#pracegover: a imagem mostra alagamento na Rua Jardim Botânico após as chuvas que atingiram o Rio de Janeiro. A rua está alagada e um carro preto, à direita, tem parte dos pneus cobertos pela água. Foto: Fernando Frazão_Agência Brasil.

Por Martina Medina

No dia 8 de abril, o Rio de Janeiro registrou sua pior tempestade em 22 anos, segundo o sistema Alerta Rio. A chuva deixou dez mortos e fez com que a cidade parasse.

Além disso, no dia 12 de abril, dois prédios desabaram na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio. De acordo com o Corpo de Bombeiros, 11 pessoas morreram, nove ficaram feridas e 13 estão desaparecidas (até o fechamento desta edição). A região foi uma das mais afetadas pelas chuvas, mas ainda não há confirmação de que essa tenha sido a causa do desabamento. Segundo a Prefeitura, as construções eram irregulares e foram interditadas pelo risco de mais prédios caírem.

Falta de planejamento e prevenção
Marcelo Crivella, prefeito do Rio, decretou estado de calamidade pública no dia 11 de abril por causa do temporal. Isso permite que a Prefeitura tome medidas urgentes sem autorização do Poder Legislativo (Câmara dos Vereadores), como transferir dinheiro para ajudar nos transtornos causados pela chuva.

Em declarações à imprensa, o prefeito admitiu falha de planejamento, demora nas ações durante o temporal e que o trabalho de prevenção não foi suficiente para evitar a tragédia. Para ele, falta dinheiro do governo federal para fazer as obras necessárias.

#pracegover: a imagem mostra bombeiros trabalhando no resgate de vítimas da enchente. À esquerda está um grande caminhão dos Bombeiros do Rio de Janeiro. No centro, um grupo de bombeiros. À direita, árvores. Foto: Fernando Frazão_Agência Brasil.

Por que choveu tanto no Rio?
De acordo com Ana Luiza Coelho Netto, geógrafa e coordenadora do Laboratório de Geo-hidroecologia e Gestão de Riscos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mudanças no clima da região são observadas por cientistas há mais de cem anos. Elas são provocadas pela ação humana:

• Retirada de árvores da mata atlântica para plantar café no século 18 no Sudeste.
• Desmatamento ilegal na Amazônia para plantação e extração de madeira.
• Crescimento das cidades, com a substituição de árvores por imóveis e asfalto.
• Aumento na presença de indústrias.

Efeitos no clima

• O desmatamento e as indústrias lançam dióxido de carbono no ar.
• Em excesso, essa substância retém mais calor na atmosfera e a temperatura da Terra sobe.
• Isso provoca clima extremo: tempestades e fortes secas.

Por que as chuvas causam tantos estragos no Rio?

AUSÊNCIA DE PLANEJAMENTO URBANO: com o desmatamento e a construção de casas no lugar das árvores, o solo não consegue absorver a água da chuva, que se acumula, causando enchentes e deslizamentos.

FALTA DE SANEAMENTO BÁSICO: quando lixo e entulho não são coletados da forma adequada e vão parar nos rios e nas ruas, os bueiros entopem. Isso impede que a água escoe, o que causa alagamentos e favorece a transmissão de doenças, como diarreia e leptospirose (transmitida pela urina do rato).

Consequências da enchente

• Ruas alagadas foram fechadas.
• Linhas de metrô pararam de funcionar.
• Algumas regiões ficaram sem energia elétrica.
• Queda de árvores.
• Destruição de automóveis.
• Deslizamentos de terra.
• No dia seguinte, a Prefeitura recomendou que a população ficasse em casa e cancelou aulas nas escolas públicas.

Locais afetados

• Sete das vítimas estavam na zona sul e três na oeste, as áreas mais afetadas.
• O Túnel Rebouças — que liga as zonas sul e norte — foi fechado.
• A ciclovia Tim Maia, construída em 2016, caiu pela quarta vez.
• A avenida Niemeyer foi interditada.

Como se proteger durante temporais?

• Ir para lugares altos.

• Não ficar em áreas abertas ou próximo a árvores e redes de distribuição de energia elétrica.

• Evitar entrar em áreas alagadas (há risco de doença e choque elétrico).

• Se necessário, ligar para a emergência: 193 (Corpo de Bombeiros) e 199 (Defesa Civil).

#pracegover: uma ilustração, sob o título de “O que é preciso fazer para evitar mais tragédias?” mostra como funciona um sistema de drenagem da água das chuvas. Ela vem acompanhada pelos seguintes textos – Drenagem: sistema de tubulações e bueiros que ordenam o caminho da água, evitando que ela se acumule em um só lugar. Assim, a chuva pode ser enviada para piscinões, grandes espaços de concreto no solo, em vez de se tornar uma enchente; manutenção e limpeza: o sistema de drenagem deve ser mantido limpo para evitar acúmulo de lixo e liberar espaço para a água; cuidados com moradores de áreas de risco: comunidades em morros correm mais risco de deslizamentos de terra. Por isso, é preciso oferecer casas em locais mais seguros ou criar rotas de fugas e abrigos próximos às moradias.

O que eu penso sobre…
“Eu estava em sala de aula quando tudo começou a tremer, parecia um terremoto! A luz piscou e caiu um raio. Eu e meu amigo fomos para a frente da escola e vimos que estava chovendo muito. As ruas estavam quase transbordando. Consegui chegar em casa, mas minha mãe demorou muito — ela ficou presa no trânsito das seis da tarde até as duas da manhã. Como é muita chuva e os bueiros ficam entupidos, não tem para onde a água ir, então acaba transbordando e criando toda essa confusão. Acho que tinha que ter limpeza nos ralos e tirar a sujeira para que isso não aconteça de novo.” Jonas A., 12 anos

#pracegover: o garoto Jonas A. olha para frente. Ele usa óculos, tem cabelo castanho-claro e veste uma camiseta nas cores vinho e amarelo, onde se lê: All aboard the Hogwarts. Imagem: arquivo pessoal.

Especialista consultada: Ana Luiza Coelho Netto, geógrafa e coordenadora do Laboratório de Geo-hidroecologia e Gestão de Riscos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Fontes: Agência Brasil, Estadão, portal Eu, Rio!, Folha de S.Paulo, G1 e UOL.

Reportagem publicada originalmente na edição 129 do jornal Joca.

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