Crédito de imagem: IEI Brasil/divulgação

Uma galinha ciborgue viaja no tempo em busca da ajuda de um garoto do Rio de Janeiro para salvar o mundo. Esse é o enredo do Kigalinha, desenho animado criado pela Organização Não Governamental (ONG) IEI Brasil que tem como objetivo ensinar jovens e crianças a combater as mudanças climáticas.

A leitora Camila S., 11 anos, aluna do Colégio Santa Clara, em São Paulo (SP), assistiu à websérie com a família e conversou com o diretor executivo do IEI Brasil, Rodolfo Gomes, e Gabrielle Adabo, coordenadora de comunicação da organização.

Camila S., 11 anos. Crédito de imagem: arquivo pessoal

O que um diretor executivo faz?

Rodolfo: É como se fosse o presidente de uma empresa, sabe? O IEI é uma ONG que, diferentemente de uma empresa comum, não tem o objetivo de obter lucro. Tudo que a gente tem de recurso coloca em projetos que consideramos importantes para a sociedade, como a série da Kigalinha. Ver que você gostou do desenho e te inspirou já é o nosso lucro.

Como surgiu essa ideia de fazer uma série para o YouTube?

Rodolfo: O YouTube é uma ferramenta que muita gente acessa. A gente resolveu fazer lá principalmente para falar sobre mudanças climáticas para um público mais jovem, afinal, o futuro vai ser herdado por você, Camila, pelos meus filhos e por todas as crianças.

Rodolfo Gomes, diretor executivo do IEI Brasil. Crédito de imagem: arquivo pessoal

E como foi o processo de criação?

Rodolfo: Depois que a gente criou as personagens, começamos a pensar no roteiro: como é que vai ser a história? O que que a gente quer contar? Cada episódio tem um roteiro próprio.

Depois disso, a gente passa para a pessoa que vai fazer a animação como é que vai ser o Chico, a Kigalinha, os cenários etc. Aí decidimos quem irá dublar as personagens, produzir os efeitos sonoros. Finalmente tem a revisão de tudo isso, para ver se encontramos algum erro. Foi difícil, mas divertido de fazer. Esses seis episódios demoraram uns três anos para ficar prontos. Demorou porque foi a primeira vez que nós do IEI fizemos algo assim. A gente está querendo fazer uma segunda temporada da Kigalinha e aí, com esse aprendizado todo, o tempo provavelmente vai ser menor.

Quem fez as ilustrações da Kigalinha?

Rodolfo: Quem fez foi o diretor executivo anterior a mim, Gilberto Jannuzzi, que é professor na Universidade de Campinas, em São Paulo. Ele trabalha nessa área de energia, e também gosta muito de desenhar.

Meu irmão, André, pediu para eu perguntar por que que a Kigalinha é um ciborgue.

Rodolfo: Fala para o André que, primeiro de tudo, queríamos que a personagem fosse uma galinha por causa de um tratado internacional que se chama Emenda de Kigali, que busca reduzir os danos ao meio ambiente nas próximas décadas. Por isso o nome dela é Kigalinha. E aí, como precisávamos de uma galinha que viesse do futuro e soubesse falar, pensamos na ideia de ela ser um ciborgue.

Legal, mas o que é essa emenda?

Rodolfo: A Emenda de Kigali é como se fosse um complemento ao Protocolo de Montreal — um acordo internacional da década de 1980 que visa proteger a camada de ozônio [camada da atmosfera que protege o planeta da radiação solar e sofre com a emissão de gases como dióxido de carbono]. Kigali é o nome da capital de Ruanda, na África, onde a emenda foi assinada por vários países. Foram muitos anos de negociação para chegar a um texto final sobre essa emenda. E foi em Kigali que aconteceu a aprovação final, no ano de 2016.

Nós tivemos grande avanço na Emenda de Kigali aqui no Brasil. Ela ficou um tempão parada na Câmara dos Deputados. Nós, da Rede Kigali (um conjunto de organizações como o IEI), nos unimos para fazer a cobrança para esses políticos. Porque a emenda tem que ser aprovada na Câmara dos Deputados, no Senado, na ONU e pela Presidência do Brasil. Hoje, a emenda já foi aprovada na Câmara dos Deputados, no Senado e agora a Emenda de Kigali está nas mãos do governo federal, o presidente precisa assinar um decreto para que a emenda vire lei.

Gabrielle Adabo, coordenadora de comunicação do IEI Brasil. Crédito de imagem: arquivo pessoal

Como está sendo a divulgação da série?

Gabrielle: A Kigalinha fez um ano, em 16 de março, que foi o Dia Nacional de Conscientização Sobre as Mudanças Climáticas. A gente escolheu propositadamente essa data no ano passado.

Então, antes do lançamento, começamos a divulgar nas redes sociais que estávamos para lançar algo. Isso porque nós acreditamos que essas mídias são um dos espaços em que nós mais nos informamos, né? Começamos a dar pistas do que seria essa novidade: publicamos uma galinha, depois outra coisa relacionada a cinema e aí, no dia 16, a gente lançou o primeiro episódio. Desde então, a gente vem divulgando nas redes sociais e no site.

A gente também procura organizações que trabalhem com a questão da educação. Em março, por exemplo, nós saímos em uma cartilha que dá dicas de materiais didáticos que podem ser usados com crianças e adultos; a Kigalinha foi citada como um bom material para falar de energia e também de equidade de gênero (pessoas de diferentes gêneros devem ter direitos igualitários).

Rodolfo, como você se interessou pela área de energia sustentável?

Rodolfo: Foi pelo acaso. Eu fiz a faculdade de engenharia mecânica e passei os cinco anos do curso pensando: “De tudo o que eu estou aprendendo aqui, nenhum professor falou sobre o que posso fazer com esse conhecimento para ajudar as pessoas do Brasil”. Aí teve um dia que eu visitei um laboratório de sistemas de energia solar em São Paulo. Um professor de lá mostrou que existem muitas pessoas aqui no Brasil que não têm acesso à eletricidade. Então ele disse sobre alguns projetos deles que levam energia para essas pessoas com placas solares. Foi aí que eu entendi como a engenharia pode ajudar o país. Comecei a estudar esse tema, para complementar minha faculdade, aprendendo mais sobre como a energia renovável pode ajudar quem mais precisa.

Então você gosta muito de ajudar as pessoas, né?

Rodolfo: Eu gosto bastante, apesar de eu não ter vivido na mesma situação que elas. Mas é muito bom ter contato com essa realidade, para poder entender o quanto de ajuda essas pessoas ainda precisam para melhorar a vida. E a gente tenta colaboram porque elas já fazem muito e às vezes faltam oportunidades.

Na série, a Kigalinha mostra para o Chico como o mundo estará em 2050 se a gente não tomar medidas para reduzir o aquecimento global. Você acredita que a gente ainda consegue mudar essa situação?

Rodolfo: Eu tenho esperança nisso. A gente trabalha todo dia para poder evitar que esse pior cenário aconteça. É muito difícil, vai precisar de muita vontade dos governantes do Brasil e dos outros países do mundo para a gente conseguir ter sucesso nesse grande desafio. Mas não é porque é difícil que a gente tem que deixar de tentar. O fato de a gente ter essa consciência de que é preciso mudar nos faz ter mais vontade ainda de chegar aos nossos governantes e cobrar [por políticas que priorizem o meio ambiente].

Eu também acredito que se a gente tentar mudar isso, consegue! Uma dúvida minha e do meu irmão é: como as crianças podem ajudar a reduzir o aquecimento global?

Rodolfo: O primeiro passo é entender o porquê de o aquecimento global ser um problemão para a gente. Muita gente ainda não entende isso, e quando as crianças aprendem sobre mudanças climáticas, podem educar os adultos.

Outra coisa que você pode fazer para colaborar é continuar estudando. E, lá na frente, na hora de votar em uma pessoa para um cargo político, escolher alguém que seja comprometido com essa pauta. Você pode, inclusive, perguntar para seus pais se as pessoas em quem eles votam se preocupam com o meio ambiente.

Gabrielle: Eu acho que isso que você está fazendo, Camila, é muito importante, porque você está, como criança, se interessando pelo tema e reunindo informações para transmitir a outras crianças, e isso é mais ou menos o que a gente faz também. A informação é o primeiro passo para a gente promover a mudança.

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Comentários (3)

  • katia ferreira

    6 meses atrás

    muito bom

  • Camila Senger Braga

    10 meses atrás

    ameiiii

  • perez

    10 meses atrás

    gosteiiiiiiiiiiiiiiiii

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