Alunos da EMEF Paulo Gonçalo preparam almoço para a comunidade. Créditos de Imagem: arquivo pessoal/reprodução

A refeição coletiva é um dos pilares para a criação de diferentes vínculos: escuta, senso de compartilhamento e desenvolvimento da socialização durante a alimentação. No entanto, quando o alimento é feito por quem o ingere, há o surgimento de uma consciência ainda mais forte sobre a própria comida e hábitos alimentares saudáveis. 

No Colégio Albert Sabin, localizado na zona oeste de São Paulo (SP), o projeto Cozinha Experimental busca trazer a culinária para a primeira infância, a alunos do 1º ao 5º ano. Por meio dele, as crianças têm o primeiro contato com novas texturas, aromas e receitas, incluindo principalmente pratos saudáveis, que desmistificam a ideia de que comidas naturais não são saborosas. 

“A cozinha experimental tem esse duplo sentido, também como um laboratório, um espaço de pesquisa e descobertas, para ver a transformação do alimento. Dentro de todo esse processo que remete às aprendizagens científicas, a cozinha é o primeiro laboratório  da infância. É muito importante nutrir essa curiosidade, ampliar os paladares e os saberes sobre alimentação”,

explica Silvia Adrião, coordenadora infantil do Albert Sabin. 
Horta na escola Albert Sabin: alunos colhem os próprios alimentos utilizados na Cozinha Experimental. Crédito de imagem: arquivo pessoal/reprodução

Entre as receitas preparadas na Cozinha Experimental estão o sorvete de brócolis, o cupcake de banana, o smoothie de pitaya e muito mais. Outro ponto importante no projeto é a relação da culinária com outras áreas de ensino. Na cozinha é possível vivenciar o que os alunos aprenderam em aula. Por exemplo: após o estudo sobre biologia marinha, os estudantes prepararam receitas com algas. 

“A parte mais legal é ver a transformação. Por exemplo, quando eu coloquei limão no macarrão, ficou verde. O que eu mais gostei de fazer foi o macarrão colorido”,

conta Sara F., de 5 anos, sobre suas experiências na Cozinha Experimental. 

Essa correlação dos saberes também aconteceu no projeto Estudante Gourmet, realizado no CEU Emef Prof. Paulo Gonçalo dos Santos, em Balneário São Francisco (SP), dentro do Projeto de Apoio Pedagógico (PAP), que traz diferentes atividades e iniciativas para estudantes em processo de recuperação. Alunos do 3º ao 6º ano interpretaram receitas, compraram ingredientes no mercado e na feira e prepararam um almoço para pais e convidados. 

“Dentro do Estudante Gourmet, o professor de matemática trabalhava, por exemplo, proporções e medidas: como ampliar a receita de um bolinho individual para toda a sala? O professor de geografia trouxe o estudo de receitas regionais; em história, estudamos como a humanidade se alimentou ao longo da história. A gente conseguiu trazer isso dando um significado para o aluno”, explica Lucimara Gabriel, professora do PAP e uma das idealizadoras do Estudante Gourmet. Já Francisco do Amparo Lopes, professor de geografia, diz que o projeto também é importante para que os alunos entendam os aspectos sociais e históricos que envolvem a alimentação. “Em alguns casos, os estudantes não possuem acesso a refeições completas, lidamos com diferentes realidades”, comenta.

“A parte mais legal de participar do projeto do Estudante Gourmet foi poder escolher os ingredientes, comprar e preparar com os professores e também com os familiares, inclusive a minha mãe estava lá [no dia do almoço]. O projeto teve um impacto positivo aos alunos que tinham dificuldades, e o que eu mais gostei de preparar foi o escondidinho de frango”, conta Ketelyn S., de 11 anos, aluna do 6º ano que participou do Estudante Gourmet. 

Almoço servido pelos estudantes do CEU Emef Prof. Paulo Gonçalo com escondidinho de frango, purê de batata e farofa com bacon. Crédito de imagem: arquivo pessoal/reprodução

Memória afetiva alimentar 

Para a coordenadora do Albert Sabin, o contato com a culinária durante a infância reforça a criação de memórias afetivas relacionadas à alimentação. Receitas de família e lembranças pessoais passam a ser um momento compartilhado com os amigos durante o ensino. “Em uma das turmas, fizemos um projeto bem bonito. Cada criança trouxe uma receita da família que tivesse uma história especial. E aí a gente convidou essa pessoa para compartilhar a história daquela receita com a classe.”

“Nas conversas, eles costumam lembrar: ‘Nossa, professora, minha avó faz o melhor cuscuz do mundo’. E aí conseguimos trabalhar por meio dessas memórias”, 

ressalta Lucimara, uma das idealizadoras do Estudante Gourmet.

Fonte: SME.

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Comentários (1)

  • Leila Cristina Despincieri Santos

    1 mês atrás

    E aí, galera do Jornal Joca, tudo bem? Nós achamos interessante a matéria dos alunos fazendo receitas no espaço da sala de aula, porque os segundos anos da nossa escola também farão! Será o produto final do nosso Projeto de leitura: "Receitas prediletas da turma". Até a próxima sexta-feira! 2º ano A - EMEF. Dr. João Mendes Júnior - Assis/SP

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