Unsincere child with long nose


Por 
Instituto Pensi – Hospital Infantil Sabará*

Marina de três anos é surpreendida em seu quarto pelo grito de espanto de sua mãe diante de tanta bagunça. Todas as bonecas, panelinhas e peças de jogos espalhados por todos os cantos. Ela nem hesitou quando disse: Mamãe uma bruxa veio aqui e fez toda esta bagunça!

Nessa hora, toda mãe não sabe se ri ou se chora diante de tamanha esperteza dos filhos. Na realidade Marina, como muitas outras crianças entre dois e seis anos de idade, inventam muitas histórias que, para o adulto, pode soar como mentira. Nessa fase, no entanto, a fantasia e a realidade ainda se confundem e a bruxa bagunceira da Marina, não é nem  de verdade, nem de mentira … é de faz de conta!

A criança pequena vive o imaginário de maneira real. É só colocar uma máscara e uma fantasia que qualquer um pode se transformar em uma linda princesa ou um super-herói de “verdade“. Uma realidade fantasiosa, onde os desejos, os gostos e as vontades se concretizam através da imaginação. Uma cadeira pode virar um carro, um lençol passa a ser um palácio de princesas e um cabo de vassoura uma espada mágica.

Nessa mesma linha de pensamento, aparecem as “mentirinhas“, ainda inocentes, já que nesta fase a invenção não é elaborada no intuito de se livrar de uma bronca ou punição. Isso ocorrerá por volta dos sete anos, quando a criança possui o discernimento entre o certo e o errado, ação e reação, causa e consequência.

A partir dos sete anos a mentira entra em cena, como uma forma de se safar de um castigo ou de se livrar da culpa por um erro ou até mesmo uma forma de ser aceito pelos amigos.

É na infância que os valores morais, sociais e familiares são apresentados às crianças. Faz parte do desenvolvimento infantil, a criança procurar formas de escapar dos combinados e não querer assumir as suas responsabilidades (próprias de cada idade).

A postura da família deve ser de estimular a criança a pensar em  outras estratégias e formas de assumir o erro ou as consequências de seus atos sem tirar o corpo fora. Mesmo tendo feito algo errado, deve-se reconhecer e valorizar quando a criança disser a verdade pelo fato de ela ter assumido a culpa, sem minimizar o mal feito. Mas lembrem-se, não adianta exigir do filho que diga sempre a verdade e, ao mesmo tempo, pedir para ele dizer àquela tia chata que você não está em casa quando tocar o telefone. Faça o que digo, mas não faça o que eu faço, não serve no mundo infantil. Nesta fase, vale mais um bom exemplo do que palavras vagas.

Na fase pré-escolar, onde a mentira está mais associada ao faz de conta, os pais podem aproveitar o mesmo recurso fantasioso para transmitir a mensagem à criança.

No caso da Marina, a sua mãe poderia dizer: Então, vamos mostrar para esta bruxa bagunceira como deixar o quarto arrumado, para que ela aprenda esta lição! E assim, a criança seria incluída na consequência de sua ação, sem a necessidade de destacá-la.

Histórias infantis em que o tema principal é a mentira podem ajudar os pais das crianças mais velhas. Pedro e o lobo, por exemplo, conta a história de um menino que mentia tanto que quando falou a verdade ninguém acreditou. O nariz de Pinóquio, o famoso boneco de madeira que ganhou vida,  crescia quando ele não falava a verdade, da mesma maneira que a mentira pode começar pequenina e crescer sem controle.

E não é somente na infância que as pessoas mentem. É comum, nos noticiários, nos depararmos com tristes notícias de jovens adolescentes que, ao mentirem para os pais, acabam indo para longe de casa, se envolvendo em situações de risco e até mesmo perdendo a vida em meio a tanta violência. Isso acontece porque as mentiras dos adolescentes tornam-se muito mais elaboradas e convincentes, regadas com ingredientes perigosos: impulsividade, inconsequência e autoconfiança demais.

Nem todas as mentiras dos jovens têm consequências graves, mas ao o fato de tornarem-se uma constante,  pode indicar a existência de problemas emocionais ou sociais. Assim, a mentira pode ter sido a maneira que ele encontrou de ser aceito pelo grupo ou até mesmo uma maneira de inventar uma pessoa diferente de quem é (baixa autoestima).

E se na primeira infância falamos que mentir só faz aumentar o nariz, é preciso ensinar  aos  nossos filhos que, no mundo real, a mentira faz com que as pessoas percam a confiança e o respeito, e que não há fadas pelo caminho.

*Texto escrito por  Déborah Moss – psicóloga, mestre em Psicologia do Desenvolvimento e especialista em Neuropsicologia

Criado em 20/07/16 10h32 e atualizado em 20/07/16 10h52 

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Marina de três anos é surpreendida em seu quarto pelo grito de espanto de sua mãe diante de tanta bagunça. Todas as bonecas, panelinhas e peças de jogos espalhados por todos os cantos. Ela nem hesitou quando disse: Mamãe uma bruxa veio aqui e fez toda esta bagunça!

Nessa hora toda mãe não sabe se ri ou se chora frente a tamanha esperteza dos filhos. Na realidade Marina, como muitas outras crianças entre dois e seis anos de idade, inventam muitas histórias, que para o adulto, a partir do seu repertório de gente grande  pode soar como mentira. No entanto, nessa fase, a fantasia e realidade ainda se confundem e a bruxa bagunceira da Marina, não é nem  de verdade, nem de mentira … é de faz de conta!

A criança pequena vive o imaginário de maneira real. É só colocar uma máscara e uma fantasia que qualquer um pode se transformar em uma linda princesa ou um super-herói de “verdade“. Uma realidade fantasiosa, onde os desejos, os gostos e as vontades se concretizam através da imaginação. Uma cadeira pode virar um carro, um lençol passa a ser um palácio de princesas e um cabo de vassoura uma espada mágica.

Nessa mesma linha de pensamento, aparecem as “mentirinhas“, ainda inocentes, já que nesta fase a invenção não é elaborada no intuito de se livrar de uma bronca ou punição. Isso ocorrerá por volta dos sete anos, quando a criança possui o discernimento entre o certo e o errado, ação e reação, causa e consequência.

A partir dos sete anos a mentira entra em cena, como uma forma de se safar de um castigo ou de se livrar da culpa por um erro ou até mesmo uma forma de ser aceito pelos amigos.

É na infância que os valores morais, sociais e familiares são apresentados às crianças. Faz parte do desenvolvimento infantil, a criança procurar formas de escapar dos combinados e não querer assumir as suas responsabilidades (próprias de cada idade).

A postura da família deve ser de estimular a criança a pensar em  outras estratégias e formas de assumir o erro ou consequência dos seus atos sem tirar o corpo fora. Quando a criança disser a verdade, mesmo tendo feito algo errado, é importante que se reconheça e valorize o fato de ela ter assumido a culpa, sem minimizar o mal feito. Mas lembrem-se, não adianta exigir do filho que diga sempre a verdade e, ao mesmo tempo, pedir para ele dizer à aquela tia chata que você não está em casa quando tocar o telefone. Faça o que digo, mas não faça o que eu faço, não serve no mundo infantil. Nesta fase, vale mais um bom exemplo do que vagas palavras.

Na fase pré-escolar, onde a mentira está mais associada ao faz de conta, os pais podem aproveitar o mesmo recurso fantasioso para transmitir a mensagem à criança.

No caso da Marina, a sua mãe poderia dizer: Então, vamos mostrar para esta bruxa bagunceira como deixar o quarto arrumado, para que ela aprenda esta lição! E assim, a criança será incluída na consequência de sua ação, sem  a necessidade de  apontar o dedo para ela.

Algumas histórias infantis, onde o tema principal é a mentira, podem ajudar os pais das crianças mais velhas.  Pedro e o Lobo, o menino que mentia tanto que quando falou a verdade ninguém acreditou, consequência natural de todo o mentiroso e Pinóquio, a famosa história do menino de madeira que quando ele não falava a verdade o seu nariz crescia; assim como a mentira, que muitas vezes começa pequenina e cresce sem controle.

E se na infância a mentira tem perna curta, o ditado popular não condiz com a adolescência. Infelizmente, é comum nos noticiários jovens que mentem para os pais e, acabam indo longe de casa, se envolvendo em situações de risco e perdem a vida em meio a tanta violência.  O repertório do adolescente se torna muito mais elaborado e convincente, mas regado com ingredientes perigosos: impulsividade, inconsequência e auto confiança demais.

No entanto, nem toda a mentira do jovem, gera consequências graves, mas quando se torna constante,  pode ser um indicio de problemas emocionais ou sociais, podendo ser a forma que ele encontrou de ser aceito pelo grupo ou uma maneira de inventar uma pessoa diferente de quem é (baixa auto estima).

E se na primeira infância mentir só aumenta, de faz de conta, o nariz, é preciso ensinar  aos  nossos filhos que com a mentira, no mundo real, se diminui a confiança e o respeito, e não há fadas pelo caminho.

*Texto escrito por  Déborah Moss – psicóloga, mestre em Psicologia do Desenvolvimento e especialista em Neuropsicologia

 

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Comentários (3)

  • Kamren

    4 anos atrás

    I found just what I was needed!

  • Marlien

    4 anos atrás

    Kewl you should come up with that.

  • Samuel Morais Drury

    5 anos atrás

    melhor coisa

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