Arte: Ana Beatriz Pádua

Estudantes da Escola Crescer PHD, em Vitória (Espírito Santo), inspiraram-se na iniciativa “E aí, prefeitura? Os jovens e o Joca por uma São Paulo melhor nas eleições 2020” para avaliar o que queriam mudar em sua cidade. Então, decidiram enviar as sugestões de melhorias por cartas para o prefeito eleito em 2020. A iniciativa do Joca, lançada em março, tinha como objetivo convidar escolas da capital paulista para debater com seus alunos o futuro do município. Os materiais desenvolvidos pelo jornal, todos gratuitos, no entanto, estavam disponíveis para colégios de outras cidades brasileiras também usarem, assim como fez a Escola Crescer PHD.

A ideia de levar o projeto aos estudantes veio da professora de português Thais Radke, que dá aulas para o 4º e o 5º ano do colégio. “A gente estava em período de eleições municipais, então as campanhas [eleitorais] estavam fortes e os carros de som viviam passando nas ruas. Vi a iniciativa do Joca voltada para São Paulo e pensei ‘por que não trazer para Vitória?’”, conta.

Thais aproveitou para unir o projeto aos conteúdos que estavam sendo ensinados aos alunos. Para os estudantes do 4° ano, que aprendiam sobre cartas abertas, a proposta foi escrever uma carta desse tipo pedindo melhorias ao prefeito eleito. Enquanto isso, no 5° ano a ideia foi escrever artigos de opinião sobre as eleições.

Para pensar nos pedidos que os alunos tinham para o governante, a professora sugeriu que eles andassem pelas ruas com seus responsáveis para observar a cidade. Mas Maria H., 10 anos, por exemplo, já tinha várias ideias de melhorias. “Todo fim de semana eu e minha família saímos, e eu reparo em coisas que precisam mudar, como estradas que têm muitos buracos e a falta de lixeiras nas ruas”, relata.

Com isso, Maria viu no projeto uma oportunidade de sugerir ao prefeito ideias sobre o que achava necessário para a cidade. “As coisas que eu falei na carta já me incomodavam, porque, sempre que eu ia andar de bicicleta, via que tinha muitos buracos. Além disso, acho importante que tenha lixeiras na rua para as pessoas não jogarem lixo no chão”, explica.

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Carta escrita pela estudante Maria H., 10 anos. Imagem: Escola Crescer PHD

Outros alunos decidiram seguir a sugestão da professora e saíram às ruas. Foi o caso de Ricardo S., 10 anos: “A gente [Ricardo e família] passeou de carro pela cidade e viu algumas coisas que poderiam melhorar, como os moradores em situação de rua, que deviam ter onde morar, as pichações e a segurança, que alguns bairros não têm”.

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Carta escrita pelo aluno Ricardo S., 10 anos. Foto: Escola Crescer PHD

Júlia C., 10 anos, por outro lado, tinha algumas ideias do que queria mudar na cidade, mas decidiu entender melhor qual é a função do prefeito para compreender o que ele pode fazer pelo município. “Eu procurei saber melhor o que o prefeito faz e pesquisei em sala de aula, acho que foi pelo site do governo. Eu também li as matérias do site do Joca para isso”, diz.

Artigo de opinião escrito pela aluna Júlia C., 10 anos. Foto: Escola Crescer PHD

Já Ayrton F., 11 anos, decidiu estudar as propostas dos candidatos que estavam concorrendo ao segundo turno (na época em que a atividade foi feita ainda não se sabia quem seria eleito) e sugerir melhorias direcionadas a elas. “O prefeito eleito, por exemplo, tinha falado que ia construir muitas praças, parques, hospitais e escolas em diferentes pontos da nossa cidade. Mas alguns dos prefeitos, depois que são eleitos, não fazem tudo isso. Então eu pedi que ele fizesse isso pela cidade”, diz.

Artigo de opinião escrito pelo aluno Ayrton F., 11 anos. Foto: Escola Crescer PHD

O exercício da cidadania pelos jovens
O objetivo principal do projeto, de acordo com a pedagoga da escola, Alba Valéria de Freitas, era fazer com que os estudantes pensassem na sociedade em que vivem. “A ideia era incentivar nossos alunos a perceber que eles são cidadãos que, embora não votantes, podem colaborar para a construção de uma cidade melhor por meio da elaboração de cartas ao futuro prefeito da cidade”, explica.

O jovem Ricardo conta que foi exatamente isso o que percebeu após participar do projeto. “Eu me senti bem, porque percebi que posso ajudar a minha cidade. É muito bom pensar que eu fiz uma carta para o prefeito mandando sugestões de como a cidade pode melhorar e ele leu. Sinto que estou ajudando.” Ayrton concorda: “Apesar de só poder votar com 16 anos, minha turma, que tem alunos de 10 ou 11 anos, conseguiu propor coisas para o prefeito fazer sem votar”.

Reação do prefeito eleito
Em Vitória, as eleições municipais de 2020 foram para o segundo turno, em que o então candidato Delegado Pazolini (Republicanos) venceu João Coser (PT), por 58,50% a 41,50%.

A equipe da Escola Crescer PHD entrou em contato com o prefeito eleito para entregar o material desenvolvido pelos alunos. “Ele viu as cartinhas e gravou um vídeo dizendo que tinha recebido e gostado muito”, disse a professora Thais. Segundo ela, existe a expectativa de que Pazolini visite o colégio quando for possível, em virtude das restrições da pandemia de covid-19. “As cartas foram entregues para o prefeito e ele já manifestou o desejo de um encontro com toda a turma no retorno das aulas, logo no início do ano letivo de 2021”, complementa Alba Valéria.

À equipe do jornal Joca, o prefeito eleito, Delegado Pazolini, enviou a seguinte declaração: “Foi uma honra e uma satisfação receber as cartas do projeto ‘E aí, prefeitura?’, dos alunos do 4º ano da Escola Crescer PhD. É extremamente importante que nossa juventude entenda o processo de cidadania, para que se tornem adultos cada vez mais atuantes e conscientes. Achei a iniciativa incrível, poder saber o que eles pensam a respeito da nossa capital e o que desejam melhorar. Estou à disposição, e meu desejo é entregar para nossas crianças uma cidade muito melhor daqui a quatro anos!”.

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