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Imagens: divulgação e Getty Images

Qual tem sido sua principal forma de diversão durante este período de isolamento social? Na minha quarentena, não tenho dúvidas de que a arte se tornou ainda mais essencial. Em todas as suas formas: filmes, séries, músicas, apresentações de teatro (gravadas e transmitidas ao vivo) e, é claro, livros. Pois foi pensando nisso tudo que me lembrei da história de Palmas Para Picolina! (Claudio Fragata, Editora Sesi-SP) na hora de escolher minha dica de leitura para agosto.

Picolina é uma palhaça. Isso mesmo: uma palhaça de circo. Ela está prestes a completar 60 anos. Ao longo de todo esse tempo, fazer as pessoas rir nunca tinha sido um problema para Picolina. No circo ou até na padaria, enquanto batia papo na hora de comprar pão toda manhã, ela fazia o público cair na gargalhada.

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As ilustrações do livro são do Alexandre Camanho. Imagem: divulgação

Só que completar 60 anos levantou uma dúvida em algumas pessoas. Estaria na hora da aposentadoria de Picolina? Ela não concordava. Seus truques no picadeiro seguiam sendo infalíveis. Todo mundo sempre se divertia (e muito!)

Até que o inesperado aconteceu. Quase aos 60 anos, depois de tantas apresentações, Picolina lançou para o público todas as piadas e palhaçadas mais divertidas que era capaz de produzir. E nada. Ninguém riu. Nem uma risadinha de leve.

Teria Picolina perdido mesmo a graça? Estaria velha demais para fazer piada? Ou o público é que mudara? Bastou ela desviar o olhar do picadeiro para a plateia para entender: naquele dia, as pessoas estavam com os olhos fixos nas telas de celulares e tablets e nem notavam o que haviam ido ver, o circo.

É claro que Picolina ficou triste. Para quem tinha passado uma vida inteira sendo palhaça, começar a pensar em aposentadoria porque ninguém mais ria das apresentações era um verdadeiro pesadelo. Mas onde estaria o problema? Ela tinha perdido a graça? Ou as crianças é que passaram a gostar de outras coisas?

O que nem Picolina nem ninguém no circo esperava era que a própria tecnologia trataria de dar uma bela ajuda para essa história!

Fique tranquilo! Eu não vou contar como isso acontece e estragar a surpresa do fim de Palmas Para Picolina! O que que quero aqui é deixar uma pergunta: você realmente vê, lê e escuta a arte que está ajudando a passar o tempo e garantir a diversão da sua quarentena? Ou está mais preocupado em fazer um post, tirar uma foto ou registrar algum momento em vídeo? Onde está a diversão para você?

Desde que reli Palmas Para Picolina! para escrever este texto, tomei uma decisão: quero cada vez mais usar meus próprios olhos para enxergar o redor – e menos a tela do meu celular.

Boa leitura!

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