Quando os irmãos Lucas B., 13 anos, e Gabriel B., 17 anos, foram passar uma semana de férias nos Estados Unidos (onde nasceram) em janeiro, nem imaginavam que ficariam sete meses sem retornar para casa, na China, por causa da pandemia do novo coronavírus. Agora, de volta ao país asiático (após o número de casos da covid-19 ter diminuído por lá), os dois contam para a repórter mirim Mariana R., de 10 anos, como é passar pela quarentena obrigatória de 14 dias pela reentrada na China, em que eles precisam ficar em quartos separados num hotel. Confira.

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#pracegover: Mariana usa camiseta listrada em preto e branco. Ela tem o cabelo escuro e encaracolado, e sorri para foto. Foto: arquivo pessoal

Como é ficar em isolamento no hotel da China?
Gabriel: Está sendo um pouco difícil, porque não estou vendo ninguém, não só meu irmão, ainda mais porque tínhamos ficado na mesma casa por sete meses e nos víamos o dia inteiro.
Lucas: É muito estranho, mas tem um lado bom. Nos EUA, o isolamento era todos os dias a mesma coisa em casa, até ficava chato. Então é mais ou menos um alívio. Mas a gente se liga por vídeo todos os dias para se ver. Por causa da minha idade, eu pude escolher se ficava com meu pai ou a minha mãe no quarto, então estou com o meu pai.

Como vocês se sentiram quando souberam da covid-19?
Lucas: Eu praticamente nem sabia o que era uma pandemia, achei que ia ser só uma coisinha na China. Depois, fui notando que estava piorando, mas no começo eu não tinha a mínima ideia de que ia ser tão grande. Eu nem imaginei que ia viajar para a praia [nos EUA] e não voltaria para casa tão cedo.
Gabriel: A gente estava de férias em janeiro, com uma mala cada um, e acabamos tendo que ficar sete meses. No começo das férias a gente nem tinha ouvido falar em covid-19 e pandemia, porque demorou um pouquinho mais para chegar aos EUA. Foi só no fim das férias que a gente começou a ver notícias de que estava piorando muito na China, por isso decidimos não voltar.

#pracegover: Gabriel está sentado dentro de um carro. Ele usa camiseta preta com estampa colorida, calça jeans e tênis branco. Foto: arquivo pessoal

Como foi a convivência de vocês com a família nos EUA e agora na quarentena da China?
Gabriel: Nos últimos meses, a gente se via o dia todo. Era diferente, porque a gente estava acostumado com a escola e tudo mais, então a gente só se via de noite. Acho que a gente se aproximou muito nos últimos sete meses.
Lucas: Eu concordo. Agora que a gente está em quartos separados até dá um alívio, mas também dá saudade.

Como estão sendo os estudos de vocês na quarentena?
Gabriel: Para mim está sendo bem diferente porque a maior parte dos meus colegas já estava aqui na China, onde fica a escola. Quando começaram as aulas, a gente ainda estava nos EUA, então tive que começar on-line. Em alguns dias havia ligações da escola às onze horas da noite [por causa do fuso horário]. Foi puxado, mas, agora que estamos na China, está muito mais fácil.
Lucas: Está muito mais fácil mesmo, porque estamos no mesmo fuso da maioria das pessoas, então não precisamos ficar acordados até tão tarde.

#pracegover: Lucas veste camiseta preta com a estampa de uma bola de basquete. No rosto, óculos de grau com armação preta. Foto: arquivo pessoal

Vocês gostam de morar na China?
Lucas: Só moramos aqui de agosto de 2019 até o começo de janeiro, então não sabemos direito quais são as coisas legais para fazer. Eu fiz amigos na escola e gosto bastante, só que em geral eu acho que não tem muita coisa para fazer.
Gabriel: Eu acho que me acostumei um pouco melhor com a mudança para a China porque gosto muito de coisas novas, de desafios. Eu gosto de morar aqui, só que a língua é bem diferente e muita gente não fala inglês fora da escola. É meio difícil conversar com outras pessoas.

Vocês gostam da comida da China?
Lucas: Gosto de muitas comidas chinesas, mas sempre tem algumas coisas que acho estranhas demais, como pé de pato. Das outras coisas eu normalmente gosto. Gosto muito do jeito como eles cozinham o macarrão, por exemplo. Já provei minhoca e escorpião, mas não achei muito bom.
Gabriel: A comida chinesa que tem em restaurantes do Brasil não parece muito com a daqui. Aqui a comida é mais frita, eles usam mais óleo. Agora, no isolamento, eles deixam uma bandeja na frente da porta do quarto, e só podemos abrir a porta para pegar a comida.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 157 do jornal Joca.

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Comentários (2)

  • Matérias do Joca sobre o novo coronavírus - Jornal Joca

    1 ano atrás

    […] A rotina da quarentena na China […]

  • Isabel Lopes de Araujo Faria

    1 ano atrás

    muito legal!

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