por Martina Medina

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de investimento da Vale no dia 27 de fevereiro, pouco mais de um mês após a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, que resultou na morte de 201 pessoas e no desaparecimento de outras 107 (números atualizados até o fechamento desta edição).

A mineradora foi rebaixada de Baa3 para Ba1, com perspectiva negativa, o que significa que a nota pode cair ainda mais no futuro. O Joca conversou com o economista Antonio Carlos dos Santos, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), para entender melhor essa história. Confira explicações para as principais dúvidas sobre o tema:

O que são agências de classificação de risco?
As agências avaliam as contas de uma companhia — e também de países — e dão notas para informar se é seguro ou não investir nela. Empresas e acionistas consultam essas notas para garantir que vão receber de volta o dinheiro que emprestaram ou investiram em certa organização, por exemplo. “É como um banco que avalia se você paga as suas contas em dia antes de emprestar dinheiro”, explica o economista. Além da Moody’s, outras agências importantes são Standard & Poor’s e Fitch Ratings, que também rebaixou a nota da Vale.

O que são essas notas?
Se a empresa tem dinheiro suficiente para pagar suas dívidas e continuar ganhando dinheiro, a nota dela — ou rating, em inglês — é alta e o sinal está verde para que ela receba empréstimos e investimentos. Caso contrário, o sinal fica vermelho e a nota diminui. As notas atribuídas pela Moody’s vão de Aaa (o risco de investir na empresa é o mais baixo possível) até C (alerta de que o risco de a companhia não pagar uma dívida é muito alto e investir nela não é recomendável).

Por que a nota da Vale diminuiu?
A empresa terá de pagar indenizações às pessoas afetadas pelo rompimento da barragem, investir em tecnologias mais seguras — e mais caras — para evitar novas tragédias, além de arcar com multas do Estado brasileiro e de outros países onde atua. “É como uma criança que cola na prova, o professor descobre e dá zero”, explica o economista sobre as multas. “Os investidores consideram que a Vale mentiu sobre os riscos de sua operação e agora querem o dinheiro de volta.” Por causa de todos esses compromissos, a Moody’s concluiu que a empresa terá mais gastos do que ganhos, por isso, sinalizou que não seria interessante investir na Vale neste momento.

#pracegover: a ilustração usa a imagem de um semáforo de trânsito para explicar as notas da agência de classificação de risco Moody’s. As seguintes explicações são dadas conforme a cor do semáforo: vermelha – Caa1/Caa2/Caa3/Ca/C, risco alto de não pagar dívidas, não se deve investir; entre vermelha e amarela – Ba1/Ba 2/Ba3/B1/B2/B3, sem grau de investimento, qualidade baixa; amarela – De Baa1/Baa2/Baa3, grau de investimento de classificação média; verde – Aaa/Aa1/Aa2/Aa3/A1/A2/A3, grau de investimento de alta qualidade e baixo risco,

Acidente faz ações da Boeing despencarem
Após a queda do avião Boeing 737, da companhia aérea Ethiopian Airlines, no dia 10 de março, que matou todos os 157 tripulantes e passageiros, as ações da Boeing (fabricante da aeronave) despencaram 12%. Ações são pedaços do capital (valor) de uma companhia. Quando o valor cai significa que há mais pessoas vendendo do que comprando essas ações (saiba mais na edição 155 do Joca). Como investidores têm medo das consequências das tragédias para a saúde das empresas, eles deixam de investir nelas quando algo assim acontece, o que desvaloriza as ações.

Três dias após a tragédia em Brumadinho, as ações da Vale na Bolsa de Valores de São Paulo também despencaram — chegaram a cair 20%. No mesmo dia, a mineradora sofreu o primeiro rebaixamento: a agência de classificação de risco Fitch Ratings diminuiu a nota na Vale de BBB+ para BBB-.

Fontes: Folha de S.Paulo, G1, IstoÉ Dinheiro e Jornal Estado de Minas.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 127 do jornal Joca.

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