Representantes de quase 200 países estiveram presentes na primeira semana de discussões da Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP26), que teve início no dia 31 de outubro e segue até 12 de novembro. Até o fechamento desta edição, líderes de diversas nações já tinham se comprometido a realizar ações que diminuam os impactos do aquecimento global (aumento da temperatura média do planeta). Confira os principais acordos feitos durante a primeira semana da conferência.

#pracegover: em Londres, capital da Inglaterra, pessoas protestam nas ruas em 6 de novembro. A data foi considerada dia global de ação sobre as questões que envolvem as mudanças climáticas. Na imagem, diversas pessoas, algumas com e outras sem máscara, seguram cartazes em protesto. Foto: Chris J Ratcliffe/Getty Images

Fim do desmatamento
Representantes de mais de cem países se comprometeram a acabar com o desmatamento até 2030. Entre os que assinaram o acordo estão nações conhecidas pelas altas taxas de desmatamento, como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo. De acordo com especialistas em meio ambiente, manter as árvores em pé é uma das melhores maneiras de frear o avanço das mudanças climáticas, uma vez que as plantas absorvem o dióxido de carbono (gás altamente poluente) do ar.

Redução do metano Mais de cem países se comprometeram a reduzir em 30% as emissões de metano até 2030. Porém, grandes emissores do gás, como China, Rússia e Índia, não assinaram o acordo — o que foi visto como um ponto negativo pelos especialistas em meio ambiente. O metano, um dos gases mais poluentes de todos, contribui para o aumento da temperatura do planeta. Hoje, as criações de gado são uma das principais responsáveis pela emissão desse poluente — esterco, arrotos e puns dos bois liberam o gás.

Fim do uso de carvão mineral
Mais de 40 países se comprometeram a parar de usar carvão mineral, material que, ao ser queimado, também libera grande quantidade de gás metano, o que colabora para o avanço das mudanças climáticas. Nações ricas concordaram em parar de utilizar o recurso até 2030, enquanto países pobres terão até 2040 para abandoná-lo definitivamente. No entanto, nações que são grandes consumidoras de carvão, como Estados Unidos e China, não assinaram o acordo. Atualmente, o recurso é usado, principalmente, para produzir energia elétrica.

Investimento em energia limpa
Cerca de 40 países se comprometeram a fazer com que fontes de energia que causam menos impactos ambientais (como solar e eólica, obtida a partir do vento) se tornem mais baratas e populares até 2030. Uma das metas, por exemplo, é de acabar com o uso de veículos poluidores e substituí-los por automóveis menos agressivos ao meio ambiente, como carros elétricos.

Críticas à COP26
As decisões tomadas ao longo dos primeiros dias da COP26 não foram bem-vistas por milhares de especialistas e ativistas ambientais ao redor do mundo. Entre as críticas estão as de que as metas propostas não são boas o bastante e são insuficientes para impedir o avanço das mudanças climáticas.

Em todos os continentes, ocorreram manifestações contra o evento. A maior delas aconteceu em 6 de novembro, em Glasgow, na Escócia, cidade onde a COP26 está sendo realizada. Ao todo, cerca de 100 mil manifestantes pediram medidas mais firmes das autoridades contra o aquecimento global.

#pracegover: grupos protestam em Bristol, na Inglaterra. Na imagem, um casal usa roupas de frio. O homem, à esquerda, segura uma placa em que se lê: “No moro blah blah blah”. Foto: Finnbarr Webster/Getty Images

Uma das principais ativistas ambientais do mundo, a sueca Greta Thunberg, de 18 anos, esteve no protesto. No dia anterior, ela participou de uma manifestação parecida e fez um discurso criticando as decisões tomadas no evento climático. “Não é segredo que a COP26 é um fracasso. Deveria ser óbvio que não podemos resolver uma crise com os mesmos métodos que levaram ao início dessa crise”, disse. “Precisamos de cortes anuais imediatos e drásticos nas emissões [de gases poluentes], algo como o mundo nunca viu antes.”

Para Izabella Teixeira, copresidente do Painel de Recursos Naturais da Organização das Nações Unidas (ONU), em declaração ao site da ONU: “Não há como mais achar que a natureza vai nos esperar. (…) Não há como achar que a juventude vai pensar nisso como algo distante dela. Não. Está no dia a dia. A pressão é real. E essa pressão significa dizer que, em 2030, esses jovens possivelmente tomarão decisões. Esses jovens, hoje com 18, 19 ou 17 anos, estarão com 30. Estarão nesse mundo tomando decisões. Então, têm que trazer o futuro do presente e começar a agir”.

Fontes: BBC e Universidade da Califórnia (EUA).

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 180 do jornal Joca.

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Comentários (2)

  • Julia Boari Katayama

    1 mês atrás

    Olá Joca!!!! Tenho perguntas: Como nós podemos agir? Podemos tomar decisões logo já? Nós esperamos sentados o nosso futuro vier?? Será que no futuro nós não salvaremos o planeta como dizem os adultos?? Será que vai ser a mesma coisa no futuro( nós, no futuro, adultos, acreditando na mesma coisa *As crianças de hoje em dia mudaram o futuro presente )??? Eu acho que nós devemos agir agora!! Não só eu e sim, as crianças e adultos porque, ficar esperando o futuro sentado quando tudo está acontecendo na sua cara é tolice. Então devemos fazer já!!! Mudar o planeta para um muito melhor!! Não estou fazendo por mim e sim por todos nós, incluindo o planeta terra!! Sem ele nós não existiríamos!!! Obrigada!!

  • COP26 | Os acontecimentos mais importantes da conferência – Jornal Joca

    2 meses atrás

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