Por Helena Rinaldi

O paulista Pedro Popoff , também conhecido como Pedro do Cordel, tem 13 anos e é apaixonado pela cultura nordestina desde muito pequeno. Tanto que, em abril, decidiu fundar uma cordelteca (biblioteca de cordéis). “Quando eu tinha uns 3 anos, descobri o sertanejo de raiz e, conforme fui pesquisando sobre o gênero, conheci outros elementos dessa cultura, como cordel, forró e baião”, disse ele em entrevista ao Joca.

O local criado por Pedro é a segunda biblioteca de cordéis do estado de São Paulo, fica na cidade de Bauru e começou com 400 cordéis comprados ou ganhados pelo garoto. Em julho, o local já dispunha de mais de 2 mil títulos.

A ideia surgiu há dois anos, quando Pedro pediu para usar uma salinha desativada na loja da mãe para exibir seus cordéis. Como o lugar precisava de reparos, a família procurou patrocinadores para ajudar a pagar os custos do projeto e fez uma vaquinha (ação de juntar dinheiro a partir de doações) na internet.

“Muita gente não entendia que era um projeto para a cidade e sem fins lucrativos”, explica a mãe de Pedro, Carla. “Então, não conseguimos atingir a nossa meta na vaquinha, mas acabamos arcando com parte dos custos porque queríamos muito que desse certo.”

O resultado é um espaço onde os visitantes podem ter contato com os cordéis, deitar em redes e conhecer objetos da cultura nordestina, como roupas e chapéus típicos do cangaço (movimento de nordestinos que buscavam justiça e vingança, usando violência, pelas más condições de vida na região).

#pracegover: Pedro veste roupa inspirada no Cangaço: calça marrom, camisa azul, lenço vermelho no pescoço e bolsa marrom sobre o peito. Na cabeça, chapéu típico do cangaço. Ele lê um livro. Ao fundo, nas prateleiras, várias obras de cordéis. Crédito de imagem: arquivo pessoal.

 

O que é cordel?

É um gênero literário típico da cultura brasileira, popular principalmente no Norte e no Nordeste. As principais características do cordel são: linguagem informal, uso de humor, presença de rimas, oralidade (linguagem falada) e temas como folclore, acontecimentos históricos e assuntos políticos. Os cordéis geralmente são escritos em versos e publicados em folhetos com capas ilustradas a partir de moldes de madeira (técnica chamada xilogravura). Para serem apresentados ao público, os folhetos ficam pendurados em cordas de barbante — daí o nome “cordel”.

Em setembro de 2018, a literatura de cordel foi considerada Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O título tem como objetivo divulgar e proteger importantes expressões culturais para que elas estejam sempre presentes nas sociedades.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 134 do jornal Joca.

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Comentários (2)

  • Lisa Chacur

    4 meses atrás

    Q legal. (o.o) (isso é uma carinha rsrs)

  • Jaime Prado

    5 meses atrás

    Meus parabéns amigo Pedro do Cordel e do Baião, você tem o dom garoto siga em frente Deus te proteja sempre: Jaime Prado - Bauru/SP.

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