Alagamento na Rua Jardim Botânico após as chuvas que atingiram o Rio de Janeiro.

Por Martina Medina

Alagamento na rua Jardim Botânico após a chuva que atingiu o Rio. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No dia 8 de abril, o Rio de Janeiro registrou sua pior tempestade em 22 anos, segundo o sistema Alerta Rio. A chuva deixou dez mortos e fez com que a cidade parasse.

Além disso, em 12 de abril, dois prédios desabaram na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio. De acordo com o Corpo de Bombeiros, duas pessoas morreram, dez ficaram feridas e 17 estão desaparecidas (até o fechamento desta matéria). A região foi uma das mais afetadas pelas chuvas, mas ainda não há confirmação de que essa tenha sido a causa do desabamento. Segundo a Prefeitura, as construções eram irregulares e foram interditadas pelo risco de mais prédios caírem.

Falta de planejamento e prevenção
Marcelo Crivella, prefeito do Rio, decretou estado de calamidade pública no dia 11 de abril por causa do temporal. Isso permite que a Prefeitura tome medidas urgentes sem autorização do Poder Legislativo (Câmara dos Vereadores), como transferir dinheiro para ajudar nos transtornos causados pela chuva.

Em declarações à imprensa, o prefeito admitiu falha de planejamento, demora nas ações durante o temporal e que o trabalho de prevenção não foi suficiente para evitar a tragédia. Para ele, falta dinheiro do governo federal para fazer as obras necessárias.

Bombeiros trabalham no Morro da Babilônia, no Leme, zona sul da cidade, para resgatar o corpo de um homem que estava soterrado por causa do deslizamento provocado pelo temporal que atingiu a cidade do Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Consequências da enchente
– Ruas alagadas foram fechadas.
– Linhas de metrô pararam de funcionar.
– Algumas regiões ficaram sem energia elétrica.
– Queda de árvores.
– Destruição de automóveis.
– Deslizamentos de terra.
– No dia seguinte, a Prefeitura recomendou que a população ficasse em casa e cancelou aulas nas escolas públicas.

Por que choveu tanto no Rio?
De acordo com Ana Luiza Coelho Netto, geógrafa e coordenadora do Laboratório de Geo-hidroecologia e Gestão de Riscos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cientistas observam mudanças no clima da região há mais de cem anos. Elas são provocadas pela ação humana:
– Retirada de árvores da mata atlântica para plantar café no século 18 no Sudeste.
– Desmatamento ilegal na Amazônia para plantação e extração de madeira.
– Crescimento das cidades, com a substituição de árvores por imóveis e asfalto.
– Aumento no número de indústrias.

Efeitos no clima
– O desmatamento e as indústrias lançam dióxido de carbono no ar.
– Em excesso, essa substância prende mais calor na atmosfera e a temperatura da Terra sobe.
– Isso provoca clima extremo: tempestades e fortes secas.

Por que as chuvas causam tantos estragos no Rio?
Ausência de planejamento urbano: com o desmatamento e a construção de casas no lugar das árvores, o solo não consegue absorver a água da chuva, que se acumula, causando enchentes e deslizamentos.
Falta de saneamento básico: quando lixo e entulho não são coletados da forma adequada e vão parar nos rios e nas ruas, os bueiros entopem. Isso impede que a água escoe, o que causa alagamentos e favorece a transmissão de doenças, como diarreia e leptospirose (transmitida pela urina de rato).

Temporal atinge o Rio de Janeiro, causando vários estragos. Na praia de Botafogo, passagem de pedestre é alagada e lixo se espalha pelo calçadão. Tânia Rêgo/Agência Brasil

O que é preciso fazer para evitar mais tragédias?
Drenagem: sistema de tubulações e bueiros que ordenam o caminho da água, evitando que ela se acumule em um só lugar. Assim, a chuva pode ser enviada para piscinões, grandes espaços de concreto no solo, em vez de se tornar uma enchente.
Manutenção e limpeza: o sistema de drenagem deve ser mantido limpo para evitar acúmulo de lixo e liberar espaço para a água.
Cuidados com moradores de áreas de riscos: comunidades em morros correm mais risco de deslizamentos de terra. Por isso, é preciso oferecer casas em locais mais seguros ou criar rotas de fugas e abrigos próximos às moradias.

Como se proteger durante temporais?
Ir para lugares altos.
Evitar entrar em áreas alagadas (há risco de doença e choque elétrico).
Não ficar em áreas abertas ou próximo a árvores e redes de distribuição de energia elétrica.
Se necessário, ligar para a emergência: 193 (Corpo de Bombeiros) e 199 (Defesa Civil).

O que eu penso sobre…
“Eu estava em sala de aula quando tudo começou a tremer, parecia um terremoto! A luz piscou e caiu um raio. Eu e meu amigo fomos para a frente da escola e vimos que estava chovendo muito. As ruas estavam quase transbordando. Consegui chegar em casa, mas minha mãe demorou muito — ela ficou presa no trânsito das seis da tarde até as duas da manhã. Como é muita chuva e os bueiros ficam entupidos, não tem para onde a água ir, então acaba transbordando e criando toda essa confusão. Acho que tinha que ter limpeza nos ralos e tirar a sujeira para que isso não aconteça de novo.”
Jonas A., 12 anos

“Quando começou a chover, eu estava voltando para casa. Consegui chegar a tempo antes de a chuva aumentar. O playground alagou e caiu uma árvore em frente ao prédio onde moro. Se você está na rua, precisa procurar um lugar mais alto para se proteger, mas, se estiver em uma loja, é melhor ficar lá até a chuva passar. O Rio é uma cidade tropical, normal chover, mas esses desastres acontecem por causa da Prefeitura. A cidade tem muito lixo, e ela não cuida muito bem. É preciso proteger encostas e favelas, além de ter menos lixo na cidade.”
Rafael N., 12 anos

“Quando começou a chover, eu já estava em casa. No dia seguinte, não tivemos aula, então eu brinquei com um amigo, fiz desenhos e assisti a vídeos no YouTube. Minha casa não foi afetada pelas enchentes, mas os meus primos ficaram no clube e não conseguiram sair, porque estava alagado — eles ficaram sem jantar. Aqui chove muito porque é muito quente e formam nuvens. Se os bueiros não ficassem entupidos e tivesse menos lixo, o problema seria menor.”
Ana N., 7 anos

 

Locais afetados
Sete vítimas estavam na zona sul e três na oeste, as áreas mais afetadas.
O Túnel Rebouças — que liga as zonas sul e norte — foi fechado.
A ciclovia Tim Maia, construída em 2016, caiu pela quarta vez.
A avenida Niemeyer foi interditada.

Jacaré é visto após enchentes
Um jacaré foi visto caminhando pelo Jardim Botânico, no Rio, no dia 11 de abril. O animal teria ido parar na calçada da rua Pacheco Leão depois de ser levado pelas enchentes. Moradores postaram vídeos nas redes sociais. Veja:

“Quando chove, o nível da água sobe também e, com isso, os animais conseguem acesso às margens das calçadas e ao meio urbano com mais facilidade”, explica o biólogo Ricardo Francisco Freitas, do Instituto Jacaré. Segundo ele, os répteis são comuns na cidade, em especial na região de Jacarepaguá (nome que, em tupi-guarani, significa “vale dos jacarés”). A diminuição das áreas naturais do Rio, causada pelo crescimento do município, faz com que os jacarés entrem na área urbana em busca de mais espaço e alimento.

Há riscos?
Perdidos na cidade, os jacarés correm risco de serem atropelados e agredidos, enquanto as pessoas podem apenas tomar um susto — não há registros de ataque de jacarés-de-papo-amarelo no Rio, de acordo com o especialista.

O que fazer?
Se cruzar com um jacaré, procure os órgãos municipais e/ou estaduais (patrulha ambiental ou bombeiros) para fazer o resgate e levar o animal a uma área apropriada.

Fontes: Agência Brasil, Estadão, portal Eu, Rio!, Folha de S.Paulo, G1 e UOL.

*Matéria publicada em versão reduzida na edição 129 do jornal Joca.

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Comentários (6)

  • EMEF ELIAS DE SIQUEIRA CAVALCANTI, DR.

    11 meses atrás

    Meu nome é Daniel mais conhecido como Bigode

  • EMEF ELIAS DE SIQUEIRA CAVALCANTI, DR.

    11 meses atrás

    Esse jacaré parece comigo meu nome e Luis Moura

  • EMEF AUREA RIBEIRO XAVIER LOPES, PROFA.

    11 meses atrás

    wol cm assim da onde ele sail meu deus

  • EMEF Prof. Laerte José dos Santos

    1 ano atrás

    Estou muito triste com que aconteceu no Rio de Janeiro,mais logo,logo tudo vai se recuperar. Lavinia de Oliveira Silva.

  • LAVÍNIA ALVES SANTOS

    1 ano atrás

    Muito triste o q aconteceu no Rio .desejo melhoras a todos

  • luana Beatriz de Medeiros

    1 ano atrás

    que jacaré engraçado

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