O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu Jerusalém, e não Tel Aviv, como a capital de Israel em um pronunciamento feito no dia 6 de dezembro.

No mesmo discurso, realizado em Washington, o líder ordenou o início dos preparativos para transferir a embaixada norte-americana, órgão que representa os interesses de um país em outro território, de Tel Aviv, para Jerusalém.

O gesto contrariou o pedido de chefes de países árabes e europeus e do papa Francisco, a figura mais importante da igreja católica, e também enfureceu parte do Oriente Médio.

Jerusalém, a cidade sagrada

A declaração de Trump é criticada por aliados e rivais dos Estados Unidos. Para entender a sua importância,  preparamos seis perguntas e respostas a respeito de Jerusalém e da decisão do líder norte-americano. Confira abaixo:

Por que Jerusalém é tão importante?
A cidade simboliza a disputa entre palestinos e israelenses e os interesses de países árabes, europeus e dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Em outras palavras, os palestinos querem que a parte Oriental de Jerusalém seja a capital do seu futuro Estado, e os israelenses querem que ela se torne a capital de Israel sem ceder nenhuma parte. Os dois lados alegam razões históricas.

Como não há consenso sobre a quem pertence o território, havia um acordo internacional, mantido por sete décadas pelos Estados Unidos, que reconhecia Tel Aviv como a capital de Israel. A maior parte dos países optou por colocar suas embaixadas lá.

Qual é a história de Jerusalém?
A cidade é disputada desde os tempos bíblicos, mas árabes e judeus que ali viviam compartilhavam-na por acreditarem em sua natureza. Jerusalém é considerada sagrada pelas três maiores religiões monoteístas (que só aceitam um Deus) do mundo: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

No entanto, com o fim do Império Britânico na região, as Nações Unidas criaram o Estado de Israel. Isso foi em 1947, no término da Segunda Guerra Mundial. Na época, a preocupação maior era dar aos judeus um território livre de perseguições e que possibilitasse o seu fortalecimento como povo.

Como é Jerusalém?
A cidade possui locais sagrados para cristãos, judeus e muçulmanos. O centro de Jerusalém, a chamada Cidade Velha, é dividida em quatro bairros: um de judeus, um de católicos, um de muçulmanos e um de armênios (que também são cristãos).

Há monumentos e construções históricas importantes para os quatro povos em cada território. Na cidade vivem 857 mil pessoas, sendo que 35% delas vivem do lado oriental.

Por que a declaração de Trump gera tanta preocupação?
Ao determinar o fim de um acordo internacional que existiu por 70 anos, o líder acabou por provocar os árabes e aumentou as chances de provocar a violência na região.

Países como França, Arábia Saudita e Turquia afirmam que o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, com tudo o que a cidade representa, abrirá espaço para mais conflitos entre árabes e judeus.

O que Trump diz?
Em seu discurso, o líder norte-americano disse que “finalmente reconhece Jerusalém como a capital de Israel” e que essa decisão representa uma nova forma de resolver os conflitos. “Com o anúncio, reafirmo o comprometimento da minha administração com um futuro de paz”, afirmou.

Por que a decisão de Trump pode gerar conflitos?
Há anos, árabes e judeus disputam entre si o domínio absoluto da região. Veja uma linha do tempo dos principais conflitos:

Antes de 1947: território era uma colônia do Reino Unido.

1947: Com o final da Segunda Guerra Mundial, uma assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) decide dividir o território e criar dois países: Israel e Palestina. Israel seria controlado pelos judeus e a Palestina pelos árabes, que não concordam com a divisão.

1948: Primeira Guerra Árabe-Israelense = As nações árabes que não eram a favor da criação de Israel entraram em guerra contra o novo país.

1949: Israelenses expulsam os árabes e ainda conquistam novos territórios. É o fim do conflito.

1967: Guerra dos Seis Dias. Israel alega que está se sentindo ameaçado por forças árabes que ficam nas fronteiras do seu território. Com isso, enviam tropas para combater os inimigos e, assim, ocupam o Sinai, a Cisjordânia e as Colinas de Golã.

1973: Guerra do Yom Kippur. Forças árabes invadem o território ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias. Os israelenses, no entanto, vencem o conflito.

2005: Israel sai da Faixa de Gaza, território controlado por eles há 40 anos. O Hamas, grupo que luta contra a existência de Israel, passa a dominar a região. Para a União Europeia, essa organização é terrorista, pois ataca israelenses para alcançar o seu objetivo. Já os apoiadores acreditam que é um movimento sério, de resistência.

2017: Ataques e conflitos entre os dois povos.

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