A Agência Espacial Europeia (ESA) selecionou uma jovem brasileira, Ana Paula Castro, de 27 anos, para fazer parte de uma missão espacial simulada que aconteceu em dezembro no Havaí. Esse tipo de missão é um treinamento que futuros astronautas fazem para entender como funcionam as missões espaciais reais.

Para comemorar o Dia do Astronauta, o Joca entrevistou a Ana Paula para saber como funciona esse tipo de simulação e o que é preciso fazer para seguir essa profissão. Confira!

Ana Paula pode ser a primeira astronauta brasileira. Foto: Arquivo pessoal
Ana Paula pode ser a primeira astronauta brasileira. Foto: Arquivo pessoal

Você passou por um processo de seleção até ser escolhida para a missão. Como foi isso?
Para chegar até aqui, na simulação, foi um longo caminho. Primeiro, eu me formei em engenharia aeroespacial pela Universidade de Brasília (UnB), depois, fui para um mestrado [um tipo de curso que as pessoas podem fazer depois que terminam a universidade para se aprofundar na área que estudaram] na China, onde  ainda estou estudando direito espacial [que estuda questões como preservação ambiental tanto da Terra como do espaço e resgate de astronautas]. Por causa do mestrado eu fiz um estágio no Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) Para Assuntos do Espaço Exterior. 

Nesse estágio, eu descobri essa simulação. Quando soube que eles estavam precisando de engenheiros, eu mandei meu currículo com uma carta de motivação [um documento que explicava os motivos pelos quais ela queria participar da missão] e fui selecionada.

Como funciona a missão espacial de que você participou em dezembro?
Uma missão espacial simulada são testes feitos em um lugar parecido com os ambientes extremos – locais onde seria muito difícil sobreviver  em razão das condições, como temperatura, acessibilidade a diferentes fontes de energia ou alta pressão – que a gente pode achar no espaço. Eles acontecem em lugares que não possuem muitos habitantes, justamente pelo fato de serem locais extremos, como a Antártida. Nessa missão, estamos na base de um vulcão, mas esses testes também podem ser feitos em oceanos e desertos. Eles são muito importantes porque são um treinamento para as missões espaciais de verdade. A gente se veste, age, come e faz tudo como astronautas. Infelizmente, como estamos na Terra, não temos como simular a gravidade. Mas aqui estamos simulando como se estivéssemos morando na Lua, então tem baixa gravidade, mas, ainda assim, tem gravidade.

Qual era o objetivo da missão?
Testar as tecnologias necessárias para morar na Lua e fazer experimentos, para ver como funcionaria alguns aspectos, como a comunicação. A gente também estuda os efeitos de ficar isolado no comportamento das pessoas. Por exemplo, estudamos como é ficar isolado com uma equipe que não é sua família e quais são os efeitos de ter uma alimentação muito repetitiva, porque nosso cardápio aqui não é muito variado. Nós temos uma pequena seleção de comidas disponíveis, então, precisamos ser bem criativos para não enjoar da comida.

Outra atividade importante desse tipo de missão é que, por estar em um vulcão, esse cenário parece muito com a Lua e com Marte há alguns anos. Os vulcões possuem “tubos de lavas”, que são cavernas que foram formadas quando a lava foi se movimentando e, depois de muitos anos, ficam sólidas e se tornam ambientes muito seguros para a gente construir a habitação, porque eles nos protegeriam da radiação [tipo de energia que, quando em níveis muito altos, pode causar problemas para a saúde, como queimaduras] do espaço e poderiam nos proteger de meteoritos. Então, seria um local ideal para morar lá fora.  

Essa experiência é mais um passo para você ir para o espaço no futuro?
Com certeza, porque ela vai me dar a experiência de viver em um ambiente extremo, com comunicação limitada e a experiência em si de ser astronauta. 

Do que é preciso para ser astronauta?
É muito importante estudar bastante. Para ser astronauta, é necessário, no mínimo, ter terminado a universidade e adquirir experiência profissional. Pode ser em várias áreas, não só engenharia. Por exemplo, você pode estudar física, ciências da computação, matemática… 

Outra coisa muito importante é cuidar do corpo. Astronautas precisam ser fortes, então é necessário praticar exercícios físicos. Quando a gente sai com a roupa de astronauta, é bem difícil, muita gente precisa parar para retomar o ar. Por isso, temos que nos exercitar todos os dias aqui na simulação por uma hora, além de comer bem. Também acho que também vale a pena investir no inglês, se for possível. É sempre bom aprender outras línguas, isso pode abrir muitas portas.

Como você se sente podendo ser a primeira astronauta brasileira?
Eu fico muito feliz e honrada em poder ser a primeira astronauta brasileira, mas ainda preciso de muita experiência na área para tentar entrar em um programa de treinamento de astronauta. 

Eu fico muito grata em trazer essa representatividade para o Brasil, não só por ser brasileira, como também pela minha história. Estudei em um colégio público durante a minha vida inteira, me formei em uma universidade pública e tudo o que eu consegui foi com bolsas ou a ajuda de vaquinhas, tanto para ir para a China como para essa simulação, em que tive o apoio da Agência Espacial Brasileira. 

Quero muito me tornar a primeira astronauta do Brasil para inspirar crianças e jovens e mostrar que, se você persistir, é possível conseguir qualquer coisa. É só investir muito esforço e dedicação, porque nós, brasileiros, temos muito potencial, só nos faltam oportunidades. 

Que conselho você daria para crianças que querem ser astronautas?
Minha dica é: sejam curiosos e curiosas. O que move a ciência hoje é a curiosidade, então, tente entender como as coisas funcionam, o que são os elementos que vemos no céu, como funcionam os fenômenos naturais etc.

Comentários (9)

  • liara

    2 semanas atrás

    muinto legal eu liara vou ser astronalta quando qreser

  • maria gaby

    1 mês atrás

    parece ser muito legal se uma astronalta

  • ana clara

    2 meses atrás

    otima entrevista

  • laura viana matos

    2 meses atrás

    otima entravista

  • Marcelo Marçal Vieira Júnior

    4 meses atrás

    Meu Deus das simulações

  • Maria Valelentina Tavares

    4 meses atrás

    Eu adorei o jornal Joca e principalmente a entrevista da possível astronauta brasileira.

  • João Luís Melo Pacifico de Souza

    5 meses atrás

    o joca e incrivel

  • João Luís Melo Pacifico de Souza

    5 meses atrás

    toma nassa

  • João Luís Melo Pacifico de Souza

    5 meses atrás

    meu deus do espaço

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