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No Dia Mundial do Refugiado de 2020, criança integra concurso de arte Meu Futuro no Brasil, no abrigo São Vicente, em Boa Vista, capital de Roraima. Créditos das imagens desta reportagem: Reynesson Damasceno, Brayan Carmona, Vincent Tremeau Alan Santiago e Santiago Escobar-Jaramillo_ACNUR

De acordo com o ACNUR (Agência da ONU Para Refugiados), o mundo tem cerca de 80 milhões de pessoas que foram forçadas a se deslocar do seu local de origem em virtude de guerras, conflitos e perseguições. Deste total, 26,4 milhões são refugiados — situação que atinge parte de nossos vizinhos da Venezuela.

Atualmente, existem 5,57 milhões de venezuelanos fora de seu país, entre refugiados e migrantes. Um dos destinos deles é o Brasil. Mais especificamente, o estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela. O Brasil já reconheceu cerca de 59 mil pessoas como refugiadas, de diversas nações, de acordo com dados do ACNUR e do Comitê Nacional Para os Refugiados (Conare). Destas, 46 mil são venezuelanas.

Antes do início da pandemia de covid-19, cerca de 500 venezuelanos chegavam, em média, por dia a Roraima. Com o fechamento da fronteira para ajudar a controlar a doença, esse número caiu. No entanto, os venezuelanos continuaram vindo, mesmo em menor quantidade. O ACNUR estima que mais de 8 mil pessoas tenham entrado no Brasil por Roraima desde março de 2020.

Pensando em tudo isso, o Joca, o ACNUR e a organização Hands On Human Rights se uniram em um projeto para apoiar crianças e adolescentes venezuelanos. A ação Mi Casa, Tu Casa • Minha Casa, Sua Casa convida jovens de todo o Brasil a doar livros, participar de um crowdfunding (“vaquinha” virtual) e trocar mensagens com refugiados e migrantes da Venezuela que estão em 13 abrigos de Roraima.

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Refugiados do abrigo São Vicente, em Boa Vista, participam do concurso de arte Meu Futuro no Brasil, de 2020. Créditos das imagens desta reportagem: Reynesson Damasceno, Brayan Carmona, Vincent Tremeau Alan Santiago e Santiago Escobar-Jaramillo_ACNUR

“Acreditamos que a leitura possa levar conforto a essas crianças e adolescentes, permitindo que continuem projetando seu futuro. Mas os benefícios da ação vão além e também chegam aos jovens que se envolverem pelo Brasil. É uma oportunidade única de interagir com o que está acontecendo em nosso país vizinho. Ao participar da ação, os jovens serão os protagonistas dessa missão, colocando o projeto de pé”, explica Stéphanie Habrich, fundadora e diretora executiva do Joca.

Mi Casa, Tu Casa • Minha Casa, Sua Casa
Para José Egas, representante do ACNUR no Brasil, “o mais legal do projeto é proporcionar, com o envolvimento dos leitores e leitoras do Joca, uma oportunidade de leitura e lazer para as crianças e jovens da Venezuela. E também a possibilidade de que os leitores do jornal conheçam melhor a realidade dos seus vizinhos venezuelanos que estão refugiados no Brasil. Por meio dessa troca de conhecimento e desse contato, ainda que virtual ou por livros, iremos construir uma sociedade mais acolhedora e mais harmoniosa”.

A busca por uma sociedade diferente é também o que motiva Edgard Raoul, conselheiro da Hands On Human Rights. Para ele, enquanto as pessoas vulneráveis sofrem as consequências de nascer em determinado local, os outros, privilegiados, isolam-se em suas “ilhas seguras”. “Quem poderia mudar essa realidade não o faz. São adultos que carregam ideias fixas e preconceitos. O projeto Mi Casa, Tu Casa tira esse protagonismo dos adultos, entregando-o aos jovens. Estes, ainda em processo de formação, têm a sensibilidade e a força para questionar uma péssima realidade. A partir do momento que os jovens se conhecem e se entendem como seres humanos, qualquer diferença sobre nacionalidade, religião e cultura desaparece”, diz ele.

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Créditos das imagens desta reportagem: Reynesson Damasceno, Brayan Carmona, Vincent Tremeau Alan Santiago e Santiago Escobar-Jaramillo_ACNUR

Como participar do projeto Mi Casa, Tu Casa • Minha Casa, Sua Casa

Para doar livros

• Selecione livros infantojuvenis em português ou espanhol que tenha em casa e possa doar. Você também pode falar com familiares e amigos para que eles doem obras.

• Escreva dedicatórias nos livros que for doar para os jovens abrigados em Roraima. Essa atenção especial fará bastante diferença.

• Envie os livros para a redação do Joca até o dia 24 de maio.

Outra ideia que você pode colocar em prática é ligar ou enviar e-mails para editoras de livros no Brasil, solicitando doações de obras infantojuvenis para o projeto Mi Casa, Tu Casa.

Para colaborar com o crowdfunding
• Acesse o site conteudo.jornaljoca.com.br/mi-casa para conferir o regulamento.

• Converse com os professores e coordenadores da sua escola. Uma doação em conjunto da sua turma inteira ou da escola toda pode ser uma ideia interessante.

• Converse com seus pais, familiares e comunidade para ter mais ideias de arrecadação. Seja criativo: você pode até organizar rifas ou vender itens feitos por você, mesmo que on-line.

• Escolha um adulto para ser responsável pela doação no site do crowdfunding (um representante da sua escola, por exemplo).

• O dinheiro arrecadado será usado para construir os armários-bibliotecas (que receberão os livros nos abrigos de Roraima) e para outros custos da ação, comoa compra de caixas para enviar as obras.

Troca de cartas
Passar a viver em outro país envolve uma série de desafios. Um deles é entender a cultura local. E você pode ajudar os refugiados e migrantes da Venezuela nisso. Escreva uma carta ou e-mail contando um pouco sobre o seu dia a dia como brasileiro: o que gosta de fazer, suas comidas preferidas, músicas que curte escutar, entre outras informações.

Para participar, mande sua mensagem pelo correio ou por e-mail para a redação do Joca até 24 de maio. A equipe do jornal vai enviar o seu recado para os jovens venezuelanos em Roraima com selos, papel e canetas para que eles possam responder. Se quiser, coloque também o seu endereço ou e-mail para, talvez, começar a se comunicar com um venezuelano.

Endereço do Joca: Rua Dr. Antônio Bento, 560, conjunto 1007, Santo Amaro, São Paulo, SP, CEP: 04750-001
E-mail do Joca: joca@magiadeler.com.br

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Créditos das imagens desta reportagem: Reynesson Damasceno, Brayan Carmona, Vincent Tremeau Alan Santiago e Santiago Escobar-Jaramillo_ACNUR

Atuação do ACNUR em Roraima
O ACNUR está presente em Roraima desde 2017, quando houve um aumento na chegada de refugiados e migrantes da Venezuela ao Brasil. As equipes atuam nas cidades de Pacaraima, que faz fronteira com a Venezuela, e Boa Vista, capital do estado. “Trabalhamos para que refugiados e migrantes da Venezuela tenham documentos brasileiros, podendo, assim, acessar os serviços públicos de saúde e educação”, explica José Egas, representante do ACNUR no Brasil.

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Indígenas da Venezuela em um abrigo de Pacaraima, cidade na fronteira entre Roraima e a Venezuela. Créditos das imagens desta reportagem: Reynesson Damasceno, Brayan Carmona, Vincent Tremeau Alan Santiago e Santiago Escobar-Jaramillo_ACNUR

Toda a ação do ACNUR em Roraima acontece em parceria com a Operação Acolhida, resposta do governo federal brasileiro para atender às necessidades humanitárias de refugiados e migrantes venezuelanos na fronteira. Além disso, o trabalho é realizado com o apoio de outras organizações (da ONU e da sociedade civil) que atuam no local.

Atualmente, existem 13 abrigos da Operação Acolhida para venezuelanos em Roraima, onde vivem cerca de 6.600 pessoas, entre refugiados e migrantes.Entre elas, em torno de 47% têm entre 0 e 17 anos.

Também é importante lembrar que existe uma população de venezuelanos em Roraima que vive fora dos abrigos: estima-se que sejam cerca de 30 mil pessoas.

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Créditos das imagens desta reportagem: Reynesson Damasceno, Brayan Carmona, Vincent Tremeau Alan Santiago e Santiago Escobar-Jaramillo_ACNUR

Entenda a diferença
Refugiados: indivíduos forçados a deixar seu país por causa de guerras, conflitos e perseguições.
Migrantes: deixam o país de origem por vontade própria e razões diferentes das dos refugiados (como questões econômicas, busca por uma melhor educação ou emprego).

O que está acontecendo na Venezuela?
O país sofre uma intensa crise política, social, humanitáriae econômica (faltam alimentos, remédios e itensde higiene), o que leva os cidadãos a buscar ajuda emoutras nações. De acordo com dados da Organizaçãodas Nações Unidas (ONU) divulgados em fevereiro de2020, a crise na Venezuela levou 60% dos habitantes agastar todas as economias que tinham para comprarcomida. Saiba mais sobre a situação no país, que jádura alguns anos, nas edições 119, 124 e 125 do Joca.

Dados globais sobre os venezuelanos

Do total de 5,57 milhões de venezuelanos que deixaram seu país:
2,47 milhões têm vistos de residência temporária para viver em outra nação.
798.200 apresentaram pedidos de reconhecimento da condição de refugiado.
144.500 foram reconhecidos como refugiados.

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Créditos das imagens desta reportagem: Reynesson Damasceno, Brayan Carmona, Vincent Tremeau Alan Santiago e Santiago Escobar-Jaramillo_ACNUR

Principais origens de pessoas com reconhecimento de refugiado no Brasil:
Venezuela: 46 mil pessoas.
Síria: 3.900 pessoas.
República Democrática do Congo: 1.500 pessoas.
Angola: 1.400 pessoas.
Colômbia: 1.100 pessoas.

O que dizem os jovens que já estão participando da ação?

“Decidi me envolver porque fiquei muito interessado em saber mais sobre o ACNUR e o que eles fazem para ajudar e acolher os refugiados e migrantes. Também fiquei comovido com a situação de quem chega ao Brasil. Já aprendi que eles merecem e precisam ter uma condição boa de vida. Espero que o projeto traga muita alegria para essas crianças e adolescentes. E que eles consigam esquecer um pouco das dificuldades.” João Pedro F., 13 anos, São Paulo (SP)

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João Pedro F., 13 anos, São Paulo (SP). Foto: arquivo pessoal

“Quando ouvi sobre o projeto, achei que seria uma ótima chance para aprender mais sobre a Operação Acolhida. Tenho certeza de que levar livros terá um importante impacto na vida dos jovens venezuelanos. A leitura nos dá a oportunidade de entender outras culturas e mergulhar em mundos diferentes.” Beatriz de O. A., 13 anos, São Paulo (SP)

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Beatriz de O. A., 13 anos, São Paulo (SP). Foto: arquivo pessoal

“Decidi me envolver porque acho importante ajudar as pessoas. Antes, eu não sabia que isso [a questão dos refugiados venezuelanos] era um problema que existia, mas agora sei que é algo que acontece em Roraima e em outros lugares do mundo. Acho que esse projeto vai ajudar os jovens a se sentir bem recebidos e aceitos.” Alma C., 13 anos, São Paulo (SP)

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Alma C., 13 anos, São Paulo (SP). Foto: arquivo pessoal

Escute o episódio 50 do podcast Revisteen, uma parceira entre o Joca e a rádio CBN, sobre refugiados. Dê o play abaixo!

Fontes: ACNUR, relatório Tendências Globais 2019 – ACNUR (divulgado em junho de 2020) e ONU.

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Comentários (15)

  • Raffaella S. Mason, 7 anos

    1 semana atrás

    Oi Joca, amei essa ação, é muito legal, vou juntar livros e quero escrever email para os amigos Venezuelanos. Beijos

  • Camila 1

    2 semanas atrás

    Oi, Joca! Adorei a campanha, com certeza vou participar!

  • telma_liberti@hotmail.com

    2 semanas atrás

    CLARO QUE VAMOS PARTICIPAR!!!! OS ALUNOS DOS 5ºS ANOS DA EMEF LAERTE CRIARAM UM CONTO E A IDEIA SERÁ "RECONTAR" EM VÍDEO, PODCAST E CARTINHAS COMPARTILHANDO E INCENTIVANDO OUTRAS CRIANÇAS A ESCREVEREM BELAS HISTÓRIAS.

  • maria mac dowell santos

    2 semanas atrás

    Adorei a campanha amo quando o mundo e onesto

  • fabricio azevedo menezes

    2 semanas atrás

    DADADAD

  • maria mac dowell santos

    2 semanas atrás

    oi joga adorei a oferta como participo sou do 4 ano e tenho auguns livros que eu nao uso muito entao eu queria ajudar

  • Jornal Joca

    2 semanas atrás

    Oi, Maria! Obrigado por deixar seu comentário! Você pode enviar os livros para a redação do Joca, segue o endereço que também está na reportagem aqui desta página: Rua Dr. Antônio Bento, 560, conjunto 1007, Santo Amaro, São Paulo, SP, CEP: 04750-001 Para saber mais sobre o projeto, acesse o site: https://conteudo.jornaljoca.com.br/mi-casa

  • Radar Ler o Mundo #1 - O imposto sobre o livro e mais

    2 semanas atrás

    […] de Roraima e a compra de caixas para enviar as obras, por exemplo. Saiba mais como participar acessando a matéria.Você sabia que nós temos uma parceria bacana com o Joca? A coluna Ler o Mundo com o Joca traz […]

  • Camila Lopes

    2 semanas atrás

    Oi, Joca! Adorei a ideia da campanha!

  • Samira Izar Medeiros

    2 semanas atrás

    Juliana I. M. Escola Bakhita. 5°ano A. Oi, Joca você pode me explicar como é pra fazer a carta e como participar?

  • Jornal Joca

    2 semanas atrás

    Olá, Juliana! Você encontra dicas para fazer a carta e a forma de participar aqui nesta página mesmo, no tópico "troca de carta". Para saber mais informações sobre o projeto, acesse o site da ação: https://conteudo.jornaljoca.com.br/mi-casa Se tiver alguma outra dúvida, escreva para joca@magiadeler.com.br

  • Camila 1

    2 semanas atrás

    Oi, Joca! Podem explicar como funciona a doação?

  • Jornal Joca

    2 semanas atrás

    Olá, Camila! Obrigado por deixar seu comentário por aqui! Todas as informações sobre a doação para o projeto estão no site: https://conteudo.jornaljoca.com.br/mi-casa Se tiver alguma outra dúvida, escreva para a gente no e-mail contato@magiadeler.com.br

  • Camila 1

    3 semanas atrás

    Oi, Joca! Adorei a campanha, como posso participar?

  • Jornal Joca

    3 semanas atrás

    Olá, Camila! Que legal que você gostou! Todos os detalhes para a participar estão no site da campanha: https://conteudo.jornaljoca.com.br/mi-casa Se tiver qualquer outra dúvida, escreva para a gente no e-mail contato@magiadeler.com.br :)

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