Por Joanna Cataldo

O incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, completou um ano, no dia 2 de setembro. Um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado fez com que o fogo se espalhasse pela estrutura, atingindo parte do acervo. A instituição, que era o maior museu de história natural e antropológica da América Latina, reunia mais de 20 milhões de itens, entre eles, fósseis, múmias, meteoritos e exemplares de insetos de diferentes espécies.

Museu Nacional é restaurado no Rio de Janeiro
#pracegover: a foto mostra o Museu Nacional rodeado por uma estrutura de metal, utilizada para recuperar o edifício. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

Agora, o museu passa por um processo de reconstrução que inclui:

– Restauração da estrutura.
– Resgate de itens que resistiram ao incêndio.
– Negociações para que instituições de pesquisa doem itens para o acervo.
– Uso de impressora 3D para recriar
peças.

Impressão 3D

Há mais de 15 anos, peças do museu vinham passando por um processo para gerar arquivos em 3D, com informações que possibilitam a criação de réplicas bastante semelhantes aos itens originais — muitos perdidos no incêndio. “O arquivo 3D tem dados matemáticos sobre a peça, com informações como profundidade, altura e largura”, explicou ao Joca o pesquisador Jorge Lopes, integrante do grupo que está recriando parte do acervo. “O próximo passo é a impressão 3D da peça. Imagine que você está utilizando uma pasta de dente e apertando o tubo em movimentos circulares, depositando uma camada sobre a outra. No fim, você terá uma estrutura parecida com um tubo, feita de camadas de pasta de dente. É exatamente o mesmo processo que acontece com a impressora 3D”, conta Jorge.

Estátua Charles Darwin
A escultura do cientista britânico Charles Darwin queimou no incêndio, mas foi impressa em 3D com as cinzas da instituição./  #pracegover: a imagem mostra a escultura de Charles Darwin. Ele está de perfil, com a mão no queixo e segura uma bengala. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

Para fazer as impressões, o museu usa como matéria-prima as cinzas do incêndio. Até o momento, foram impressas 25 peças da coleção — o objetivo é imprimir mais de 300 itens.

Mais sobre o Museu Nacional
Criado, em 1818, por dom João VI (rei do Reino Unido de Portugal, do Brasil e de Algarves), o Museu Nacional tinha como objetivo se assemelhar a museus de história natural da Europa, com exposições, bibliotecas, entre outros. Após o incêndio de 2018, a instituição fechou. A previsão é de que uma parte seja aberta em 2022.

Crânio de Luzia
O crânio de Luzia, considerada a mais antiga habitante das Américas, foi encontrado nos escombros./ #pracegover: a foto mostra o crânio de Luzia, sem cabelo, sobre uma suporte transparente. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

Impactos de incêndio
46% das coleções foram perdidas em parte ou na totalidade
35%das coleções continuam tendo peças resgatadas
19% das coleções não foram atingidas

Especialista consultada: Luciana Carvalho, paleontóloga do Museu Nacional e vice-coordenadora do Núcleo de Resgate. Fonte: Museu Nacional.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 137 do jornal Joca.

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