O escritor Claudio Fragata dá entrevista para o repórter mirim Maurits. Crédito: jornal Joca.
O escritor Claudio Fragata dá entrevista para o repórter mirim Maurits durante a oficina de férias do Joca. Crédito: jornal Joca.
O repórter mirim Maurits e o escritor Claudio Fragata após a entrevista. Crédito: jornal Joca

Por Maurits A., 8 anos

Claudio Fragata nasceu em Marília, no estado de São Paulo, em 25 de novembro de 1952 e é muito famoso por seus livros para crianças. Ele começou a escrever histórias com 7 anos e algumas têm personagens que são animais, como macacos e gorilas.

Claudio venceu o Prêmio Jabuti, em 2013, com o livro Alfabeto Escalafobético, em que cada letra representa e conta sobre um animal em forma de texto e imagem. Por exemplo, o “E” tem uma tromba saindo dele. O Prêmio Jabuti é uma competição muito famosa, considerada a maior de livros brasileiros.

Ele ainda escreve livros e, atualmente, está produzindo A África Que Você Fala, que mostra as palavras de origem africana usadas no Brasil.

O repórter mirim Maurits A., 8 anos, entrevistou Claudio Fragata. Confira a seguir.

De quais brincadeiras de criança você gostava? Quais foram usadas nos seus livros?
O meu maior passatempo era brincar com brinquedos. Mais do que jogar bola, brincar de pega-pega, esconde-esconde… E todos os meus brinquedos eram de animais. Depois que eu voltava da escola, eu ia brincar com os meus bichos. E os animais aparecem muito na minha obra.

O que levou você a ser escritor de livros para crianças?
Em um momento da minha vida, eu descobri que não sabia fazer outra coisa além de escrever. Era a única coisa que eu tinha certeza de que fazia bem. Não tinha definido que iria escrever para crianças, apenas que queria escrever livros. Aí foi um processo natural, as coisas foram acontecendo. O primeiro livro que publiquei era dirigido para crianças e ele fez razoável sucesso. Naquele mesmo ano, outras editoras me encomendaram livros. No meu ano de estreia na literatura, publiquei mais dois livros. Aí não teve mais jeito, fui em frente com aquilo. Tem gente que acha que é muito fácil fazer livros infantis ou acha que é uma coisa que não tem muita importância. Muita gente vira para mim e pergunta: “E quando você vai escrever um livro para adultos?”, como se eu só me tornasse um escritor de verdade se escrevesse livros para adultos. Eu não tenho a menor vontade de escrever livros para adultos. Pode ser que um dia eu tenha, mas até hoje eu não senti esse desejo. O público infantil me faz muito feliz.

Conte sobre o livro Alfabeto Escalafobético, que venceu o prêmio Jabuti.
A ideia, na verdade, veio da editora Jujuba. Quando eles pediram que eu fizesse um livro sobre alfabeto, eu não gostei muito da ideia, achei sem graça. Muitos autores já tinham feito livros com o alfabeto, “vou fazer mais um?”, foi o que pensei. Então, sugeri fazer um livro sobre alfabeto diferente de todos que já tinham sido feitos. Queria usar todas as formas poéticas: poesia concreta, poesia visual… Eu queria fazer um trabalho livre e diferente. A poesia concreta é uma poesia que brinca com os sons das palavras. A letra “E” do livro, por exemplo, tem uma tromba, de elefante. Aí tem uma brincadeira sonora com as palavras. Para mim, criação tem tudo a ver com liberdade. Se você não é livre para criar, fica muito difícil. E eu sempre quero que um livro seja diferente do outro.

Quantos livros você já escreveu?
Eu não fico contando, mas com certeza mais de 30.

De todos os livros que você já escreveu, qual é o seu favorito?
É muito difícil dizer de qual dos meus livros eu gosto mais. Livro é como se fosse filho. É muito difícil para um pai escolher um filho favorito, não é? Tem algumas obras pelas quais tenho um carinho especial. Tem um livro meu que chama João, Joãozinho, Joãozito, que também foi finalista do Jabuti e ganhou um selo da cátedra de leitura da Unesco [Organização das Nações Unidas Para a Educação, a Ciência e a Cultura, na sigla em inglês]. Tenho um carinho muito grande por ele. Conta a história da vida de um escritor brasileiro, o João Guimarães Rosa, que é o meu escritor favorito. É o único livro que foca na infância dele. Eu não tenho o hábito de ler os meus livros várias vezes, mas esse eu já reli algumas. O João Guimarães Rosa era mineiro e as escolas de Minas Gerais adotaram esse livro. Não tem nada que me deixe mais feliz do que saber que escolas mineiras estão lendo sobre a infância do Guimarães Rosa.

Atualmente você ainda escreve livros? Qual você está escrevendo agora?
Sim, não consigo fazer outra coisa. Tenho um hábito de escrever vários livros ao mesmo tempo. Então, estou escrevendo dois agora. Eu tenho um livro que chama O Tupi Que Você Fala e agora a editora me encomendou um que vai chamar A África Que Você Fala, que vai tratar das palavras africanas que a gente usa no dia a dia e, às vezes, nem sabemos que vieram de lá. Ele ainda não tem data de lançamento, mas tenho pressa porque acho que o Brasil está precisando disso. Na minha opinião, questões como essas devem ser faladas. Saber que palavras que usamos o tempo todo vieram da África e foram os escravos que as trouxeram… Precisamos fazer um tributo e agradecer esse povo que enriqueceu o nosso vocabulário, além de muitas outras contribuições. O outro livro estou fazendo bem devagar e com muito cuidado. É a história de uma menina de 12 ou 13 anos que foge de casa. Não posso falar muita coisa, mas às vezes eu tenho a impressão de que vai ser meu melhor livro. Além deles, estou finalizando um livro com a Raquel Matsushita, que é um alfabeto. Pediram um alfabeto de novo porque o Escalafobético, além de ganhar o Jabuti, vendeu muito. Ele chegou a 150 mil exemplares, e isso é muito para livro, quase um best-seller. Disse para o editor que eu ia fazer, mas queria que fosse um alfabeto de bichos esquisitos, melequentos e nojentos. Então o “A” é ameba, o “B” é barata e por aí vai. Para minha surpresa, ele topou.

Qual foi seu primeiro livro?
Ele chama As Filhas da Gata de Alice Moram Aqui. Nele, as crianças da história estão lendo Alice no País das Maravilhas e as filhas da gata da Alice saltam do livro e vão viver com as crianças. Elas ficam em dúvida se devem devolver os animais para o livro ou se ficam com elas.

Entrevista realizada durante oficina de férias do jornal Joca, em julho de 2019.

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Comentários (1)

  • EMEF ELIAS DE SIQUEIRA CAVALCANTI, DR.

    1 ano atrás

    muito bacanaaa viu meu nome é Luis Moura

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