Por Martina Medina

Os governos de Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS) decretaram situação de emergência por causa do grande número de queimadas nesses estados, principalmente em dois biomas da região: Pantanal e Cerrado (entenda mais ao lado).

O estado de emergência permite que os governos estaduais recebam ajuda do governo federal em forma de dinheiro, equipamentos e forças militares, além de possibilitar a compra de produtos e a contratação de serviços para combater os incêndios sem necessidade de autorização.

Ao MS, foram enviados 260 bombeiros do estado, 34 bombeiros do governo federal e uma aeronave para combater o fogo. Já no MT, oito equipes de bombeiros e duas aeronaves fazem o trabalho. Ali, são proibidas queimadas de julho a novembro. No MS, a proibição de uso de fogo para limpar áreas rurais vai de agosto a setembro em todo o estado e até outubro no Pantanal.

Segundo responsáveis do governo pelo combate ao incêndio, a principal causa das queimadas é a ação humana: as pessoas têm o costume de queimar terrenos durante a seca para prepará-los para plantações na época de chuvas. Outro motivo é a chuva abaixo da média e as altas temperaturas, o que torna a vegetação mais seca e facilita o fogo.

“Observamos uma situação crítica, com perspectiva de chuva abaixo da média nos meses de setembro e outubro, que pode ter ainda mais queimadas”, disse o coronel Fabio Catarineli, coordenador da Defesa Civil do MS. “Então, decretamos emergência nos nove municípios com maior foco de calor e que fazem parte do Pantanal.” Segundo ele, houve um aumento de 370% dos focos de incêndio em agosto de 2019 em comparação ao mesmo mês em 2018. O principal bioma afetado é o Pantanal.

No Mato Grosso, três municípios decretaram estado de emergência. “O estado registrou 8.030 focos de calor em agosto de 2019, um aumento acima de 230% em relação ao mesmo período de 2018, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)”, disse o tenente Dércio Santos da Silva, comandante do Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiros. Segundo ele, o período de seca já chega a quatro meses em diversas regiões do estado. O principal bioma afetado é o Cerrado, com aumento de 38% nos focos de calor em agosto de 2019 em comparação a agosto de 2018.

queimada em MS
Área de queimada em Amambai (MS), em agosto. |#pracegover: imagem de nombeiro em campo aberto, no Mato Grosso do Sul. Ao fundo, vegetação pega fogo. Foto: Rodrigo Batista de Oliveira Corpo de Bombeiros do Estado do Mato Grosso do Sul.

Queimadas no Pantanal e no cerrado

Consequência

– Afetam o habitat dos animais, o que pode levar à morte deles.
–  Emissão de carbono na atmosfera, contribuindo para as mudanças climáticas (sabia mais na edição 135 do Joca) e a contaminação do ar, o que afeta a saúde das pessoas.

Soluções

– Conscientizar a população a não queimar áreas na época seca do ano.
– Estimular os cidadãos a denunciar incêndios ilegais aos órgãos públicos.
–  Aumentar a fiscalização de queimadas e punir com multas.
– Maior quantidade de brigadistas e equipamentos, como aeronaves, para combater o fogo.

Os biomas de MS e MT

Pantanal

– Bioma de menor extensão territorial do país – ocupa 1,76% do território. A maior parte está no Mato Grosso do Sul.
– Bioma mais protegido do mundo – mais de 80% mantém vegetação nativa.
– Grande biodiversidade – quase mil espécies de animais e 2 mil de plantas.
– Ajuda na regulação do clima e da temperatura – na América Latina, impedindo enchentes e filtrando a água.

Cerrado

– Ocupa 22% do território nacional – está presente na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rondônia, São Paulo e Tocantins.
– Conhecido como a caixa d’água do Brasil – suas árvores baixas com longas raízes ajudam a água a penetrar no lençol freático (em que parte da água da chuva fica guardada embaixo da terra), alimentando as principais bacias hidrográficas (de onde sai a água que alimenta rios) do Brasil e da América do Sul.
– Grande biodiversidade – mais de 11 mil plantas nativas e mais de mil espécies de animais (137 em risco de extinção).
– Segundo bioma mais desmatado do Brasil – (o primeiro é a Mata Atlântica) — a principal causa é a retirada de árvores para agricultura e pecuária.

O que eu penso sobre: 
“Na nossa comunidade, as queimadas têm trazido risco grave tanto aos seres humanos como aos animais de espécies encontradas só na Caatinga e no Cerrado. A fumaça aumenta o número de pessoas com doenças nos pulmões. Mas as queimadas também têm a sua importância quando ocorrem no período correto. Meus familiares só colocam fogo nas roças quando vão fazer o enverdecimento do cultivo do capim, que precisa de fogo para renascer forte no próximo ano. É comum ver uma ou duas queimadas, mas mais de 30 em uma única região, isso dói. Mas eu acredito que ainda há um jeito de mudar, quando as pessoas sentirem na pele as leis e começarem a se conscientizar da importância da natureza.” Tamires S., 17 anos, Cotegipe (Bahia)

Tamires-Cotegipe-Bahia-queimadas-edicao-138
#pracegover: Tamires usa camiseta azul com detalhes em amarelo. Ela está perto de vegetação. Foto: arquivo pessoal.

Saiba mais sobre as queimadas na edição 136 do Joca.

Fontes: Governos do MT e MS, SOS Pantanal, Save Cerrado e WWF.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 138 do jornal Joca.

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