Na China, muitas pessoas estão usando máscaras para evitar que vírus se espalhe. Foto: Getty Images
Na China, muitas pessoas estão usando máscaras para evitar que vírus se espalhe. Foto: Getty Images

O governo de Pequim, na China, cancelou as comemorações de Ano-Novo (saiba mais a seguir), que começariam em 25 de janeiro, por causa do surto de um novo tipo de coronavírus, chamado 2019-nCoV — o vírus pode causar infecções respiratórias graves. Como as festividades atraem milhares de pessoas para ruas e parques, o objetivo é evitar que o vírus se espalhe ainda mais em meio a grandes aglomerações.

Até a publicação desta reportagem, 3.554 pessoas tinham sido infectadas na China e 125 morreram. Também já foram confirmados casos em outros 14 países, entre eles, Arábia Saudita, Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, França e Japão, além de Macau, Hong Kong e Taiwan, territórios ligados à China.

Em 26 de janeiro, o ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Ma Xiaowei, declarou que o coronavírus pode se espalhar antes de os sintomas, como febre, tosse e dificuldade para respirar, aparecerem. Assim, especialistas acreditam que a quantidade de infectados pode ser maior.

Surgimento

O coronavírus forma uma grande família de vírus e possui variações que causam problemas respiratórios (de leves a graves) em humanos e animais.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China (CDC), o vírus atual deve ter vindo de animais silvestres (suspeita-se de cobras) vendidos vivos — para alimentação, por exemplo — em um mercado da cidade de Wuhan, que tem 11 milhões de habitantes. É provável que o microrganismo tenha sofrido uma mutação, levando à infecção de humanos. O local foi fechado e está sendo investigado. O governo chinês também anunciou a proibição da venda de animais silvestres em mercados, restaurantes e via comércio eletrônico.

Em 27 de janeiro, o prefeito de Wuhan admitiu ter demorado a reagir ao surto e a compartilhar dados por causa da burocracia do governo chinês. A demora foi sentida pela brasileira Stéfani Kummer, 22 anos, moradora de Pequim. “Ouvi falar pela primeira vez do coronavírus cerca de uma semana atrás, mas não parecia nada para se preocupar. Até que comecei a receber matérias de jornais brasileiros e perguntas de como estava a situação por aqui. Percebi que a história explodiu muito antes fora da China do que dentro do país”, contou ela ao Joca.

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse, em 26 de janeiro, estar a caminho da China para reuniões com autoridades locais. Ele também declarou que a situação “ainda não é uma emergência de saúde global, mas pode vir a ser”.

Como o coronavírus é transmitido?

As formas de transmissão ainda estão sendo investigadas. No entanto, de acordo com a OMS, sabe-se que o vírus se espalha pelo contato com secreções de infectados, por exemplo, via gotículas de espirros e tosse.

Para evitar que o coronavírus se espalhe mais, o governo chinês restringiu a circulação em ao menos 16 cidades (envolvendo mais de 50 milhões de pessoas) na província de Hubei, onde fica Wuhan — há bloqueios em estações de trens e rodoviárias, por exemplo. Ainda em Wuhan, dois hospitais estão sendo construídos para tratar infectados e devem ficar prontos em cerca de duas semanas.

Segundo declarações de cientistas do CDC, uma vacina começou a ser desenvolvida na China. Nos Estados Unidos, pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) afirmaram em entrevista ao site da CNN também ter iniciado pesquisas. Testes em humanos estão previstos para daqui três meses.

Pelo mundo, aeroportos estão usando aparelhos para medir a temperatura corporal dos passageiros, já que o vírus deixa o corpo mais quente.

Ano-Novo chinês

Celebração de Ano-Novo na China. Foto: Kevin Frayer/Getty Images
Celebração de Ano-Novo na China. Foto: Kevin Frayer/Getty Images

Na China, o ano não começa em 1° de janeiro: o calendário é baseado em quanto tempo a Lua leva para dar uma volta ao redor da Terra. Ele é diferente do usado no Brasil e em diversos lugares do mundo, em que os anos são contados pelas voltas que a Terra dá ao redor do Sol.

Para celebrar o novo ciclo, o governo chinês organiza eventos ao ar livre, principalmente na capital, Pequim. As festas duram uma semana e geram o maior deslocamento de pessoas no mundo: 3 bilhões de viagens são feitas por causa das festividades, de acordo com o Conselho Estadual da China.

Deslocamento de pessoas pelo mundo

O Ano-Novo chinês é a celebração que causa o maior deslocamento de pessoas no mundo. O Conselho Estadual da China estima que 3 bilhões de viagens sejam feitas por causa das festividades. Conheça outros eventos ao redor do mundo que deslocam uma grande quantidade de pessoas:

– Festival Khumba Mela (Índia) – o povo da religião hindú vai até um lugar chamado Sangham (onde os rios Ganges, Yamuna e Saraswati se encontram) para se banhar e, de acordo com a religião, se purificar. Na última edição, 220 milhões de pessoas se deslocaram para a festividade que durou 50 dias.

– O Dia de Ação de Graças (Estados Unidos) – é costume fazer uma refeição em família para agradecer pelas coisas boas. Em 2019, cerca de 55 milhões de pessoas viajaram para comemorar a data.

– O Arba’een (Iraque) – Em árabe, Arba’een significa 40. Esta peregrinação à cidade de Karbala é feita 40 dias após o aniversário da morte do neto do profeta Maomé, considerado mais importante para o islamismo. De acordo com a imprensa local, cerca de 15 milhões de pessoas participaram em 2019.

– Hajj (Arábia Saudita) – de acordo com o islamismo, a peregrinação à cidade de Meca, a mais sagrada para a religião, deve ser realizada pelo menos uma vez na vida pelos muçulmanos. O governo local estima que 2,4 milhões de pessoas participaram da peregrinação de 2019.

Correspondente internacional

Carolina P. M., 11 anos, de Macau. Foto: Arquivo pessoal
Carolina P. M., 11 anos, de Macau. Foto: Arquivo pessoal


“Minha professora disse que deveríamos usar máscaras e álcool gel para as mãos, mas não falou a razão. Em outro dia, um colega mostrou um site que explicava o motivo. O estoque [nas lojas] desses itens diminuiu bastante e, consequentemente, os preços aumentaram”, Carolina P. M., 11 anos, de Macau

 

 

Melissa P. M., 14 anos, de Macau
Melissa P. M., 14 anos, de Macau

 

 

“Temos que beber água constantemente, comer frutas com vitamina C, usar máscaras, lavar e desinfetar as mãos e evitar contato com animais. Os elevadores estão sendo desinfetados de hora em hora e o governo suspendeu a volta às aulas: seria no dia 3 [de fevereiro], mas será no dia 10 ou depois. Todos terão aulas por plataformas on-line”, Melissa P. M., 14 anos, de Macau

 

Gina Guo, 26 anos
Gina Guo, 26 anos, de Dalian, no norte da China

“A maioria dos meus amigos cancelou viagens que fariam para o Ano-Novo. Estamos evitando sair de casa e, quando saímos, usamos máscaras”, Gina Guo, 26 anos, de Dalian, no norte da China

 

 

 

 

 

“Tenho visto várias pessoas, senão a maioria, usando máscaras nas ruas, se protegendo e aparentemente, tomando o devido cuidado pra se proteger. O que mais me trouxe o choque de realidade foi, em 23 de janeiro, passar por uma aferição de temperatura para ter acesso ao metrô/transporte público da cidade. Temos recebido constantes mensagens de SMS da prefeitura de Shenzhen no celular, com alertas e medidas que podem ser tomadas pra evitar que o vírus se espalhe”, Juliana Clara, 24 anos, brasileira moradora de Shenzhen, na China

 

Sophie Zhang, 32 anos, de Dalian, no Norte da China
Sophie Zhang, 32 anos, de Dalian, no Norte da China

“Estamos usando máscaras para sair na rua. Quando volto, a primeira coisa que faço é lavar as mãos. Ainda me sinto segura, mas estou realmente preocupada com as pessoas em Wuhan. O governo tomou muitas medidas e há diversos médicos indo para lá voluntariamente. Acredito que vamos superar esse momento.”

Sophie Zhang, 32 anos, de Dalian, no norte da China

 

 

Fontes: CDC, CNN, Época, Estadão, G1, G1, General Authority for Statistics – Kingdom of Saudi Arabia, Governo da China, Mehr News Agency, Statista, The Guardian, The NY Times, UOL, USA Today e Washington Post.

 

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Comentários (1)

  • Conversamos com um biólogo sobre o Coronavírus - Jornal Joca

    3 meses atrás

    […] Coronavírus faz China cancelar festas de Ano-Novo […]

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