Cientistas do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet) encontraram centenas (e misteriosas) estruturas em forma de disco nas rochas de uma praia na Argentina, tornando-se os mais antigos indícios da evolução da vida na América do Sul.

Eles estavam em uma pedreira na cidade de Olavarría, a cerca de 350 quilômetros de Buenos Aires, e pertencem a um organismo vivo.

Os rastros macrofósseis foram achados em uma pedreira localizada na cidade de Olavarría.EFE/Cortesia Conicet

Com idade entre 570 milhões e 560 milhões de anos, os pequenos discos ainda são um mistério quase completo, mas o certo é que pertenciam a criaturas multicelulares, ou seja, tinham organismo formado por várias células, assim como o nosso.

“O importante do achado é que não havia registro de nenhum na América do Sul. Por enquanto não sabemos qual o parentesco desses fósseis com os seres vivos atuais. Eles podem ser parentes tanto de animais quanto de vegetais”, disse a pesquisadora María Julia Arrouy, do Centro de Investigações Geológicas de La Plata, na Argentina.

Os discos maiores têm 14 cm de diâmetro; alguns têm só poucos milímetros, e a maioria mede entre 1 cm e 2,5 cm.

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Os menores têm superfície lisa, os maiores têm “dobraduras” e riscos do centro para as bordas, e uma marca característica no centro. Em alguns, parece que está brotando um “caule”.

Esses detalhes levaram os cientistas pensar que as criaturas pertencem ao grupo das chamadas Aspidella, são fósseis enigmáticos, que existem em todo mundo.

Já haviam sido encontradas outras impressões de fósseis com estas características em países como Namíbia, Reino Unido, Canadá, Austrália, Rússia e China, mas é a primeira vez que aparece o rastro de um organismo como este no continente sul-americano.

O bicho inteiro, portanto (se é que era um animal mesmo), lembraria vagamente uma folha ou uma pena numa base redonda.  A criatura usaria sua folha para filtrar nutrientes da água do mar.

Quando comparados com os grandes grupos de seres vivos complexos atuais, os Aspidella são considerados mais próximos dos animais –ou talvez dos fungos, como os cogumelos modernos.

Eles viveram numa fase da história do planeta conhecido como Cambriano, que começa há 541 milhões de anos e se caracteriza pela primeira grande explosão de diversidade dos animais, com a chegada dos ancestrais de insetos e vertebrados.

Autores da pesquisa:
Centro de Investigaciones Geológicas – CONICET – FCNyM (UNLP)
María Julia Arrouy, Daniel G. Poiré & Lucía E. Gómez Peral
Departamento de Geologia Aplicada, Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Unesp, Rio Claro, SP, Lucas V. Warren, Fernanda Quaglio & Milena Boselli Rosa

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