A falta de internet em casa tem afetado milhares de jovens ao redor do mundo e feito com que muitos tenham dificuldade de estudar a distância. Embora não exista uma pesquisa que mostre o número exato de crianças e adolescentes no planeta sem acesso à rede, sabe-se que essa é uma questão que atinge diversos países.

No México, apenas 52% das residências tinham acesso à internet em 2018, segundo a última pesquisa do Instituto Nacional de Geografia e Estatística do país. Mesmo em nações desenvolvidas, como os Estados Unidos, pessoas de classes baixas, principalmente imigrantes, sofrem com a ausência de rede em casa. Ao todo, 30% dos alunos do ensino fundamental de escolas públicas do país moram em locais onde não há acesso à internet ou aparelhos que permitem o estudo remoto, de acordo com um estudo feito pela organização Common Sense Media e pelo Grupo de Consultoria de Boston.

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#pracegover: a imagem traz um mapa-múndi acompanhado de um gráfico, que mostra a porcentagem da população com acesso à internet pelo mundo. O mapa e o gráfico apontam essa porcentagem nos seguintes países: Estados Unidos, Japão, Argentina, Brasil, Iêmen, África do Sul, Nova Zelândia, Noruega, Congo, Haiti e Reino Unido. Pelo gráfico, a Noruega tem o maior índice, enquanto o Congo possui o menor. Os dados são do Banco Mundial entre 2017 e 2019. Imagem: reprodução jornal Joca

Para ajudar a lidar com a questão, pessoas estão se mobilizando para levar internet gratuita aos estudantes que não têm conexão em casa. A seguir, confira algumas dessas iniciativas.

Wi-Fi sobre rodas
Na Califórnia, nos EUA, cerca de 200 alunos passaram a ter acesso à internet graças ao projeto Wi-Fi Sobre Rodas, criado pela empresa de transporte escolar JFK Transportation. A equipe estaciona vans com retransmissores de internet em cinco bairros em que há muitos estudantes sem rede. Cada veículo tem sinal de Wi-Fi que chega a 350 metros de distância.

Combiteca
No México, o professor de educação física Fray Antonio Alfaro criou a Combiteca (mistura de Kombi com biblioteca), que leva internet gratuita a alunos sem conexão no estado de Chiapas. Ao perceber que muitos não conseguiam acompanhar as aulas remotas por falta de estrutura, ele resolveu colocar uma antena e um computador no próprio veículo, uma Kombi, e percorrer os bairros carentes.

Situação do Brasil
O país tem 4,8 milhões de crianças e adolescentes sem internet em casa, segundo dados divulgados em 2020 pelo Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef). Isso corresponde a 17% de todos os brasileiros entre 9 e 17 anos.

Assim como no exterior, iniciativas por aqui tentam levar internet para os jovens estudarem de forma remota. Uma das ações partiu da Central Única das Favelas (Cufa), que, desde setembro, distribui chips de celular com internet para mães de Heliópolis, a maior comunidade da cidade de São Paulo. Além disso, a central está instalando pontos de Wi-Fi no local. No futuro, a ideia é de que o projeto leve internet para cerca de 2 milhões de pessoas de comunidades de todo o país.

Fontes: Banco Mundial, CBSLA, Center For Digital Education, Estadão, Instituto Nacional de Geografia e Estatística e G1.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 159 do jornal Joca.

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