Artigo escrito pela repórter mirim Ana Clara C. de O., do 5-A do Colégio Notre Dame

Dia D de mobilização da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Sarampo. Foto: Marcelo Camargo/Abr

Como a vacina funciona?
A vacina é uma substância que contém o vírus da doença morto ou enfraquecido. Assim, quando o nosso corpo receber a mensagem de que há um intruso, ele irá combater com o vírus. Quando o vírus de verdade aparecer, o nosso corpo já vai saber como reagir.

Como ela surgiu?
A primeira vacina foi criada por um médico inglês, Edward Jenner, que observou que muitas pessoas não ficavam doentes mesmo quando entravam em contato com o vírus da varíola humana, uma doença que pode levar a morte. Em 1796, os pais de um menino estavam com medo que seu filho pegasse varíola e pediram ajuda ao médico. O doutor Jenner fez alguns arranhões no braço do menino e contaminou o local com pus (saiba o que é no Glossário), retirado de uma ferida de varíola de vaca. O garoto teve apenas uma infecção leve e se recuperou rapidamente. Tempos depois, quando entrou em contato com o vírus da varíola humana, ele não ficou doente.

Hoje em dia também há a vacina de gotinha, que é aplicada na boca.

Por que há pessoas contra vacinação?
Em 1998, um médico chamado Andrew Wakefield publicou em estudo relacionando autismo em crianças com a vacina MMR – a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Seu estudo tinha apenas 12 pacientes e nenhum fundamento científico. Ele afirmava categoricamente que a vacina era a causa do autismo de seus pacientes. Anos depois, descobriu-se que não somente o estudo era uma fraude, com todos os dados forjados, como também que o doutor havia sido financiado por um advogado que pretendia lucrar milhões processando os fabricantes de vacina, e que ele mesmo pretendia patentear uma nova vacina para substituir a MMR. Wakefield nunca foi contra as vacinas, ele apenas queria vender sua própria vacina exclusiva contra o sarampo. O médico foi julgado na Inglaterra e considerado culpado de fraude e conspiração. A revista retirou o estudo e se retratou. Wakefield teve sua licença cassada e foi demitido do instituto onde trabalhava.

Ainda assim, ele conquistou seguidores em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos, onde teve início um movimento antivacinação sem precedentes na história. Por causa de um estudo falso, hoje milhares de pessoas estão convencidas de que vacinas, como um todo – e não somente a MMR – são a causa do autismo.

O número de crianças não vacinadas está crescendo. Doenças antigas, quase erradicadas, estão reemergindo. Em 2004, na Inglaterra, houve o primeiro surto de sarampo, e a primeira morte pela doença, em 17 anos. Em 2013, ocorreu outro surto de sarampo na Califórnia, EUA.

No Brasil, em 2014, registraram-se dois casos de coqueluche em uma família de classe alta em São Paulo. As crianças não tinham sido vacinadas por escolha os pais, que temiam o desenvolvimento de autismo e tumores! A filha mais velha, com 6 anos, contraiu a doença e a transmitiu para a sua irmã, que tinha meses de idade. A bebê estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) lutando por sua vida, enquanto a mãe declarava que a filha mais velha sofreu semanas com intensa falta de ar.
Como explicar então que, apesar disso, existem grupos professando religiosamente um movimento contra a vacinação? Como entender que possa haver famílias que deliberadamente escolhem não vacinar seus filhos contra essas doenças terríveis, tão temidas no passado?

Segundo a infectologista Julia, as vacinas são a medida mais bem-sucedida da história da medicina “Se aplicarmos as recomendadas no calendário vacinal em 4 milhões de crianças, por exemplo, estima-se que poderemos prevenir 20 milhões de doenças e 42 mil mortes ao longo da vida destas pessoas vacinadas. Caso deixemos de vaciná-las, por outro lado, há um risco – não apenas individual, como também para a sociedade – de que doenças infecciosas, inclusive as consideradas erradicadas em determinadas áreas, sejam reintroduzidas nestes locais”.

O que pensam as pessoas que defendem vacinas?

Na minha opinião, a vacina é uma importante medida preventiva pois várias doenças já foram erradicadas por causa dela.Também acho que nós deveríamos prevenir que imigrantes não vacinados entrem no nosso país. Há pessoas no Brasil que não tomaram certas vacinas, porém, só não estão doentes porque todos à sua volta estão vacinados. Então sugiro que construam como se fossem postos de saúde perto de rodoviárias, aeroportos, fronteiras, para esses imigrantes não vacinados, ou que tem problemas imunológicos, não passem doenças novas ou que já foram erradicadas para a população brasileira. Confira outras opiniões:

“Temos ouvido notícias de casos de doenças que, no passado, tinham sido erradicadas no nosso país”, disse Noriane, analista judiciária federal.

“Eu acredito que a vacina é muito importante, porque várias doenças já foram erradicadas pela vacina, e não deve-se confiar em tudo que falam por aí”, disse Julia Miranda, 10 anos, aluna do Colégio Notre Dame.

Jà Sofia, pensa que devemos tomar apenas as vacinas obrigatórias: ”Eu sou a favor da vacina, porque quando eu me imunizo, eu não estou apenas imunizando a mim, mas a todos. Porém, acho que nós devemos tomar somente as vacinas obrigatórias, porque as outras não são tão necessárias”.

Angélica, professora do Colégio Notre Dame é a favor das vacinas. Ela acredita que é uma maneira de prevenir doenças e reduzir as mortes causadas por elas.

“Sou a favor das vacinas, porque se a gente não tomar a vacina, nós podemos ficar doentes e passar a doença para a população. Sem contar que podemos até acabar morrendo por causa da doença”, diz Manuela Basler-aluna do Colégio Notre Dame.

“Sou a favor porque as vacinas são desenvolvidas para tornar a população imune à doença”, disse Rogério, analista judiciario federal.

Porém tem alguns argumentos contra a vacinação que normalmente são encontrados na internet:
1- Sarampo e coqueluche não são doenças sérias. Mesmo no surto na Califórnia de 2013 nenhuma criança morreu.
2- Cada pai e mãe tem o direito de escolher se seus filhos serão vacinados ou não. Que diferença faz para os demais? Quem quiser que vacine os seus!
3- Antes de 1940, não existia autismo. Depois das vacinas, os casos do autismo começaram a aparecer.
4- O mercúrio nas vacinas é neurotóxico.
5- O atual calendário vacinal tem um número muito elevado de antígeno e pode comprometer o sistema imune “natural” das crianças, por sobrecarga.

Uma frase que me marcou muito em um dos textos que a minha professora nos deu de Rui Tavares para compreender melhor as estruturas de um artigo de opinião foi : ”A minha opinião vale para mim; a minha decisão vale para a minha vida e para a vida de outros”.
Por fim eu concluo que os pais devem vacinar seus filhos, porque assim já estamos dando um passo para a melhora do mundo.

GLOSSÁRIO:
Pus: líquido espesso e amarelado que se forma no local de uma infecção.

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