manchas nas praias home
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Está com dúvidas sobre as manchas pretas que estão aparecendo no litoral do Brasil? Veja abaixo o nosso especial com perguntas e respostas sobre esse assunto e fique por dentro de tudo o que está acontecendo.

O que está acontecendo no litoral brasileiro?

Desde o início de setembro, manchas pretas e pegajosas vêm aparecendo em praias do Nordeste e, em seguida, espalhando-se pela costa brasileira. Em novembro, o óleo chegou à Região Sudeste, atingindo a costa do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Até o dia 27 de novembro, a substância já havia atingido o litoral de onze estados: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Ao todo, 779 locais foram afetados, de acordo com dados do dia 27 de novembro do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O que exatamente é esse óleo? 

Segundo o Ibama, o óleo encontrado no litoral é petróleo cru, ou seja, petróleo no estado natural — antes de passar por qualquer processo químico. O material é formado por compostos químicos tóxicos (isto é, que fazem mal à saúde), como benzeno.

Para a maior parte dos cientistas, o petróleo é uma substância formada a partir da decomposição de seres vivos, como algas e fitoplânctons, que foram submetidos ao calor e à pressão ao longo de milhões de anos. O material pode ser encontrado em reservas que ficam embaixo do solo, tanto em terra firme como em mares e lagos.

Hoje, o petróleo é muito utilizado no nosso dia a dia. Depois de ser retirado do seu local de origem, ele passa por diversos processos químicos e é usado na fabricação de vários produtos, como gasolina, plásticos e tintas.

O óleo encontrado nas praias pode fazer mal à saúde dos animais e dos humanos?

Sim. Veja as consequências do contato com o óleo:

Animais

As vias aéreas, responsáveis pela respiração dos animais, podem ficar entupidas pelo óleo e eles passam a ter dificuldade para respirar. Além disso, ao ingerir o material, os bichos podem ser intoxicados.

Ivo Cidreira Neto e Nirvhana da Silva, do departamento de zoologia da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe), explicam que especialistas estão resgatando os animais da área, limpando-os e fazendo exames para reduzir o impacto do óleo na saúde das espécies. Mesmo assim, não há como impedir que elas sejam afetadas.

“Uma vez que esses óleos contaminam as águas, não há como evitar o dano. O que se pode fazer é tentar reduzir o impacto usando barreiras de contenção nas áreas [saiba mais na matéria publicada no Joca 140] e retirando o petróleo com equipamentos específicos”, explicam.

Pessoas

O Ministério da Saúde afirma que o óleo pode causar diversos sintomas em diferentes situações.

– Contato com a pele: provoca irritações, queimação e inchaço.

– Inalação (algumas substâncias do óleo evaporam e as pessoas podem inalá-las): causa problemas respiratórios, náusea, entre outros.

– Ingestão: ocasiona dores abdominais, vômito e diarreia.

Atenção! O órgão recomenda que as pessoas evitem contato direto com o óleo. 

O que está sendo feito para retirar o óleo? Para onde ele está sendo levado?

As praias estão sendo limpas por militares das Forças Armadas, pela Petrobras (empresa brasileira de petróleo), cidadãos voluntários e prefeituras das cidades e governos dos estados afetados.

O último dado divulgado pela Marinha afirmava que, até o dia 20 de outubro, cerca de 600 toneladas de resíduos haviam sido retiradas do litoral nordestino.

Depois de ser extraído, o óleo é levado para empresas que estão guardando e tratando o material para que ele possa ser aproveitado em alguma atividade. A substância pode ser utilizada como combustível para máquinas de indústrias, por exemplo.

É verdade que pessoas comuns estão ajudando a limpar as praias?

Sim. Desde o aparecimento das manchas, centenas de voluntários têm sido vistos realizando a limpeza das praias atingidas.

“O maior desafio é não saber o que esperar”, diz a voluntária Juliana Fujimoto, que participou de ações de limpeza nas praias da Engenhoca, Prainha e Pontal, todas na Bahia. “Dependemos muito da maré, ventos e correntes. Tem dias que vêm muitos fragmentos de manchas. Quando mudam um pouco os ventos e as marés, vêm bem menos. É tudo muito triste, a gente faz uma pequena parte.”

De acordo com Anthony Wong, toxicologista e diretor do Centro de Assistência Toxicológica da Universidade de São Paulo (USP), os voluntários e trabalhadores que estão realizando a limpeza das praias têm mais riscos de ser afetados pelo óleo. Por isso, para fazer a retirada do material, ele recomenda alguns cuidados. “Na hora da limpeza, para se proteger, a pessoa deve usar máscara, bota, luva e roupas que cubram o corpo inteiro”, diz.

E como o organismo de pessoas em formação é mais sensível do que o de adultos, Anthony faz o alerta: “Nenhuma pessoa com menos de 18 anos deve participar das limpezas”. 

Quem é o responsável pelo desastre?

Ainda não se sabe quem são os responsáveis pelo vazamento de óleo. Veja abaixo algumas suspeitas:

– Polícia Federal (PF)

navio grego óleo
A Polícia Federal suspeita que o navio grego Bouboulina tenha sido o responsável pelo vazamento do óleo. Foto: Divulgação

O principal suspeito da PF é um navio petroleiro grego chamado Bouboulina. A investigação aponta que a embarcação atracou na Venezuela em 15 de julho, passou três dias por lá e seguiu rumo à Cingapura. O derramamento teria acontecido no percurso, entre 28 e 29 de julho.

A Polícia Federal  afirma que, depois de localizar o ponto de onde a mancha teria surgido (a cerca de 700 km da costa do Brasil), identificou que o Bouboulina era o único petroleiro a ter navegado na área nessas datas. A Delta Tankers, dona da embarcação, nega a suspeita.

Em nota, a companhia afirma que o Bouboulina saiu da Venezuela em 19 de julho e seguiu com destino à Malásia, onde descarregou sem complicações. A empresa ainda afirma que analisou dados e câmeras do navio e não constatou problemas.

– Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), vinculado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal)

A análise de imagens de satélites do dia 24 de julho mostrou uma possível mancha nas proximidades do Rio Grande do Norte – onde, segundo os pesquisadores, pode ser o ponto em que o vazamento aconteceu. Segundo o Lapis, esse suposto óleo não poderia ter sido despejado pelo Bouboulina, pois a embarcação teria passado pela área dois dias depois do surgimento da mancha.

No dia 17 de novembro, o laboratório divulgou uma nota afirmando que havia avaliado imagens de mais um satélite e constatado mais uma mancha de óleo, que teria aparecido perto da costa da Paraíba, no dia 19 de julho.

A partir dos dados sobre as manchas, o Lapis rastreou todos os navios que transportaram petróleo cru nos dias 19 e 24 de julho. De todas as embarcações analisadas, o órgão constatou que apenas uma apresentou comportamento anormal nessas datas.

O navio fez uma trajetória incomum e não transmitiu de forma correta seu sinal de rastreamento, que serve para identificar e localizar embarcações. Não utilizar o sinal vai contra as leis internacionais de navegação. O Lapis preferiu não divulgar o nome da embarcação suspeita.

É possível estimar por quanto tempo o meio ambiente ainda será afetado pelo óleo?

De acordo com Ivo e Nirhvana, da Ufpe, não é possível prever por quanto tempo o óleo ainda vai trazer prejuízos ao meio ambiente. “Os impactos gerados por esse petróleo ainda são desconhecidos e devem permanecer por muito tempo”, afirmam.

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Atualizações

Confira o que aconteceu depois do dia 22 de novembro, data em que esta matéria foi publicada.

Óleo chega ao Rio de Janeiro

No dia 24 de novembro, pequenos fragmentos de óleo foram removidos da praia de Santa Clara e Guriri, no município de São Francisco de Itabapoana, no Rio de Janeiro. As informações são do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Até agora, Santa Clara é a única praia carioca atingida pelo óleo visto no litoral do Espírito Santo e do Nordeste.

Embora, nos últimos meses, o óleo tenha “descido” a costa brasileira, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) afirma que é pouco provável que as manchas cheguem até São Paulo (estado que faz divisa com o Rio de Janeiro).

O governo do estado, no entanto, criou um grupo de trabalho para elaborar um plano de prevenção e ação, para o caso de o óleo se aproximar do litoral paulista.

Saiba mais sobre as manchas de óleo no litoral brasileiro nas edições 139, 140 e 141 do Joca

Se você ainda tiver alguma dúvida, escreva na caixa de comentários abaixo ou mande um e-mail para joca@magiadeler.com.br>. Tentaremos responder a sua pergunta o mais rápido possível.>

Fontes: Ibama, Ministério da Saúde, Polícia Federal, Governo do Estado de São Paulo, Governo do Estado do Rio de Janeiro, National Geographic e Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites.

Comentários (18)

  • EMEF Prof. Laerte José dos Santos

    2 dias atrás

    ola joca fico muito triste que tem seres humanos e empresas que fazem coisas desse tipo, poluir e acabar com a vida no mar. Eu vi na tv, que o óleo vem da Venezuela e por isso que a Policia Federal precisa descobrir rápido o que esta acontecendo. é o nosso futuro e do planeta que esta sendo prejudicado. beijo joca adoro vc. Joao Pedro 4º C. já estou com saudade de vc.

  • EMEF Prof. Laerte José dos Santos

    2 dias atrás

    oi joca é uma vergonha e assustador ler essa reportagem As suspeitas sobre o vazamento de óleo no Nordeste. gostei da reportagem me esclareceu algumas duvidas que eu tinha. quero que tudo seja resolvido e os culpados paguem para limpar o meio ambiente. sou Felipe do 4º ANO C. abração joca

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    EU ACHO UMA FALTA DE IRRESPONSABILIDADE ESSE EXCESSO DE PETROLEO POIS ISSO PREJUDICA OS ANIMAIS E O NOSSO PLANETA DEREK E THALLES 8A

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    O petróleo já afetou 720 locais do nordeste, fora animais e muita das pessoas que tiveram o contato com o petróleo e também uma grande parte dos lugares afetados que eram pontos turísticos foram fechados e querendo ou não a gente pessoas foram muito prejudicados e os animais também,os negócios perderam lucros e a beleza natural da praia do mar são irreparáveis . kamyle e Fernanda 8 ano A

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    Nós achamos que a região do nordeste pode sofrer vários problemas como câncer de pele morte de animais. Alguém tem que ser responsabilizado pelo que aconteceu

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    Isso e muito triste e errado por causa da vida marinha e para as pessoas que foram curtir com sua família. E as pessoas que limpam demora dá trabalho e não ganham nada por ajudar e limpar o a irresponsabilidade dos outros!

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    Interessante pois explica um pouco sobre as macha que apareceram nas praias devastando o meio ambiente e ficamos chateados pelas mortes dos animais.

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    Eu espero que o animais esteja bem em que isso acabe logo.

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    isso e ruim pra vida marinha e pra sociedade pq o mar e vida e quem foi a pessoa que trouxe o petrorio q

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    isso e ruim pra vida marinha e pra sociedade pq o mar e vida e quem foi a pessoa que trouxe o petrorio q

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    O Brasil tem as praias mais bonitas do mundo mais nestes últimos dias o nordeste vem enfrentando uma batalha contra as terríveis mancha de óleo e misteriosas isso prejudica vários animais como aves mamíferos e outras foi lançada uma campanha várias pessoas estão ajudando.

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    eu vi nas reportagens que as pessoas que moram na praia que estavam limpando o petróleo, mas na verdade quem tinha que limpar era reserva marinha e rápido porque está fazendo mal aos animais e as pessoas. E se isso não acabar rápido vai continuar afetando os animais e as pessoas. ANA CLARA E EWERTON CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    Eu achei muito interessante, espero que os responsáveis por este ato medíocre sofram as devidas consequências. Eduarda F. P. Santana e Beatriz Costa de Oliveira 7ºD

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    O exército da marinha tem que ficar de vigilância nos mares e ficar de olho nos navios clandestinos que passa pelo litoral do Brasil que deixa esse óleo espalhar pelas nossas praias, e deveriam desenvolver uma máquina que retire esses óleos de todos os mares do mundo, pois isso esta prejudicando todos os animais marinhos e logo nos afetará também. Sophia e Arthur 7D

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    Meu Deus! Este bouboulina é um irresponsável ele devia ser demetido e preso pelo policia ambiental é triste ver os animais com problemas respiratórios, eu sou quero que bouboulina pegasse uma muta de 35 milhões de reais a polícia ambiental e fiquem preso por 10 anos. samuel 7 ano D .

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    Isto é muito triste, afeta o meio ambiente, os animais marinhos ,polui muitos mares ,isso impede muitos turistas de visitar as praias. Nós achamos interessante a notícia. Julia e Mariana 7D

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    É muito triste o que esta acontecendo, os animais podem ficar em extinção, e seria muito triste nós não podermos ir a praia por causa do derramamento de óleo. Rodrigo 7D

  • CEU EMEF JARDIM PAULISTANO

    1 semana atrás

    isto é muito grave, pois está matando muitos animais e prejudicando os humanos e o meio ambiente

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