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Ucranianos chegam como refugiados à Medyka, na Polônia, em 7 de março, durante um intenso dia de inverno. / #pracegover: ucranianos caminham carregando malas e enrolados em cobertores. Crédito de imagem: SEAN GALLUP_GETTY IMAGES

Segundo o ACNUR (Agência da Organização das Nações Unidas Para Refugiados), o número de refugiados que saíram da Ucrânia por causa do ataque russo, iniciado em 24 de fevereiro, já passa de 2,8 milhões. Calcula-se que ao menos um milhão sejam crianças. O dado, de 13 de março, mostra que mais da metade (1,7 milhão) foi para a Polônia, na fronteira com Ucrânia. Entre outras nações que estão recebendo ucranianos estão Hungria, Eslováquia e Romênia, por exemplo.

Nos países onde o fluxo de recém-chegados da Ucrânia é alto, o governo e a população estão se mobilizando para recebê-los. Na Polônia, alimentos, água, roupas e itens de higiene foram doados e centenas de voluntários estão nas estações de trem para recebê-los.

A Rússia também tem recebido refugiados. O ACNUR estima que mais de 131 mil ucranianos foram para o país ao longo do conflito. Isso se deve, em grande parte, à criação entre as duas nações dos corredores humanitários — zonas livres de ataques, permitindo que as pessoas possam fugir em segu- rança. A instalação dos corredores foi negociada em 3 de março, quando Rússia e Ucrânia também definiram que esses locais serviriam para o envio de medicamentos, alimentos e ajuda humanitária para a população ucraniana. Além disso, ficou acertado que, enquanto os corredores estivessem ativos, haveria um cessar-fogo (acordo que para os ataques temporariamente) nessas áreas.

Atraso
A evacuação, no entanto, só começou alguns dias depois, quando o cessar-fogo teve início. Uma polêmica atrasou o processo: em um primeiro momento, a Rússia definiu que todos os corredores levassem ucranianos até o país, mas as autoridades da Ucrânia não concordaram. Atualmente, além da Rússia, um dos destinos de quem sai pelos corredores é a Polônia.

Em pronunciamento no dia 13 de março, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que 125 mil ucranianos já deixaram o país pelos corredores humanitários. Agora, um dos principais desafios é evacuar quem quer deixar Mariupol, cidade no sudeste do país fortemente atingida pelo conflito. Por lá, a população sofre com falta de comida, água e energia. De acordo com Oleksiy Arestovych, conselheiro presidencial da Ucrânia, mais de 2.500 moradores da cidade já morreram desde o começo do conflito.

O início da guerra
Forças militares russas começaram, em 24 de fevereiro, uma invasão à Ucrânia. Os dois países já estavam em clima de tensão há alguns meses, quando a Ucrânia demonstrou intenção de fazer parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma aliança política e militar composta por nações como Estados Unidos e Reino Unido. As autoridades russas viram isso como um sinal de ameaça.

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#pracegover: mapa da Ucrânia aponta alguns dos locais atingidos por ataques russos e a região da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. Imagem: jornal Joca

Desde o começo da ofensiva, a Rússia já tomou algumas cidades da Ucrânia como Melitopol, Enerhodar e Berdyansk. Duas usinas nucleares do país também estão sob o controle russo: Chernobyl e Zaporíjia, a maior da Europa. Autoridades da Ucrânia e da União Europeia temem que essa ação signifique a ameaça de um desastre nuclear. A Rússia nega ter tomado os locais.

Repercussão mundial
Uma votação na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2 de março, repudiou a ofensiva militar da Rússia na Ucrânia. O objetivo da sessão era mostrar que diversos países não concordam com a Rússia, além de isolar a nação governada por Vladimir Putin.

Além disso, EUA, Reino Unido e a União Europeia aplicaram sanções financeiras (ou seja, restrições) à Rússia para pressionar o país a desistir da ofensiva. Uma das principais restrições é que os bancos russos não podem participar da plataforma Swift, um sistema de pagamentos entre instituições financeiras de mais de 200 nações. Outra se refere ao comércio internacional: algumas nações, como EUA, não estão mais comprando alguns produtos vindos da Rússia, como petróleo.

Representantes da Rússia e da Ucrânia já se encontraram em quatro rodadas de negociação. Em 13 de março, autoridades dos dois países disseram que alguns progressos importantes foram feitos, sugerindo que boas notícias podem ser dadas nos próximos dias.

Brasileiros na Ucrânia
Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) aterrissou na Polônia, em 9 de março, para resgatar brasileiros e familiares que viviam na Ucrânia e levar medicamentos, alimentos e itens de necessidades básicas para os refugiados. A aeronave chegou no dia seguinte a Brasília (DF) com 68 pessoas: 43 brasileiros, 19 ucranianos, cinco argentinos e um colombiano.

Clique aqui ou na imagem abaixo para ver a versão da reportagem do Joca impresso:

Fontes: ACNUR, Agência Brasil, BBC, CNN, G1, The Independent, Poder360, UOL e Veja São Paulo.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 183 do jornal Joca

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