Por Gisele R., 17 anos

Se você já assistiu a Irmão do Jorel, Cavaleiros do Zodíaco, Zootopia e Detona Ralph, com certeza  ouviu o trabalho do César Marchetti, 50 anos. Ele é dublador e emprestou sua voz para personagens de todas essas animações, dando vida a personalidades que vão de animais a guerreiros. Em Irmão do Jorel, por exemplo, César dubla tanto o pai do Jorel, Seu Edson, quanto Danúbio, Wonderlay, a Diretora Lola e Seu Adelino.

O talento de imitar tantas vozes fez com que ele vencesse, em 2008, o Oscar Brasileiro de Dublagem como melhor dublador coadjuvante por interpretar Radamanthys, em Cavaleiros do Zodíaco. Além disso, César conquistou papéis em filmes, seriados e até mesmo novelas africanas.

A repórter mirim Gisele R., 17 anos, entrevistou o dublador para saber mais sobre a trajetória dele na profissão. Confira a seguir!

César é dublador e venceu o Oscar da Dublagem brasileiro. Arte: Ana Beatriz Pádua.
#pracegover: César veste moletom preto e tem um fone de ouvidos sobre a cabeça. Ele está em um estúdio de gravação. Ao lado, os personagens que ele dubla, como o pai de Jorel, em o Irmão do Jorel, também os de Cavaleiros do Zodíaco e Sítio do Pica-pau Amarelo. Foto: arquivo pessoal. Imagens: divulgação. Arte: Ana Beatriz Pádua.

Como começou a sua carreira de dublador?
Iniciei no teatro, fazendo cursos e peças, até que um amigo me aconselhou a fazer um teste de dublagem porque eu sempre gostei de brincar com a voz, imitar as pessoas e cantar. Isso foi em 1996. Acabei indo a um estúdio em São Paulo, onde fiz um estágio, porque não existia curso de dublagem. Fiquei uma semana assistindo a dublagens e, quando entendi como funcionava, participei de um teste e comecei a trabalhar na área.

Como foi ganhar o Oscar Brasileiro de Dublagem de 2008?
Foi uma surpresa porque o Guilherme Briggs, que era o dublador do Radamanthys em Cavaleiros do Zodíaco, teve um imprevisto e eu fui escolhido para substituí-lo. Como os próprios fãs da série me selecionaram, fiquei preocupado porque queria fazer uma voz de que todos eles gostassem. Por ser uma substituição, nem esperei que poderia concorrer e, muito menos, ganhar um prêmio. Fiquei muito feliz e agradeci muito aos fãs, principalmente por poder ter participado dessa série tão importante.

Você tem uma voz que muda muito e se adapta a cada personagem. Isso é natural ou você treinou?
Com uns 10 ou 11 anos, eu brincava de imitar personagens em um gravador e percebi que gostava disso. Meu primo me convidou para participar de um programa de rádio e eu aceitei. Lá, desenvolvi bastante a minha voz. Quando entrei no teatro, também fiz vários personagens diferentes. Fazer caras esquisitos, vilões e personagens heroicos era uma coisa meio natural em mim, eu achava divertido.

Como o Irmão do Jorel atinge públicos de idades tão diferentes?
O Irmão do Jorel é um desenho apaixonante tanto para quem assiste como para quem produz. O que faz com que atinja tantas idades é a cabeça do Juliano Enrico, criador da série, porque todas as histórias estão relacionadas a experiências que ele ou os amigos tiveram na infância e pensamentos da juventude deles, seja sobre relação com os pais, namoro ou política. Além disso, ele é muito ligado à família, o que ajuda a retratar as personagens. O Juliano é muito próximo e amigo, então a gente se sente muito à vontade, e isso deixa o trabalho alegre e solto.

O que você diria para quem quer entrar no mundo da dublagem e atuação?
Se você gosta de ouvir música, ler ou ir ao teatro e cinema, isso já é um sinal de que você pode ter alguma coisa ligada a arte. O principal é acreditar em si mesmo, porque ser artista não é fácil, principalmente no Brasil. É uma profissão que exige muito, e a gente nunca sabe se vai conseguir sucesso logo de cara. É sempre bom ter um plano B, como trabalhar em outra coisa durante parte do dia, mas sem deixar de ter um tempo para se dedicar à arte. O que faz um artista de verdade é acreditar na arte dentro de você.

Como ser um dublador?
Assim como os atores, os dubladores interpretam personagens. Por isso, para se tornar um dublador, é preciso ter formação como ator e um registro oficial de atuação, chamado DRT (por ser certificado pela Delegacia Regional do Trabalho). Além disso, é necessário fazer um curso de dublagem para aprender a pronunciar as palavras de forma clara e dominar as técnicas necessárias para dar voz aos personagens.

Esta matéria foi originalmente publicada na edição 135 do jornal Joca.

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