Mulher da tribo borana, na Etiópia, bebe água de reservatório usado por animais. #PraCegoVer: Uma mulher africana com roupas coloridas e um lenço colorido na cabeça bebe água de um pequeno amarelo à beira de um rio. Ao longo do rio existem outra pessoas também bebendo água e vestindo roupas coloridas. Foto: Eric Lafforgue/Art In All Of Us/Corbis via Getty Images.

Mais de 2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) publicado três dias antes do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março. O documento Não Deixar Ninguém Para Trás foi lançado em Genebra, na Suíça.

De acordo com o estudo, em 2015, três em dez pessoas (2,1 bilhões de indivíduos ou 29% da população mundial) não tinham acesso à água tratada e própria para consumo humano e seis a cada dez (4,5 bilhões ou mais da metade da população mundial) não dispunham de instalações adequadas de saneamento básico, como esgoto tratado e banheiro.

O acesso à água é reconhecido internacionalmente como um direito humano. Segundo a ONU, a falta do recurso e de saneamento pode provocar doenças e até mesmo dificultar que uma pessoa consiga trabalhar ou ir à escola.

Na África Subsaariana (ao sul do deserto do Saara), apenas 24% das pessoas têm acesso à água potável e 28% dispõem de instalações de saneamento não compartilhadas com outras famílias.

Agricultura
Segundo o relatório, o consumo de água cresce 1% a cada ano desde 1980. Se esse ritmo for mantido, a previsão é de que, em 2050, o gasto de água no mundo seja de 20% a 30% maior do que o atual. A agricultura é o setor em que mais se usa água, com 69% do consumo total. A utilização por indústrias corresponde a 20% e casas, a 12%.

Ricos e pobres
Também há diferenças dentro dos países, especialmente entre ricos e pobres. Pessoas que vivem em moradias precárias nas cidades, como em favelas, podem chegar a pagar até 20 vezes mais do que vizinhos de bairros ricos para ter água de qualidade parecida ou inferior. Como a água potável não costuma ser canalizada nesses lugares, os moradores recorrem a vendedores ou caminhões-pipa para obtê-la, o que acaba custando mais.

Mundo e Brasil
A dificuldade de acesso à água varia pelo planeta. Metade das pessoas que tomam água de fontes não seguras vive no continente africano, onde até meia hora é gasta a cada viagem em busca de água adequada para consumo. No Brasil, grande parte dos domicílios (85,7%) tem abastecimento adequado de água, mas o acesso é desigual. Na Região Norte, só 59,2% das casas são ligadas à rede de distribuição. Enquanto 86,7% dos lares brasileiros recebem água todo dia, no Nordeste o percentual cai para 66%. Além disso, em um terço das casas do país o esgoto não vai para as redes de tratamento (do qual a água retorna ao meio ambiente limpa) e é descartado até em rios. Os dados são de 2017, publicados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fontes: Agência Brasil e ONU.

Reportagem originalmente publicada na edição 128 do jornal Joca.

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