Muitas vezes, pode parecer difícil entender a importância de poupar parte de tudo o que ganhamos. Para tentar ilustrar esse impacto, vou contar aqui a história de dois garotos, Pedro e Júlio.

Eles nasceram na mesma cidade, moraram no mesmo bairro e estudaram na mesma escola. Sempre foram grandes amigos. Andavam juntos e frequentavam as mesmas festinhas. Mas tinham uma diferença no comportamento.

Júlio adorava se vestir com roupas da moda, tinha que ter sempre o tênis de último modelo, o celular mais moderno e o relógio mais bacana. O Pedro também gostava de marcas, mas isso não era o principal foco da atenção dele — não que não se importasse com a aparência, pois estava sempre bem-arrumado

Enquanto a vida passava, Júlio continuava utilizando todo o dinheiro que recebia dos pais, avós e tios para satisfazer seus desejos. Já o Pedro, ainda que usasse a maior parte do dinheiro que recebia, conseguia sempre separar um pouquinho antes de fazer qualquer gasto.

Ao completarem 18 anos, Júlio comprou seu primeiro carro, praticamente todo financiado, enquanto Pedro abriu seu primeiro negócio. Foi nesse momento que a vida dos dois tomou rumos completamente diferentes.

Essa história me lembra um estudo divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), realizado em 2018. Foram 3,4 mil pessoas entrevistadas, em mais de 150 municípios espalhados pelo Brasil. A conclusão foi de que 67% da população brasileira não guardou nenhum dinheiro em 2018, número 1% acima do registrado em 2017.

Aqueles que não conseguiram guardar alegam falta de dinheiro, salário baixo, desemprego ou até gastos inesperados. Existem inúmeras justificativas para não poupar, até mesmo razões culturais e relacionadas à nossa história econômica. Devemos lembrar que o Brasil já viveu períodos de hiperinflação, em que o dinheiro perdia valor de forma muito rápida (inflação: aumento no nível de preços em determinado período).

Com isso, pessoas compravam bens duráveis, como carros, na intenção de proteger seu dinheiro. Daí vem a ideia de que comprar carro é investimento. Hoje não vivemos mais no período de hiperinflação. Já sabemos também que precisamos cuidar do nosso amanhã.

Precisamos cuidar do nosso amanhã. Portanto, a mudança dessa história começa agora, por você! Vamos juntos tornar o Brasil um país poupador. Coloque desde já na sua vida o hábito de guardar um pedacinho de todo o dinheiro que recebe.

Ah! Sobre o Pedro: ele acabou se tornando um grande empresário, mas o cuidado dele com dinheiro continua o mesmo.

#pracegover: uma ilustração mostra moedas empilhadas, de várias cores, e pessoas sobre as pilhas de moedas. No canto direito inferior, uma foto do colunista Marcelo, que sorri para a imagem e usa camisa em cor clara. Créditos: Getty Images e arquivo pessoal.

Marcelo Siqueira – Planejador financeiro certificado CFP®, formado em economia com pós-graduação em mercado de capitais pela FEA-Fipe. Auxilia famílias e pessoas na condução e otimização de recursos, no planejamento e conquista de sonhos e na construção de patrimônio. marcelo.siqueira@futurarplan.com.br.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 133 do jornal Joca.

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