Por Maria Carolina Cristianini

Desde agosto de 2018, o empresário Carlos Wizard vive em novo endereço: ele saiu de Campinas (São Paulo), ao lado da esposa, e foi morar em Boa Vista (Roraima) para ajudar venezuelanos que chegam ao Brasil. O casal atua como voluntário no processo de interiorização — ou seja, os dois ajudam a fazer a transferência dos venezuelanos que chegam a Roraima para outros estados brasileiros. Em entrevista ao Joca, Carlos Wizard contou mais detalhes sobre o trabalho que ele e a esposa estão realizando. Leia a seguir.

O empresário Carlos Wizard / #pracegover: O empresário Carlos Wizard veste camisa branca e calça jeans. Ele está de braços cruzados, em frente a um tapume com o nome da Operação Acolhida. Ele usa óculos. Crédito de imagem: Calos Martins.

O que o levou a se mudar para Roraima?

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias indicou Vânia, minha esposa, e eu para contribuir com a causa dos refugiados como voluntários em uma missão humanitária em Roraima. Nós aceitamos o desafio.

Como é o trabalho que estão fazendo?

A ideia principal é promover a interiorização dos venezuelanos. Para isso, buscamos oportunidades para que os milhares de pessoas que chegam ao país reconstruam a vida em outras cidades e tenham acesso à moradia, educação para os filhos, alimentação, saúde, emprego e renda. Buscamos apoio de líderes empresariais, comunitários, religiosos, representantes do poder público e da sociedade civil que tenham o desejo de contribuir com a causa.

Como funciona o processo de interiorização?

Quando chegam ao país, os venezuelanos são recebidos em um dos 13 abrigos existentes em Roraima e encaminhados para serem vacinados e preparar a documentação necessária. Nós recebemos as famílias, cadastramos, identificamos pessoas em outras partes do país que possam acolhê-las,  intermediamos a ida para outras localidades e acompanhamos essas famílias até o aeroporto. Nas novas cidades, elas são encaminhadas para o mercado de trabalho.

Como podemos ajudar os venezuelanos?

Somos mais de 200 milhões de pessoas no Brasil. Se cada um fizer um pouco, conseguiremos solucionar essa questão migratória. Existem muitas formas de colaborar: mobilizando pessoas,  fazendo doações de alimentos, roupas, medicamentos, com ajuda financeira para promover o traslado [mudança para outra cidade] dos venezuelanos, oferecendo novos postos de trabalho ou dedicando parte do tempo para realizar ações in loco [no local]. Criamos uma central de atendimento para quem quiser nos contatar via WhatsApp: (19) 99955-9050.

Operação acolhida 

O trabalho de interiorização de venezuelanos pelo Brasil tem o apoio da Operação Acolhida. Lançada  em março de 2018, a ação envolve cerca de 600 militares. Até julho de 2019, o projeto já havia auxiliado na transferência de cerca de 15 mil venezuelanos. De acordo com anúncio do governo federal e do governo de Roraima, a Operação Acolhida seguirá em atividade até março de 2020.

#pracegover: a foto mostra um grupo de venezuelanos andando na beira de uma avenida em Pacaraima, no Brasil. Eles carregam mochilas e objetos pessoais. Crédito: Victor Moriyama/Getty Images.

Quem é Carlos Wizard? 

Atualmente, Carlos Wizard é presidente do grupo Sforza, que reúne mais de 20 empresas, como Mundo Verde, Pizza Hut, KFC, Taco Bell e Wise Up (escola de idiomas com mais de 400 unidades no Brasil).  Mas a história dele começou muito tempo atrás, com a fundação da escola de idiomas Wizard, em 1987 — a marca foi vendida em 2013. Carlos Wizard também é autor de livros e palestrante.

Em todo o mundo, existem 3,4 milhões de refugiados e migrantes da Venezuela. Cerca de 96 mil deles estão no Brasil.

Fontes: Agência Brasil, Agência da Organização das Nações Unidas Para Refugiados (Acnur), Casa Civil/Governo Federal, Folha de S.Paulo, G1 e Organização Internacional Para Migrações (OIM).

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 134 do jornal Joca.

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