quando o corpo entre em contato com o microrganismo selvagem, o sistema imune já acionará os anticorpos imediatamente, evitando que a pessoa adoeça ou fazendo com que não tenha sintomas graves.

Por que, depois da vacina, temos que continuar usando máscara? (Emeli D., 14 anos, Ipiranga, PR)
A vacina não protege 100% dos casos de doença, e mesmo pessoas vacinadas podem se infectar e transmitir o vírus. Enquanto houver grande circulação do vírus, precisamos utilizar máscaras, especialmente em locais fechados, além de evitar aglomeração, mesmo em locais abertos.

Por que a vacina causa reação em algumas pessoas e em outras, não? (Isadora S., 10 anos, São Paulo, SP)
Porque cada organismo é único. Mas reações vacinais graves são muito raras. É mais provável ter uma reação grave à picada de abelha ou ao comer amendoim do que tomando a vacina contra a covid-19. O que é comum são reações leves, que podem se assemelhar a um resfriado.

A vacina dói muito? (Enzo B.)
Pode doer tanto quanto qualquer outra vacina. Ela vai doer quanto mais tensa a pessoa ficar, pois contrai os músculos do braço.


Situação da pandemia no Brasil
Nos primeiros 35 dias de 2022, 3.988.310 brasileiros contraíram o novo coronavírus, segundo o ministério da Saúde. O número é maior do que o de casos confirmados ao longo de todo o segundo semestre do ano anterior: 3.730.380. Um dos principais motivos para esse aumento é o avanço da variante ômicron, que chegou ao país no fim de 2021 e é mais contagiosa do que as anteriores. (Fontes: CNN Brasil e Ministério da Saúde.)


Como agem as duas vacinas contra covid-19 para crianças?

CoronaVac
Segue o modelo mais tradicional de vacina: é injetada uma versão enfraquecida do vírus (também chamada de vírus inativado). O corpo se defende desse vírus fraco e, assim, desenvolve mecanismos para se proteger quando encontrar o vírus verdadeiro. É como se, com a vacina, o organismo estivesse treinando para saber o que fazer quando chegar a hora.

Pfizer
Utiliza um método mais moderno, que aplica o RNA mensageiro em vez do vírus enfraquecido no corpo. O RNA mensageiro, ou mRNA, é um material genético criado em laboratório que carrega a receita de uma proteína enfraquecida do novo coronavírus. Usando a receita, o corpo aprende a fabricar a proteína do vírus e desenvolve formas de combatê-lo. O resultado é similar ao da vacina tradicional.

Fontes: BBC, Instituto Butantan, Governo do Estado de São Paulo, governo federal, UOL e Veja Saúde.


O que levar no dia da vacinação?
A criança deve ir acompanhada por pai, mãe ou responsável legal até um ponto de vacinação — verifique os locais na sua cidade. No dia, é preciso levar um documento com foto e o número do CPF do menor de idade — na falta desses documentos, leve a certidão de nascimento. Não é necessário receita médica.


Como aconteceu a liberação das vacinas?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, no dia 16 de dezembro, a utilização da vacina da Pfizer em crianças entre 5 e 11 anos. A decisão veio após um estudo de cerca de 20 dias, em que os especialistas concluíram que o imunizante é seguro e eficaz para essa faixa etária.

Segundo dados da Pfizer, confirmados pela Anvisa, a eficácia da vacina em crianças foi de 90,7%. O resultado foi obtido após um estudo com 3.100 pessoas de 5 a 11 anos que receberam o imunizante. Nenhuma apresentou efeitos colaterais sérios.

Começo da imunização
A primeira criança do Brasil a ser vacinada foi o Davi, de 8 anos, indígena da nação xavante, no dia 14 de janeiro, na cidade de São Paulo — foi preciso esperar que doses da Pfizer chegassem ao país para iniciar a imunização.

Até o fechamento desta edição, o Ministério da Saúde já tinha recebido mais de 6 milhões de doses da Pfizer para ser aplicadas nas crianças. Enquanto em indivíduos acima de 12 anos a dose é de 30 microgramas, em crianças deve-se injetar 10 microgramas. Segundo especialistas, o sistema imunológico (que combate doenças) dos mais novos costuma funcionar melhor, por isso não é necessária uma quantidade muito alta da vacina para o organismo ficar protegido.

A Pfizer prevê duas doses do imunizante. A segunda aplicação é feita oito semanas após a primeira, por indicação do Ministério da Saúde.

CoronaVac em crianças
No dia 20 de janeiro, a Anvisa autorizou que a vacina CoronaVac também seja usada em crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos — até então, apenas a Pfizer era aplicada nessa faixa da população. Um estudo realizado no Chile e analisado pela Anvisa mostrou que a vacina diminui em 90% os casos de morte e internação por covid-19 em indivíduos acima de 6 anos.

No caso da CoronaVac para crianças, cada dose vem com 0,5 ml, a mesma dosagem que a dos adultos, pois as características desse imunizante permitem a mesma aplicação para todas as idades. São duas doses, e a segunda deve ocorrer quatro semanas após a primeira.

Crianças imunossuprimidas (que têm o sistema imunológico, responsável por proteger o corpo de doenças, enfraquecido) ou que tenham 5 anos só podem se vacinar com a Pfizer. No primeiro caso, é preciso apresentar um documento que comprove a condição.

O que diz quem já tomou a vacina?

“Eu estava ansiosa para tomar a vacina. Queria muito ficar imunizada e segura. Eu me senti muito feliz de ver pessoas dessa idade se vacinando. A vacina não dói nem um pouco. Depois de tomar, você fica com uma sensação de felicidade.” Clara M., 11 anos, Boa Vista, RR

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#pracegover: Clara M. usa blusa xadrez em preto e branco. Ela está sorrindo. Foto: arquivo pessoal

“Foi um momento em que eu me senti protegida. Eu estava sendo imunizada contra uma doença que já matou muita gente. É uma coisa que fiz para o meu bem e para o bem dos outros. Se a gente continuar se cuidando, fizer a nossa parte e colaborar, logo mais todo mundo vai sair dessa.” Clarice C., 9 anos, Brasília, DF

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#pracegover: Clarice C. está de máscara e segura duas placas, onde se lê “Tô vacinado, tó de boa!” e “Eu vacinei”. Foto: arquivo pessoal

“[Senti] alegria e, ao mesmo tempo, desespero da agulha, que era fina.” Víctor S., 8 anos, Escola Piaget, Goiânia, GO

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#pracegover: Víctor S. está sentado, de máscara, recebendo a vacina o braço esquerdo. Foto: arquivo pessoal

“Tomei a vacina com dois amigos. Foi muito legal porque um encoraja o outro. Não gosto de receber uma agulha grande no braço, mas dessa vez eu fiquei muito feliz. E já vou tomar a segunda dose. Agora, estou me sentindo mais protegida, mas sei que não podemos relaxar. Eu só tiro a máscara na escola para beber água!” Lívia C., 9 anos, Colégio Itatiaia, São Paulo, SP

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#pracegover: Lívia C. está sentada, de máscara, segurando um desenho. Nele, está um personagem chamado “Super Vacina”. Foto: arquivo pessoal

“Tomei a vacina porque queria ficar imunizada e voltar para a escola. Tinha cinco pessoas na minha frente, mas não percebi se eles estavam com medo. Eu estava com um pouco de medo da agulha. Mas não doeu na hora. Depois, tive só um pouco de dor no braço.” Alice M., 11 anos, Ipiranga, PR

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#pracegover: Alice M. usa blusa de frio, está em pé em com o cabelo preso. Foto: arquivo pessoal

“Na minha cidade, a vacina para a minha idade foi liberada há pouco, então tomei no dia 4 de fevereiro. Fiquei muito feliz em saber que poderia ficar imune à doença e não senti nada quando tomei a vacina nem tive efeitos colaterais. Fiquei mais tranquilo porque tive covid-19 e, na época, fiquei com o corpo muito mole e tive febre e vômito. [Mesmo depois da vacina] sempre uso máscara e álcool em geC.l, porque é o mínimo que a gente pode fazer para se proteger.” Luca C., 9 anos, Maceió, AL

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#pracegover: Luca C. está apoiado sobre dois bancos. Ele sorri e há bexigas ao fundo. A foto é em preto e branco. Foto: arquivo pessoal

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Esta matéria foi originalmente publicada na edição 181 do jornal Joca.

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