Por Martina Medina

A floresta amazônica no Brasil perdeu 19 hectares de vegetação a cada 60 minutos nos primeiros 15 dias de maio — a área equivale a 20 campos de futebol. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que utiliza um satélite para medir a área desmatada nas Unidades de Conservação federais. Pela lei, é proibido tirar vegetação desses locais e quem desobedecer é punido com multas, por exemplo.

Uma área equivalente a quase 7 mil estádios foi desmatada na primeira quinzena do mês (6.840 hectares). Em maio de 2018, o desmatamento tinha sido 33% menor (4.642 hectares). Entre agosto de 2018 e abril de 2019, o desmatamento ilegal atingiu 9.300 hectares de floresta — pouco mais da metade do registrado na primeira quinzena de maio.

Segundo o Inpe, é comum que o período de seca na Amazônia, que começa em abril, registre aumento da retirada da vegetação. Isso acontece porque, quando há muitas chuvas, as estradas ficam ruins, impedindo a circulação de madeireiros, por exemplo. “Mas este mês o número foi muito maior do que em anos anteriores”, afirma o doutor Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e Outros Biomas do Inpe.

Os dados do instituto são usados pelo governo para fiscalizar áreas mais sujeitas ao desmatamento com o objetivo de impedir que ele aconteça.

Onde há mais desmatamento?
O Pará concentra oito das dez Unidades de Conservação mais desmatadas da Amazônia. A Floresta Nacional do Jamanxim, no sudoeste do estado, é onde mais árvores são derrubadas. Nas primeiras duas semanas de maio, o local perdeu 3.161 hectares de vegetação.

A floresta é cortada pela estrada BR-163, por onde são transportados itens da agricultura e grãos entre as regiões Norte e Centro-Oeste. “Estudos apontam que estradas facilitam a retirada e o transporte de madeira, o que promove aumento no desmatamento”, explica Cláudio, do Inpe. “Sem vegetação, a floresta fica mais exposta, podendo pegar fogo e sofrer invasões, por exemplo.”

Desmatamento da Mata Atlântica é o menor desde 1985
A perda de vegetação da mata atlântica caiu 9,3% de outubro de 2017 a outubro de 2018 em relação ao período anterior (2016 a 2017). Essa é a menor área desmatada registrada pelo Atlas da Mata Atlântica, pesquisa feita pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Inpe, desde 1985.

No último ano, foram destruídos 11.399 hectares da mata — equivalente a 10 mil campos de futebol. No período anterior, o desmatamento foi de 12.562 hectares. A mata atlântica está presente em 17 estados brasileiros, mas mantém apenas 12,4% da área original.

Raio X das áreas desmatadas da Amazônia

#pracegover retrato da floresta amazônica com áreas verdes devido a vegetação e áreas devastadas, onde só é possível ver os campos sem plantação, com terra. Crédito: Phototreat_GettyImages

60% pecuária
10% área urbana, mineração e outros
6% agricultura
22% se regeneram, voltando a ser vegetação

Fontes: Agência Brasil e G1

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 133 do jornal Joca.

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