Impedir o surgimento de novos vírus com medidas de prevenção seria 500 vezes mais barato do que remediar uma pandemia, segundo pesquisa publicada, em 23 de julho, pela revista Science. Ações como diminuir o comércio de animais selvagens e o desmatamento de florestas tropicais pelo mundo custariam até 31 bilhões de dólares (cerca de 160,3 bilhões reais) por ano. Até julho, os danos causados pela covid-19 são estimados em cerca de 15 trilhões de dólares (em torno de 77,5 trilhões de reais), valor mais ou menos 500 vezes maior.

Os pesquisadores destacaram que, além do novo coronavírus, que tem como origem provável os morcegos na China, outros vírus, como o do ebola, foram transmitidos para seres humanos por animais silvestres.

Por causa da devastação ambiental, bichos que hospedam vírus acabam perdendo o habitat natural e vão em busca de casa e alimento em lugares ocupados por pessoas, o que facilita a transmissão. Assim, uma forma de prevenir novas epidemias e pandemias seria justamente a preservação do meio ambiente, segundo o estudo coordenado pela Universidade de Princeton, dos Estados Unidos, em parceria com cientistas do Brasil, da China e do Quênia.

O que mais fazer?
Os autores recomendam ainda outras formas de prevenção, como a fiscalização de áreas onde as pessoas têm muito contato com animais para identificar o surgimento de novos vírus antes que eles se espalhem; e o acompanhamento de criações de animais, principalmente as que têm mais chances de transmitir vírus para os humanos, como de porcos e aves.

Pelos cálculos feitos para o estudo, o maior investimento (19,4 bilhões de dólares — cerca de 100,3 bilhões de reais) seria para acabar com o comércio de carne de animais selvagens na China. Em seguida, com o custo de 9,59 bilhões de dólares (em torno de 49,6 bilhões de reais), está a redução pela metade do desmatamento em todo o mundo.

Apenas na floresta amazônica brasileira o custo para reduzir o desmatamento seria de 1,5 bilhão de dólares (aproximadamente 7,7 bilhões de reais) por ano. Apoiar os indígenas e seus territórios é uma das medidas indicadas para conter o desflorestamento na região.

Com uma grande diversidade de morcegos e primatas (como macacos), que podem ser hospedeiros de vírus, a floresta amazônica e seu desmatamento representam risco para o surgimento de novas doenças.

Áreas de pastagem derivadas do desmatamento ilegal próximo à terra indígena menkragnoti, Pará, Brasil | #pracegover: a foto mostra mata com partes verdes e com boa parte devastada. Foto: Getty Images/iStockphoto

Fontes: O Estado de S. Paulo, Science e The Guardian.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 154 do jornal Joca

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Comentários (1)

  • Gustavo

    1 ano atrás

    E BEM MELHOR GASTA UMA FORTUNA DE QUASE 8 BILHES DE REAIS DO QUE VER A AMAZONIA SOFRER DESSE JEITO

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