Enquanto o mundo enfrenta a pandemia do novo coronavírus, é comum ter dúvidas relacionadas à doença causada por ele (a covid-19) e sobre como agir para evitar que a contaminação se espalhe. Para esclarecer algumas das principais questões a respeito do tema, a leitora Sophia M. Q., 10 anos, de Brasília (DF), entrevistou o médico Ivan Cese Marchetti, infectologista do laboratório Fleury Medicina e Saúde, de São Paulo. O profissional deu dicas de como aumentar a imunidade para se proteger e comentou sobre o que já se sabe sobre o vírus. Confira.

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#pracegover: Sophia usa camiseta branca e uma flor rosa na cabeça. Ao fundo, uma parede roxa. Foto: arquivo pessoal

Existe alguma comprovação científica de que o vírus da covid-19 é eliminado do local quando entra em contato com o álcool em gel 70%?
Sim, o álcool 70% é um ótimo agente desinfetante. Existem comprovações científicas da sua eficácia contra diversos agentes, inclusive os coronavírus. Vale ressaltar que o uso da substância deve seguir as orientações das instituições de saúde e dos fabricantes para que tenha a ação esperada. Além disso, por ser um produto inflamável, é preciso ter muito cuidado durante a utilização e quando for guardá-lo. Por exemplo: sempre antes de usar, certifique-se de que não tenha fogo por perto, pois o álcool 70% é inflamável.

Por que o álcool 70% e o sabão matam o vírus?
O vírus tem uma capa composta por proteínas e lipídios [gorduras] em sua estrutura. O álcool consegue desidratar e desintegrar esses componentes, causando uma quebra na estrutura do vírus. Já o sabão atua nos lipídios da cápsula do vírus, rompendo a estrutura.

Como posso aumentar a minha imunidade?
A nossa imunidade depende de diversos fatores, inclusive genéticos. Mas há várias medidas que podem colaborar. Os hábitos de vida são fundamentais, por exemplo: a alimentação saudável e balanceada com frutas, verduras, legumes e sem consumo excessivo de alimentos industrializados e fast food [comidas vendidas prontas]; a prática rotineira de atividades físicas; e evitar o cigarro e as bebidas alcoólicas.

#pracegover: o médico Ivan veste camisa preta, gravata roxa e, por cima, um jaleco branco. No rosto, óculos de grau. Foto: arquivo pessoal

Na sua opinião, as pessoas que pegaram o vírus e ficaram internadas em estado grave poderão ter sequelas [consequências no organismo depois de uma doença]?
Todas as informações sobre o vírus e as consequências da infecção são ainda precoces. Muitos estudos são necessários, e também precisamos de tempo para avaliar a evolução das pessoas infectadas. Mas já há análises preliminares que mostram sequelas pulmonares, como fibrose [uma doença que “engrossa” o tecido dos pulmões e compromete suas funções, pois dificulta a passagem de oxigênio para a corrente sanguínea] e redução na capacidade da função pulmonar.

Por que o vírus ataca diretamente o pulmão?
O novo coronavírus invade as células do ser humano por meio da ligação com a enzima conversora da angiotensina 2 (que é um mecanismo tipo chave-fechadura, em que o vírus tem uma proteína que se liga perfeitamente à enzima da célula). Essa enzima se encontra principalmente nas células do pulmão, fazendo com que seja o órgão mais acometido.

Por quanto tempo o vírus permanece viável nas superfícies?
O tempo que ele permanece viável depende do tipo de superfície. Um trabalho bastante interessante fez essa análise. Em um material de cobre, o vírus ficou viável por quatro horas e, em papelão, por 24 horas. Já em um plástico, 72 horas.

Se o novo coronavírus é um vírus respiratório, por que não é transmitido pelo ar?
O novo coronavírus é transmitido por partículas respiratórias contaminadas, como secreção nasal ou gotículas. Porém, é por pouco tempo que o vírus fica viável no ar. Além disso, essas partículas têm capacidade pequena de se dispersar. Deste modo, é necessário estar a uma distância pequena (1,5 metro) de uma pessoa infectada para correr o risco de pegar o vírus que possa estar no ar [use máscara para evitar o contágio].

(…) Há várias medidas que podem colaborar para a imunidade. Os hábitos de vida são fundamentais, por exemplo: a alimentação saudável e balanceada com frutas, verduras, legumes e sem consumo excessivo de alimentos industrializados (…).

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 150 do jornal Joca.

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