Por Heitor R., e Jhulia M., 10 anos, repórteres-mirim

Você já imaginou como é trabalhar estudando a natureza e os animais que vivem nela? Isso faz parte do dia a dia dos biólogos, como Guilherme Domenichelli, que também é autor dos livros infantojuvenis Girafa Tem Torcicolo? e Mistério na Floresta Amazônica. A rotina da profissão, segundo Guilherme, muitas vezes é bem diferente do que as pessoas costumam pensar — e mais divertida!

#pracegover: Guilherme Domenichelli aparece sorrindo na foto. Ele usa uma camiseta preta. Ao fundo, é possível ver árvores verdes. No ombro dele, está apoiado um pássaro verde e na mão ele segura uma arara que tem os pelos vermelhos, tons de azul e verde. Crédito: Koji Hirano_GettyImages

Em entrevista aos repórteres mirins Heitor R., e Jhulia M., ambos de 10 anos, Guilherme, que também fala sobre a vida dos bichos no canal do YouTube Animal TV, explica como é a vida de biólogo e conta curiosidades sobre os seres que estuda.

#pracegover: os repórteres mirins Heitor R. (à esquerda, de camiseta cinza) e Jhulia M. (à direita, de camiseta branca). Os dois sorriem para a foto. Crédito: arquivo pessoal.

Como é o dia a dia de um biólogo?
Muitas pessoas pensam que os biólogos só trabalham na natureza, mas, na verdade, podemos atuar também em laboratórios e até mesmo em escritórios. No meu caso, eu monitoro os animais na natureza e, depois de coletar todas as informações de que preciso, analiso e faço gráficos e tabelas sobre esses dados em um computador. Isso gera diversos relatórios para serem estudados.

É divertido ser biólogo?
Muito! O momento mais interessante é ver os animais na natureza. Gosto muito de observar pássaros e outros bichos soltos em seu ambiente natural.

Por quantos anos é preciso estudar para trabalhar na área?
São quatro anos na graduação [universidade] para se formar como biólogo. Depois você pode fazer cursos — como pós-graduação, mestrado e doutorado — para se especializar nas diversas áreas da biologia.

Com que tipo de animal você trabalha? Você já foi para outro continente para estudar os bichos?
Eu trabalho com aves, mamíferos [animais que produzem leite para amamentar os filhotes, como vacas], répteis [espécies que não têm a temperatura do corpo constante, por exemplo, as cobras] e anfíbios [têm a vida dividida em duas fases: aquática e semiaquática, como os sapos]. E, sim, já estudei animais em Portugal, na Europa.

Qual foi o animal mais estranho que você já pesquisou? Por quê?
Foram os insetos. Existem uns que são bem diferentes e estranhos, principalmente alguns besouros, que possuem cores e formas bem curiosas. Outra curiosidade que também me chamou muito a atenção foi o comportamento desses pequenos animais, porque enquanto alguns vivem em grupos muito organizados, como formigas e abelhas, outros são carnívoros e grandes caçadores, como louva-a-deus e algumas vespas. Essa organização e luta pela sobrevivência é bastante curiosa e, muitas vezes, bem estranha!

Qual é o maior animal? E o menor?
O maior animal do planeta é a baleia-azul. Ela chega a medir 30 metros (maior do que uma quadra de basquete) e pesar 180 toneladas (mais do que 28 elefantes-africanos juntos). A baleia-azul é uma excelente mergulhadora, pode atingir grandes profundidades e ficar até uma hora sem respirar, graças ao pulmão, que tem capacidade para 5 mil litros de ar. Para vocês terem uma ideia, a língua da baleia-azul pode pesar tanto quanto um elefante e o coração é do tamanho de um carro pequeno. Além disso, um humano adulto poderia rastejar pelas largas artérias do animal. Já o menor bicho do mundo é uma mosquinha do Caribe que mede menos da metade de um milímetro [0,17 mm] — para vocês entenderem melhor, uma formiga mede cerca de 5 milímetros. Mas isso se não consideramos os animais microscópicos, que são tão pequenos que nem podem ser vistos sem a ajuda de um microscópio.

É difícil pesquisar sobre animais noturnos?
É mais difícil, sim, porque você tem que estar mais equipado, com lanternas e roupas mais adequadas. É muito importante também ter ouvidos bem atentos, pois assim você pode identificar um animal sem observá-lo, somente ouvindo a voz dele.

Um dos seus livros tem uma pergunta sobre girafas. Queremos fazer outra: por que ela tem um pescoço tão grande?
O pescoço da girafa é adaptado para a alimentação dela. Com o pescoço bem comprido, o animal consegue comer as folhas das árvores, principalmente de uma árvore chamada acácia — as girafas adoram as folhas dessa planta. Ao longo do tempo, as girafas que tinham um pescoço maior  conseguiram se adaptar melhor a essa necessidade e conseguiram sobreviver quando disputavam por alimentos. Assim, essa característica foi passada ao longo das gerações.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 132 do jornal Joca.

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