Apenas 2,9% das pessoas que moram em nações pobres receberam pelo menos uma dose dos imunizantes contra a doença. Foto: Richard Drury/Getty Images

A pandemia do novo coronavírus pode durar um ano a mais do que o previsto se os países pobres continuarem com baixos índices de vacinação, afirmou Bruce Aylward, consultor do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em entrevista ao site de notícias BBC. De acordo com o especialista, apenas 2,9% das pessoas que moram nessas nações (como Togo e Sudão do Sul) receberam pelo menos uma dose dos imunizantes contra a doença. Ao redor do mundo, a média é de 48,1% de indivíduos que já ultrapassaram pelo menos a primeira etapa da vacinação.

Para a entidade, uma pandemia ocorre quando uma doença se espalha pelo mundo todo. Portanto, para que esse processo chegue ao fim, é necessário que o vírus pare de ter grande circulação pelo planeta. Isso, no entanto, só acontece quando boa parte da população mundial é vacinada — o que não é a situação atual. No continente mais pobre do mundo, a África, apenas 5% das pessoas foram vacinadas, por exemplo.

Apesar de vários países, como Reino Unido e Canadá, terem se comprometido a ajudar as nações mais pobres com a imunização, nem todos as vacinas prometidas chegaram até esses territórios. Segundo um levantamento da People’s Vaccine Alliance, das 1,8 milhão de vacinas da Covax Facility (iniciativa que oferece doses para países de baixa renda), apenas 14% foram enviadas pelas nações ricas às mais pobres. 

O imunizante da AstraZeneca, o mais usado no Reino Unido. Foto: Michele Lapini/Getty Images

No caso do Reino Unido, o governo utilizou na população local um total de 539.370 doses que tinham sido prometidas para o sistema Covax. Ao mesmo tempo, o Canadá aplicou em seus habitantes quase um milhão de imunizantes que estavam programados para ir para o programa.

Inicialmente, a ideia era de que todos os países (incluindo os mais ricos) utilizassem os imunizantes do sistema Covax. Porém, várias nações acabaram fazendo acordos diretamente com as empresas que produzem as vacinas, como Pfizer e AstraZeneca, garantindo, assim, uma quantidade maior de doses para os seus habitantes. O mesmo não pode ser feito por muitos países pobres, que não têm condições financeiras de comprar grandes quantidades de imunizantes.

Apesar de a atitude de usar vacinas do sistema Covax para a própria população não ser ilegal, especialistas em saúde têm criticado o fato de muitos países não terem cumprido com a quantidade de doses que prometeram às nações de baixa renda. O Reino Unido, por exemplo, só entregou 10 milhões dos 100 milhões de imunizantes que disse que doaria. 

“Posso dizer que não estamos no caminho certo”, disse Aylward. “Nós realmente precisamos acelerar [as doações para países pobres].”

Fontes: G1, iNEWS e OMS.

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