O projeto Innovation: Africa leva energia e água limpa para aldeias isoladas do continente africano. A organização foi criada, em 2008, pela israelense Sivan Ya’ari e já concluiu 300 instalações de painéis solares fornecendo luz, bombeamento de água limpa, irrigação para a agricultura e refrigeração para vacinas e medicamentos a mais de 1,5 milhão de pessoas, em dez países africanos.

Água para África
#pracegover: Sivan Ya’ari junto de várias pessoas em solo africano. Ao lado dela, uma mulher segurando uma criança no colo e um galão. Crédito de imagem: divulgação.

“Descobri o Innovation: Africa quando minha mãe me mostrou um vídeo da inauguração de uma bomba d’água em  um vilarejo africano e vi a alegria das crianças e dos adultos quando a água aparecia. Fiquei impressionado porque nunca tinha pensado em como algumas pessoas podiam viver sem água encanada e energia elétrica”, conta o repórter mirim Joseph F., de 8 anos, que entrevistou Sivan Ya’ari para o Joca. Confira a seguir.

Há muitas pessoas sem luz e água na África?
Atualmente, 620 milhões das pessoas que vivem na África não têm acesso à eletricidade — esse número é quase duas vezes a população dos Estados Unidos. Além disso, mais de 350 milhões de africanos não têm água limpa e acabam bebendo água suja.

Como você teve a ideia de ajudar os países africanos?
Quando eu trabalhava para a [empresa de roupas] Jordache, em Madagascar, fazendo o controle das fábricas, visitei algumas aldeias. Era a minha primeira vez na África e meu primeiro contato com a “pobreza de verdade”. Sempre achei que minha infância em Israel e na França tinha sido pobre, mas, depois de passar um tempo na África, percebi que eu era privilegiada. Decidi continuar meus estudos em Nova York [Estados Unidos] e estudei energia para descobrir como fazer a diferença nas aldeias que visitei. Depois de arrecadar dinheiro com amigos, viajei para a Tanzânia e instalei um painel solar e lâmpadas em um centro médico e uma escola. Quando voltei para ver como estavam as coisas por lá, percebi que havia cometido um grande erro. Ao falar com a diretora da escola, ela agradeceu, mas disse que as crianças eram fracas demais para ir às aulas — elas andam muito em busca de água, que, além do mais, é suja e traz doenças. Então, Innovation: Africa passou a ter a missão de levar às aldeias não apenas tecnologia solar, como também hidráulica [com bombeamento de água] e agrícola [com sistema de irrigação, que molha as plantações de alimentos].

Água para África
#pracegover: crianças lavam às mãos ao lado de torneira ligada, jorrando água, na África. Crédito de imagem: divulgação.

Você volta às aldeias para ver se as coisas melhoraram?
Com certeza. Sempre levamos doadores para as aldeias, para que eles vejam como funciona o projeto na prática e possam interagir com membros da comunidade que tiveram a vida transformada. É uma experiência única ver as pessoas acendendo a luz ou abrindo uma torneira instalada pela organização.

Quantas crianças a Innovation: Africa ajudou?
Colaboramos com mais de 1,5 milhão de pessoas. As crianças são grande parte desse número, especialmente porque nossos projetos ensinam as próximas gerações em escolas, orfanatos e centros médicos.

Você acha que, por ser de Israel, onde há muita tecnologia, foi mais fácil fazer o projeto?
Israel é um centro de criatividade, inovação e solução de problemas. Temos algumas das mentes mais brilhantes em energia renovável, tecnologia da água, design e muito mais. Para um país tão pequeno, há muitas oportunidades e potencial, então temos que compartilhar isso com outras nações.

Israel tem problemas semelhantes aos de alguns países africanos, como a seca?
Basicamente, estamos aplicando na África o que os israelenses usaram para fazer o deserto florescer e conseguir água potável [adequada para o consumo]. O terreno e o clima são muito parecidos em Israel e na África.

Como contribuir com o Innovation: Africa?
É possível fazer isso criando uma página de campanha de arrecadação de dinheiro no site: icampaign-innoafrica.org/signup. Toda doação vai diretamente para uma aldeia na África, e nossa equipe avisa sobre como o projeto está indo.

“É uma experiência única ver as pessoas acendendo a luz ou abrindo uma torneira instalada pela organização.”

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 145 do jornal Joca.

 

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