O jornal Joca é lido em escolas particulares e públicas de todo o país. Foto: Divulgação.

Em uma conversa, uma criança vira para o pai e diz: “Você sabia que o Donald Trump vai se encontrar com o Kim Jong-un?”. O pai, surpreso com o comentário, pergunta: “Onde você aprendeu isso?”. Eis, então, que o filho responde: “Eu li no jornal”. A partir disso, os dois começam a conversar sobre o encontro histórico realizado entre os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte.

Histórias como essa sempre chegam à redação do Joca, o único jornal para crianças e jovens do Brasil, por meio de e-mails, cartas ou relatos de pais e educadores. São histórias de leitores que, a partir das notícias publicadas no jornal, passaram a entender melhor o mundo à sua volta e adquiriram repertório para participar das discussões que permeiam a sociedade.

“As crianças são curiosas por natureza e querem se informar. Um jornal direcionado especificamente ao público infantojuvenil torna alguns fatos mais acessíveis e mais interessantes para os jovens”, diz Stéphanie Habrich, fundadora e diretora executiva do Joca. “O jornal também contribui para que os jovens se sintam valorizados, já que passam a ter acesso às mesmas informações que os adultos e podem conversar com eles sobre os acontecimentos. Sem entender o que se passa ao redor, as crianças não se sentem parte da sociedade.”

O que são jornais infantojuvenis?

Os jornais para crianças e jovens seguem os mesmos princípios do jornalismo para adultos, como ética, rigorosidade com apuração e pluralidade de ideias. Além disso, tratam dos mesmos assuntos que os jornais tradicionais, como política, cultura, economia e esportes.

As diferenças estão na linguagem, que é adaptada para essa faixa etária, e na contextualização dos fatos. Em uma matéria sobre o encontro entre Trump e Kim Jong-un, por exemplo, não basta explicar o que aconteceu na reunião, é preciso apresentar um histórico sobre as relações entre Estados Unidos e Coreia do Norte, traçar um panorama geral sobre a natureza da política norte-coreana e mostrar todos os episódios que ocorreram ao longo das décadas e culminaram nesse encontro.

“As crianças não têm o mesmo repertório que os adultos. Por isso, quando escrevemos para esse público, é importante dar o contexto por trás dos eventos”, diz Meera Dolasia, fundadora da Dogo News, plataforma de notícias acessada por milhões de crianças no mundo todo. “O significado da queda do muro de Berlim, por exemplo, fica completamente perdido se o jovem não souber por que o muro foi construído.”

E com o mundo cada vez mais conectado, não são só os adultos que passaram a ter fácil acesso à informação – as crianças também podem ficar sabendo das notícias das mais variadas formas possíveis.

Russell Kahn, editor de conteúdo do News-O-Matic, jornal infantojuvenil americano que possui 500 mil crianças assinantes, alerta para a possibilidade de os jovens ficarem confusos diante de tantos conteúdos incorretos ou que não foram feitos especificamente para pessoas de sua faixa etária. “Sem os fatos verdadeiros, a imaginação de uma criança pode ir longe. Ao mesmo tempo, sem contexto, as crianças têm muito mais chances de ter medo ou ansiedade em relação às coisas que acontecem no mundo”, diz.

“Muitos adultos tentaram esconder a crise de ebola das crianças, por exemplo. Mas elas acabavam ouvindo sobre isso na mídia. Sem a habilidade de aprender o que está acontecendo de fato [no caso, um avanço da enfermidade em alguns países da África], muitas dessas crianças americanas acreditaram que aquela doença era uma ameaça séria a elas e a sua comunidade.”

Jornais infantojuvenis ao redor do mundo

No exterior, jornais e revistas sobre atualidades voltados para o público infantojuvenil fazem parte do cotidiano de milhares de crianças e adolescentes. É o caso do First News (semanal, publicado na Inglaterra), News For Kids (quinzenal, impresso na África do Sul) e Mon Quotidien (diário, veiculado na França). Periódicos voltados para essa faixa etária também podem ser encontrados nos Estados Unidos, no Japão e na Alemanha, entre outros.

Para Stéphanie Habrich, o sucesso do jornalismo infantojuvenil vai além da necessidade de formar cidadãos informados – está na possibilidade de criar jovens mais engajados e atuantes no ambiente em que vivem.

“Jovens e crianças bem informadas entendem o que se passa ao redor, formam as próprias opiniões e se tornam cidadãos críticos e ativos, que lutam por seus direitos, cumprem seus deveres e têm as ferramentas necessárias para construir um futuro melhor para o país”, diz. “Não temos como controlar o que nossos filhos estão lendo ou assistindo na internet o tempo todo, mas temos como inclui-los no debate, compartilhando e discutindo notícias, ensinando-os a buscar fontes confiáveis e exercitar o senso crítico.”

 

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Comentários (1)

  • Maria Catarina de Sousa Lopes

    7 meses atrás

    O jornal Joca e bem legal aprendi muito

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