Por Maurits A., 8 anos

Claudio Fragata nasceu em Marília, no estado de São Paulo, em 25 de novembro de 1952, e é  conhecido pelos livros para crianças. Ele começou a escrever aos 7 anos, e muitas de suas histórias têm personagens que são animais. É o caso do livro Alfabeto Escalafobético (Jujuba Editora), em que cada letra conta mais sobre um bicho em forma de texto e imagem. Com essa publicação, Claudio foi  um dos vencedores, em 2014, do Prêmio Jabuti, a mais tradicional premiação da literatura brasileira.

Atualmente, ele trabalha na produção do livro A África Que Você Fala, sobre palavras africanas usadas  no Brasil. O repórter mirim Maurits A., de 8 anos, conversou com o escritor para saber mais sobre essas e outras histórias. Confira.

De quais brincadeiras de criança você gostava? Quais foram usadas nos seus livros?
O meu maior passatempo eram os brinquedos. Mais do que jogar bola, brincar de pega-pega, esconde-esconde… E todos os meus brinquedos eram de animais. Os bichos aparecem muito na minha obra.

O que levou você a ser escritor de livros para crianças?
Em um momento da minha vida, eu descobri que não sabia fazer outra coisa além de escrever. Não tinha definido que iria escrever para crianças, apenas que queria fazer livros. Aí as coisas foram acontecendo. O primeiro livro que publiquei era dirigido para crianças. Fez um sucesso razoável, e outras editoras me encomendaram livros. No meu ano de estreia, publiquei mais dois. Aí não teve mais jeito, fui em frente. Muitas pessoas me perguntam: “Quando você vai escrever um livro para adultos?”, como se eu só me tornasse um escritor de verdade se escrevesse para adultos. Eu não tenho a menor vontade de escrever livros para adultos. O público infantil me faz muito feliz.

Qual foi seu primeiro livro?
Ele chama As Filhas da Gata de Alice Moram Aqui. Nele, as crianças da história estão lendo Alice no País das Maravilhas [do autor britânico Lewis Carroll] e as filhas da gata da Alice saltam do livro e vão viver com as crianças. Elas ficam em dúvida se devem devolver os animais para o livro ou se ficam com eles.

Conte sobre o livro Alfabeto Escalafobético, que venceu o Prêmio Jabuti.
A ideia veio da editora Jujuba. Quando eles pediram que eu fizesse um livro sobre o alfabeto, achei a ideia sem graça. Então, sugeri um alfabeto diferente dos que já tinham sido feitos. Queria usar todas as formas poéticas, como a poesia concreta, que brinca com os sons das palavras. A letra “E” do livro, por exemplo, tem uma tromba de elefante. Para mim, criação tem tudo a ver com liberdade. Se você não é livre para criar, fica muito difícil. E eu sempre quero que um livro seja diferente do outro.

Quantos livros você já escreveu?
Eu não fico contando, mas, com certeza, mais de 30.

De todos os livros que você escreveu, qual é o seu favorito?
Livro é como se fosse filho. E é muito difícil para um pai escolher um filho favorito, não é? Mas tenho um carinho especial por algumas obras, como João, Joãozinho, Joãozito [e ditora Galera Record], que também foi finalista do Jabuti e ganhou um selo da cátedra de leitura da Unesco [Organização das Nações Unidas Para a Educação, a Ciência e a Cultura]. Tenho um carinho muito grande por esse livro, conta a história da vida de um escritor brasileiro, o meu favorito, o João Guimarães Rosa. Ele era mineiro, e as escolas de Minas Gerais adotaram esse livro. Não tem nada que me deixe mais feliz do que saber que escolas mineiras estão lendo sobre a infância do Guimarães Rosa.

Você está escrevendo algum livro agora?
Tenho o hábito de escrever vários livros ao mesmo tempo. Estou escrevendo dois agora. Um deles é A África Que Você Fala, tratando das palavras africanas que a gente usa no dia a dia e, às vezes, nem sabe que vieram de lá. Ele ainda não tem data de lançamento, mas tenho pressa porque acho que o Brasil está precisando disso. Precisamos fazer um tributo e agradecer esse povo que enriqueceu o nosso vocabulário, além de ter dado muitas outras contribuições. O outro livro estou fazendo bem devagar. É a história de uma menina de 12 ou 13 anos que foge de casa. Não posso falar muita coisa, mas, às vezes, tenho a impressão de que vai ser meu melhor livro. Também estou finalizando um livro com a [ilustradora] Raquel Matsushita que é um alfabeto, já que me pediram um alfabeto de novo porque o Escalafobético vendeu muito — 150 mil exemplares! Disse para o editor que ia fazer, mas queria que fosse um alfabeto de bichos esquisitos, melequentos e nojentos. Então o “A” é ameba, o “B” é barata… Para minha surpresa, o editor topou.

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#pracegover: Claudio Fragata e o leitor  Maurits A. se abraçam segurando a pelúcia do mico-leão-dourado Joca. Foto: jornal Joca.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 136 do jornal Joca.

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