Davi Seremramiwe Xavante, 8 anos, foi a primeira criança vacinada contra a covid-19 no Brasil. Foto: Governo do Estado de São Paulo/divulgação

A imunização contra a covid-19 para crianças entre 5 e 11 anos começou no dia 14 de janeiro no Brasil. O Joca pediu que jovens de todas as regiões do país enviassem suas dúvidas sobre a vacina. A seguir, confira as respostas de especialistas e outras informações sobre a imunização

A doutora Claudia Maekawa Maruyama, infectologista pediátrica da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, respondeu a uma parte das dúvidas:

Em quanto tempo a vacina começa a fazer efeito? (Amanda C., 13 anos, Manaus, AM, Clara M., 11 anos, Boa Vista, RR, e Clarice C., 9 anos, Brasília, DF)
Em torno de 15 dias após a aplicação. Para o potencial máximo de proteção, isso acontece cerca de duas semanas após a última dose do esquema primário [ou seja, duas semanas depois da segunda dose].

Nós teremos que renovar as doses? (Amanda C. e Clara M.)
Ainda não há estudos robustos, mas sabemos que doses adicionais da vacina foram necessárias para aumentar a resposta imune [de proteção] nos adultos. Ainda será necessário acompanhar as crianças vacinadas, o curso da doença e a situação epidemiológica [do avanço da covid-19] para definir qual será essa recomendação, como ocorreu em outras faixas etárias. No momento, a indicação são duas doses.

A vacina faz mal para crianças? Podemos ter sequelas? (3º ano matutino da Escola Piaget, Goiânia, GO)
Não, as vacinas foram desenvolvidas com embasamento científico de décadas e sob monitoramento de segurança. A vacina é a melhor maneira de prevenção das formas graves da doença.

Existe risco de morte? (5º ano vespertino da Escola Piaget)
Até o momento, os estudos não registraram eventos graves, como mortes.

A vacina vai alterar o DNA das crianças no futuro? (3º ano matutino da Escola Piaget)
Não, nenhuma vacina altera o DNA de uma pessoa. As vacinas que utilizam RNAs mensageiros [entenda no box “Como agem as duas vacinas contra covid-19 para crianças?”] servem de exemplo para que as nossas células produzam uma proteína específica que estimula a produção de anticorpos [que protegem o organismo da doença].

A vacina protege a criança totalmente? (Enzo, 7 anos, de São Paulo, SP, e 3º ano matutino da Escola Piaget)
Nenhuma vacina protege 100% e cada organismo é único, assim como sua resposta vacinal. Porém a taxa de proteção pode ser superior a 90%.

Qual das vacinas é mais segura para crianças? (5º ano vespertino da Escola Piaget)
Todas as vacinas licenciadas são seguras, pois desde o desenvolvimento até a aprovação foram acompanhadas e analisadas por órgãos oficiais compostos por profissionais altamente capacitados.

A vacinação nas crianças tem a mesma eficácia que nos adultos? (5º ano vespertino da Escola Piaget)
Os estudos demonstraram que, nas crianças, a vacina da Pfizer teve uma resposta imune parecida com a faixa etária de 16 a 25 anos. Já a CoronaVac tem manifestado alto nível de conversão positiva de anticorpos, com índice igual ou superior ao de adultos.

A infectologista Keilla Freitas, especialista em controle de infecção hospitalar pela Universidade de São Paulo (USP), respondeu outra parte das dúvidas:

Quais os “ingredientes” que se usa para fazer a vacina? (Lívia L., 11 anos, João Pessoa, PB)

Depende do tipo da vacina. No geral, elas são feitas a partir de componentes do próprio vírus. Para [esses ingredientes] entrarem no organismo é necessário um “transporte”, que pode ser um vírus modificado (incapaz de causar doença no ser humano). Por fim, são adicionados estabilizantes e conservantes [saiba mais na edição 145 do Joca].

A vacina é feita por pessoas ou máquinas? (Lívia L.)
É feita por pessoas. O processo de fabricação envolve biologia e tecnologia e varia de acordo com cada tipo de imunizante.

Afinal, qual a importância da vacina? (Thais Lorena P., 12 anos, Ipiranga, PR)
A vacina estimula nosso sistema imune a criar anticorpos específicos contra microrganismos [que causam a doença]. Isso funciona como um treinamento para o sistema imune. Com os anticorpos criados, quando o corpo entre em contato com o microrganismo selvagem, o sistema imune já acionará os anticorpos imediatamente, evitando que a pessoa adoeça ou fazendo com que não tenha sintomas graves.

Por que, depois da vacina, temos que continuar usando máscara? (Emeli D., 14 anos, Ipiranga, PR)
A vacina não protege 100% dos casos de doença, e mesmo pessoas vacinadas podem se infectar e transmitir o vírus. Enquanto houver grande circulação do vírus, precisamos utilizar máscaras, especialmente em locais fechados, além de evitar aglomeração, mesmo em locais abertos.

Por que a vacina causa reação em algumas pessoas e em outras, não? (Isadora S., 10 anos, São Paulo, SP)
Porque cada organismo é único. Mas reações vacinais graves são muito raras. É mais provável ter uma reação grave à picada de abelha ou ao comer amendoim do que tomando a vacina contra a covid-19. O que é comum são reações leves, que podem se assemelhar a um resfriado.

A vacina dói muito? (Enzo B.)
Pode doer tanto quanto qualquer outra vacina. Ela vai doer quanto mais tensa a pessoa ficar, pois contrai os músculos do braço



Como aconteceu a liberação das vacinas?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, no dia 16 de dezembro, a utilização da vacina da Pfizer em crianças entre 5 e 11 anos. A decisão veio após um estudo de cerca de 20 dias, em que os especialistas concluíram que o imunizante é seguro e eficaz para essa faixa etária.

Segundo dados da Pfizer, confirmados pela Anvisa, a eficácia da vacina em crianças foi de 90,7%. O resultado foi obtido após um estudo com 3.100 pessoas de 5 a 11 anos que receberam o imunizante. Nenhuma apresentou efeitos colaterais sérios.

Começo da imunização
A primeira criança do Brasil a ser vacinada foi o Davi, de 8 anos, indígena da nação xavante, no dia 14 de janeiro, na cidade de São Paulo — foi preciso esperar que doses Pfizer chegassem ao país para iniciar a imunização.

Até o fechamento desta edição, o Ministério da Saúde já tinha recebido mais de 6 milhões de doses da Pfizer para ser aplicadas nas crianças. Enquanto em indivíduos acima de 12 anos a dose aplicada é de 30 microgramas, em crianças deve-se injetar 10 microgramas. Segundo especialistas, o sistema imunológico (que combate doenças) dos mais novos costuma funcionar melhor, por isso não é necessária uma quantidade muito alta da vacina para o organismo ficar protegido. 

No caso da Pfizer, é preciso tomar duas doses do imunizante. A segunda aplicação é feita três semanas após a primeira dose.  

CoronaVac em crianças 
No dia 20 de janeiro, a Anvisa autorizou que a vacina CoronaVac também seja usada em crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos — até então, apenas a Pfizer era aplicada nessa faixa da população. Um estudo realizado no Chile e analisado pela Anvisa mostrou que a vacina diminui em 90% os casos de morte e internação por covid-19 em indivíduos acima de 6 anos.

No caso da CoronaVac para crianças, cada dose vem com 0,5 ml, a mesma dosagem que a dos adultos, pois as características desse imunizante permitem a mesma aplicação para todas as idades. São duas doses e a segunda deve ocorrer quatro semanas após a primeira. 

Crianças imunossuprimidas (que têm o sistema imunológico, responsável por proteger o corpo de doenças, enfraquecido) ou que tenham 5 anos só podem se vacinar com a Pfizer. No primeiro caso, é preciso apresentar um documento que comprove a condição.

O que levar no dia da vacinação?
A criança deve ir acompanhada por pai, mãe ou responsável legal até um ponto de vacinação — verifique os locais na sua cidade. No dia, é preciso levar um documento com foto e o número do CPF do menor de idade — na falta destes documentos, leve a certidão de nascimento. Não é necessário receita médica.

Como agem as duas vacinas contra covid-19 para crianças?

CoronaVac
Segue o modelo mais tradicional de vacina: é injetada uma versão enfraquecida do vírus (também chamada de vírus inativado). O corpo se defende desse vírus fraco e, assim, desenvolve mecanismos para se proteger quando encontrar o vírus verdadeiro. É como se, com a vacina, o organismo estivesse treinando para saber o que fazer quando chegar a hora.

Pfizer
Utiliza um método mais moderno, que aplica o RNA mensageiro em vez do vírus enfraquecido no corpo. O RNA mensageiro, ou mRNA, é um material genético criado em laboratório que carrega dentro de si a receita de uma proteína enfraquecida do novo coronavírus. Usando a receita, o corpo aprende a fabricar a proteína do vírus e desenvolve formas de combatê-lo. O resultado é similar ao da vacina comum.

Fontes: BBC, Instituto Butantan, Governo do Estado de São Paulo, governo federal, UOL e Veja Saúde.

Situação da pandemia no Brasil
A variante ômicron, mais contagiosa do que as outras do novo coronavírus, fez os casos da doença aumentarem no país. No dia 4 de fevereiro, a média móvel de novos casos registrava um aumento de 58% na comparação com a média de 14 dias antes. De acordo com especialistas, vacinar-se é uma das medidas mais importantes para evitar casos graves da doença, especialmente diante da nova variante.

Fontes: Anvisa, BBC, CNN, Instituto Butantan, G1 e U. S. Food And Drug Administration e G1.

O que diz quem já tomou a vacina?

“Eu estava ansiosa para tomar a vacina. Queria muito ficar imunizada e segura. Tinha mais ou menos umas seis crianças lá, e eu me senti muito feliz de ver pessoas dessa idade se vacinando. A vacina não dói nem um pouco, é bem tranquilo. Depois de tomar, você fica com uma sensação de felicidade.” Clara M., 11 anos, Boa Vista, RR

Clara M., 11 anos, Boa Vista, RR. Foto: arquivo pessoal

“Foi um momento em que eu me senti protegida, foi muito bom. Eu estava sendo imunizada contra uma doença que, infelizmente, já matou muita gente. É uma coisa que fiz para o meu bem e para o bem de outras pessoas. Se a gente continuar se cuidando, fizer a nossa parte e colaborar, logo mais todo mundo vai sair dessa.” Clarice C., 9 anos, Brasília, DF

Clarice C., 9 anos, Brasília, DF. Foto: arquivo pessoal

“[Senti] alegria e, ao mesmo tempo, desespero da agulha, que era fina.” Víctor S., 8 anos, Escola Piaget, Goiânia, GO

Víctor S., 8 anos, Escola Piaget, Goiânia, GO. Foto: arquivo pessoal

“Eu tomei a vacina com dois amigos. Foi muito legal porque um encoraja o outro e você quase nem sente medo. Apesar de eu já ter tomado mais de 50 vacinas na vida, não gosto de receber uma agulha grande no braço, mas dessa vez eu fiquei muito feliz. E já vou tomar a segunda dose. Agora, estou me sentindo mais protegida, mas sei que não podemos relaxar. Eu só tiro a máscara na escola para beber água!” Lívia C., 9 anos, Colégio Itatiaia, em São Paulo, SP

Lívia C., 9 anos, Colégio Itatiaia, em São Paulo, SP. Foto: arquivo pessoal

“Na minha cidade, a vacina para a minha idade foi liberada há pouco, então tomei no dia 4 de fevereiro. Fiquei muito feliz em saber que poderia ficar imune à doença e não senti nada quando tomei a vacina nem tive efeitos colaterais. Fiquei mais tranquilo porque tive covid-19 e, na época, fiquei com o corpo muito mole e tive febre e vômito. [Mesmo depois da vacina] sempre uso máscara e álcool em gel, porque é o mínimo que a gente pode fazer para se proteger.” Luca C., 9 anos, Maceió, AL

Luca C., 9 anos, Maceió, AL. Foto: arquivo pessoal

“A primeira dose eu tomei no dia 8 de setembro de 2021 e a segunda, no dia 10 de novembro de 2021. Tomei um pouco antes da minha faixa etária porque estavam dando a vacina para quem tem comorbidades e eu tenho asma, então já podia. Depois, fiquei muito feliz em saber que já estava protegida. Continuo usando máscara e passando álcool em gel, mas depois da vacina me permiti sair mais um pouquinho com meus amigos. Tive covid-19 antes de tomar a vacina e tive sintomas muito fortes, minha asma aumentou muito e não parava com a bombinha. Depois da vacina também fui infectada, mas quase não tive sintomas.” Liz C., 13 anos, Maceió, AL

Liz C., 13 anos, Maceió, AL. Foto: arquivo pessoal

“Foi ótimo vacinar.” Davi M., 8 anos, Escola Piaget, Goiânia GO

Davi M., 8 anos, Escola Piaget, Goiânia GO. Foto: arquivo pessoal

“Foi bom me vacinar porque vou proteger mais minha família.” Davi L., 8 anos, Escola Piaget, Goiânia, GO

Davi L., 8 anos, Escola Piaget, Goiânia, GO. Foto: arquivo pessoal

“Eu fui tomar a vacina no dia 24 de janeiro. Quem me levou foi a minha mãe e meu padrasto. Tinha muita fila quando cheguei lá, mas até que não demorou muito para chegar a minha vez. A única coisa que senti depois de tomar a vacina foi uma dorzinha no braço, nada de mais. E não senti medo. Tenho conversado muito com os meus amigos sobre a vacina e eles também dizem que é muito importante para não ficar doente. Quando tomei, senti que estava realizando um sonho.” Franciele, 11 anos, Ipiranga, PR

Franciele, 11 anos, Ipiranga, PR. Foto: arquivo pessoal

“Fui me vacinar com mais quatro amigos: Bento, Lívia, Heitor e Kevin. A gente conseguiu uma xepa no hospital Emílio Ribas, em São Paulo, logo que a vacinação começou. Nossos pais correram para nos levar. Nós vimos até um macaquinho lá fora, foi muito divertido. Eu senti uma mistura de medo e felicidade: medo da agulha e felicidade porque agora estou imunizada e me sinto mais forte para lutar contra esse vírus.” Olívia A., 7 anos, Peak School, unidade de ensino fundamental do Colégio Itatiaia, em São Paulo, SP

Olívia A., 7 anos, São Paulo, SP. Foto: arquivo pessoal

“Eu não sei se ansiosa é a palavra certa, porque eu tinha bastante medo de agulha, mas eu estava ansiosa para me sentir mais segura e protegida contra a covid-19. Tomei a vacina em um sábado à tarde. Na verdade, não vi muita gente da minha idade, mas fiquei feliz de ver que as pessoas em geral estavam indo tomar vacina. Eu fiquei muito surpresa quando a agulha entrou e eu não senti absolutamente nada. Foi um alívio. Mas fiquei triste pelas pessoas que faleceram antes de ter a chance de tomar vacina, pois ela ainda estava sendo produzida.” Amanda C., 13 anos, Manaus, AM

Amanda C., 13 anos, de Manaus, AM. Foto: arquivo pessoal

*Versão estendida da reportagem publicada na edição 181 do Joca.

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Comentários (1)

  • aluno.somar17

    3 meses atrás

    Eu acho muito importante vacina por que dá mais proteção para quem tem humanidade baixa ou para que tem mais problema de saúde e serve para se proteger mais do convide 19 a e meu nome e mikaely

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