Autoridades monitoram áreas com mais riscos de colapso. Crédito de imagem: Defesa Civil Municipal de Maceió/reprodução

João Henrique Caldas, prefeito de Maceió (AL), decretou, em 29 de novembro, estado de emergência no município depois que abalos sísmicos (de terra) recorrentes foram identificados desde o começo de novembro nos bairros Pinheiro, Bom Parto, Mutange, Bebedouro e Farol. O risco é que uma das minas abertas pela empresa petroquímica Braskem colapse, podendo ocasionar o surgimento de grandes crateras, deslizamento de terra, desabamento de prédios e desmoronamento de outras minas aos arredores. A recomendação é que a população evite circular pela área de risco, que já foi evacuada (saiba mais sobre o histórico do caso ao fim da matéria).

Em nota do dia 1º de dezembro, a Defesa Civil de Maceió comunicou que o solo acima da mina 18 já se deslocou verticalmente (desceu) cerca de 1,42 metro a uma velocidade média de 2,6 centímetros por hora — o que significa que, a cada hora, a área de risco afunda 2,6 centímetros.

“Por precaução, a recomendação é clara: a população não deve transitar na área desocupada até uma nova atualização da Defesa Civil, enquanto medidas de controle e monitoramento são aplicadas para reduzir o perigo”,

informa a Defesa Civil.
Mapa da área com risco de afundamento de solo. Crédito de imagem: Defesa Civil Municipal de Maceió/reprodução

Segundo o órgão, as consequências do colapso da mina não são precisas, por se tratar de algo que nunca aconteceu antes em Maceió. O coordenador-geral da Defesa Civil de Alagoas, coronel Moisés Melo, diz em nota que grande parte da cidade poderá sentir a eventual catástrofe. “Se houver uma ruptura nessa região, podemos ter vários serviços afetados, a exemplo do abastecimento de água de parte da cidade e também do fornecimento de energia e gás”, completa.

No dia 29, o prefeito de Maceió também criou um gabinete de crise, que comandará as ações de enfrentamento e redução de danos por, pelo menos, 180 dias. “O gabinete é composto pelas secretarias de Saúde, Educação, Limpeza Urbana, Infraestrutura, Segurança Cidadã, Causa Animal, Desenvolvimento Sustentável, Habitação e Departamento de Transporte e Trânsito”, informa, em outra nota, a prefeitura de Maceió.

Encontro do gabinete de crise em Maceió (AL) em 29 de novembro. Crédito de imagem: Jonathan Lins/Secom Maceió/reprodução

Em comunicado no dia 30, a Braskem informou que as atividades de preenchimento de poços (entenda abaixo) já haviam sido paralisadas e que a área fora isolada preventivamente na tarde de 28 de novembro. “Nas últimas horas, a situação vem se intensificando, e estão sendo tomadas todas as medidas cabíveis para minimização de impacto de possíveis ocorrências. A Braskem segue acompanhando de forma ininterrupta os dados de monitoramento, que são compartilhados em tempo real com as autoridades competentes”, finaliza a nota.

Por que Maceió decretou estado de emergência?

Em 1976, a empresa Salgema Indústrias Químicas S/A começou a explorar o litoral de Alagoas em busca de sal-gema, mineral usado como matéria-prima na produção de plástico, cloro e soda cáustica. Anos mais tarde, ao se fundir com outras empresas, a instituição recebeu o nome de Braskem, que continua abrindo poços para a extração do minério.

Em 2018, após fortes tremores que condenaram cinco bairros de Maceió (Pinheiro, Bom Parto, Mutange, Bebedouro e Farol), o Serviço Geológico do Brasil, com outras autoridades, identificou que a subsidência (afundamento de solo) estava diretamente ligada às minas abertas pela empresa ao longo das décadas. No ano seguinte, a Braskem encerrou a extração de sal-gema na região e assumiu, a partir de então, acordos com o governo para indenizar a população afetada, monitorar a região e, a partir de 2020, preencher os 35 poços abertos ao longo das décadas.

Em julho deste ano, a empresa aceitou um acordo com o governo de Maceió para pagar um total de 1,7 bilhão de reais ao município pelos danos causados aos bairros.

Glossário

Defesa Civil: órgão responsável por prevenir tragédias e socorrer vítimas.

Empresa petroquímica: instituição que trabalha com — entre outras matérias-primas — o petróleo e derivados dessa substância para a comercialização (para dentro ou fora do país) de diversos produtos.

Minas: poços ou escavações, geralmente feitas por empresas mineradoras, que visam a extração de substâncias minerais do solo, como ouro, ferro, cobre e sal-gema.

Fontes: Defesa Civil de Maceió, Diário Oficial do Município de Maceió, Governo do Estado de Alagoas, Braskem, Linha do Tempo da Braskem e G1.

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Comentários (1)

  • Mina em Maceió sofre rompimento parcial - Jornal Joca

    2 meses atrás

    […] Maceió declara emergência em bairros com risco de afundamento […]

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